Aos 17 anos, blumenauense é uma das cotadas para disputar olimpíada de Astronomia

Olhar para o céu em noites estreladas, além de encantar, sempre dá motivos para a estudante Helena Buschermöhle, 17 anos, refletir. Encarando os astros em seu momento mais brilhante aos olhos de quem está na Terra – à exceção do Sol, é claro –, ela gosta de pensar em como as coisas funcionam. E quando o dia amanhece, ela estuda sobre como as coisas funcionam. Foi esta curiosidade que lhe garantiu um lugar na equipe de estudantes que forma uma espécie de Seleção Brasileira de Astronomia e Astrofísica e que vai disputar a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (Olaa) no Chile.

O caminho até a vaga foi longo e começou muito antes dela planejar competir usando seus conhecimentos. Helena sempre questionou o porquê das coisas e como elas funcionavam. Daí para a Física e para a Astronomia foi mais um passo:

– (A Física) É uma espécie de manual de instruções da natureza, que se torna muito divertido quando você aprende a ler. Sempre tive interesse por Astronomia, pois é quase impossível olhar para uma noite estrelada e não se maravilhar. E a Astrofísica é basicamente Física aplicada às coisas mais legais do universo.

O entusiasmo pelos astros cresceu no início do ensino médio, quando ela começou a participar da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), evento no qual ela esteve três vezes e conquistou uma medalha de ouro e duas de bronze.

Após a classificação na OBA, Helena iniciou os testes para integrar o “time Brasil”, que consistem em treinamentos e provas a cada dois meses até a seleção final, onde definem-se os 29 estudantes que vão compor as equipes principais que disputam a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA) – do 1º ao 5º classificados – e a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (Olaa) – do 6º ao 10º colocados. Os outros 19 estudantes formam o grupo de suplentes. Helena é suplente do grupo que vai disputar a Olaa.

Engenharia Aeroespacial está entre os planos para o futuro 

Agora aluna de um curso pré-vestibular, Helena não para enquanto espera um chamado para a competição. Para estar entre os 29 selecionados ela contou com o apoio e o auxílio não apenas dos professores, da coordenadora Silvana Silva Busetti e da diretora do Colégio Sagrada Família, irmã Ana Besel, onde estudou a vida toda. Também teve a ajuda de especialistas da área, como o astrônomo de Florianópolis Alexandre Amorim, o astrônomo Silvino de Souza, coordenador do Observatório Astronômico de Brusque, e o professor Eslley Escatena, da UFSC.

O foco é ingressar no ensino superior. Ela quer estudar Engenharia Aeroespacial ou Astrofísica e atualmente participa do processo de seleção para universidades americanas, com as quais está envolvida desde o início do ano.

– Meu sonho é estudar fora, voltar e aplicar este conhecimento aqui – conta a estudante, que vê a Ciência como forma de desenvolvimento para o país.

Informada sobre diversos assuntos, Helena acredita que a Ciência está diretamente ligada à criatividade, uma das principais características do brasileiro para ela, o que faz com que o país tenha potencial para ser um berço dos estudos e da inovação científica. Mas destaca que é preciso mais investimento para que isto, de fato, ocorra:

– É curioso que, ao mesmo tempo que temos potencial para grandes descobertas e invenções revolucionárias, temos tão pouco ou nenhum incentivo.

Para Helena, a negligência com a educação tem relação direta com redução do campo de trabalho e causa a fuga das mentes mais brilhantes:

– Há vários cientistas brasileiros desenvolvendo projetos importantes no mundo todo, somos muito respeitados e bem vistos na comunidade científica internacional, menos na nossa própria casa.

A busca pela formação e a vontade de fazer parte da mudança do cenário científico no país também dividem espaço com a vida de adolescente, que gosta de passar o tempo com os amigos, ir ao cinema, fazer maratonas de seriados e comer uma boa pizza. Enquanto corre em busca de seus objetivos, Helena vive cada dia, um pouco na Terra, um pouco entre estrelas.

 

Jornal de Santa Catarina

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