Aliança com PSD já em 2017 divide PP entre Amin e Dreveck

Por Upiara Boschi

Diferentes estratégias para as eleições de 2018 e as feridas abertas pelo fracasso da aliança com o PSD na última disputa pelo governo estadual levaram o PP catarinense a um impasse às vésperas da eleição do futuro presidente da sigla. Na segunda-feira, os pepistas definem o novo diretório da legenda e encaminham se o comando partidário continua com o deputado federal e ex-governador Esperidião Amin ou migra para as mãos do deputado estadual Silvio Dreveck, presidente da Assembleia Legislativa.

Ambos afirmam ainda acreditar em uma solução de consenso até segunda-feira. Não há disputa para a escolha do nomes que vão integrar o diretório, mas a partir dessa definição o partido tem cinco dias para eleger a nova executiva e presidente estadual. O divide os grupos liderados por Amin e Dreveck é a definição ainda este ano da parceria com o PSD do governador Raimundo Colombo (PSD) nas eleições do ano que vem.

Os pessedistas tem como pré-candidato ao governo o deputado estadual Gelson Merisio, que trabalha pela antecipação do apoio do PP como forma de consolidar seu projeto. Para isso, conta com Dreveck, que o sucedeu na presidência da Assembleia este ano. O deputado estadual não antecipa a intenção de apoiar Merisio, mas defende a definição da aliança ainda este ano como forma de participar do projeto desde o início.

— Não quero focar em nomes, mas defendo que devemos definir a participação em um projeto com antecedência — afirma.

Presidente do partido desde 2015, Amin afirma que o PSD deve ser a primeira opção da aliança dos pepistas, mas rejeita a definição antecipada. Ele nega a intenção de concorrer novamente ao governo, mas defende manter portas abertas com outros partidos – sábado, participou do evento do PSDB catarinense com o presidenciável Gerado Alckmin, em Florianópolis.

— O PSD é a nossa opção número um, mas não podemos ir para 2018 sem alternativas. Eu não aceito isso.

Tanto a antecipação da definição do apoio ao PSD quanto a manutenção das possibilidades em aberto são encaradas como forma de evitar a reprise da aliança mal-sucedida em 2014. Na época, o apoio dos pepistas à reeleição de Raimundo Colombo foi costurada na Assembleia por Merisio e pelo então deputado Joares Ponticelli (PP), a quem caberia a vaga de candidato a senador.

Colombo chegou a mandar uma carta convidando o PP a indicar o candidato a senador em sua chapa, mas o PMDB não aceitou a composição e escolheu Dário Berger em convenção para a posição. Fora da aliança, o PP improvisou o apoio à candidatura de Paulo Bauer (PSDB) ao governo, indicando Ponticelli como candidato a vice. Colombo foi eleito em primeiro turno, a Dário venceu a disputa pelo Senado.
Diário Catarinense
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