Caminhos de Santa Paulina: Por que a Santa veio até Camboriú caminhando?

Na foto, da esquerda para direita: Tereza Ana Maule (Irmã Inês de São José), Amabile Visentainer (Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus) e Virginia Rosa Nicolodi (Irmã Matilde de São José). Fundadora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Colaboração: Juliano Mazzola

Quando transferiram a sede da Vila de Camboriú para o Arraial do Garcia, o Padre João Rodrigues de Almeida, monarquista de quatro costados, já estava fulo com os traidores republicanos, não gostou nem um pouquinho dessa história. O Padre João Rodrigues fez uma banana pros republicanos adeptos da transferência e disse: “A sede da igreja daqui não sai e ta cabado!” Pode até ir a sede política, mas a sede da igreja não vai e pronto!



A igreja Católica, fortemente golpeada pelos republicanos que separaram o poder da igreja do Estado, apoiou o Padre João Rodrigues integralmente e sequer proveu a Capela do Garcia. Porém veio para atender a igreja de Bom Sucesso um novo padre, João Batista Petters, de Itajaí, que não estava nem ai para brigas domésticas. Pelo que escreve, ele odiava Camboriú (Barra) e adorava o Garcia (atual Camboriú).

O que esse padre escrevia sobre Camboriú, a Barra, é inacreditável. Escrevia em seus relatórios que a Barra tinha duas famílias que mandavam no lugar, não se davam e não deixavam nada vingar. Padre Petters dizia que o povo da Barra era mau, desordeiro e incrédulo que não se vê progresso algum neles; e o oposto ao povo do Garcia: povo bom, dedicado à igreja, temente a Deus. Escreveu ainda que a Barra era um lugar decadente e o Garcia era um lugar lindo, de futuro, maravilhoso.

Diz que a igreja de Bom Sucesso estava acabadinha, mofada, péssimas alfaias. A Capela do Garcia era linda, maravilhosa, alfaias novinhas. A igreja da Barra era mal localizada, fora de lugar; já a do Garcia era bem central, no meio da praça da Vila, um lugar próspero, digno de assentar a casa de Deus. Fez até um mapa. Algumas dessas anotações estão anexas.
Acusa o sacristão da Barra de epilético e bêbado, um lugar tão decadente que não não existe um homem melhor e capaz para ocupar aquele cargo.

De alguma forma o Padre Petters ganhou provisão para funcionar a capela do Garcia. O que ele fez? Propaganda! É a alma do negócio. Mandou imprimir um cartaz intitulado DOCUMENTO HISTÓRICO, com um subtítulo dizendo que há 50 anos servindo a seara do senhor. Desculpa ai seu padre, mas 50 anos tem a igreja de Bom Sucesso, a matriz. O senhor está em 1898 bota 50 anos pra trás vai dar em 1848, e um ano depois foi criada a Igreja de Bom Sucesso. Veja que na provisão autoriza apenas funcionar, por cinco anos {se antes não mandarmos ao contrário – diz o texto}.

Mas padre Petters era homem otimista e não deixou de lutar para transformar a Capela do Garcia em sede. Pra começar mandou fazer uma festa de arromba. Convidou até a Banda de música de Nova Trento, imaginem!! Quem não queria ouvir uma banda de música em 1899? Veio gente pra mais de metro de Nova Trento, São João e Tijucas, dia 5 de maio de 1899.
Bem, foi acompanhando a Banda e o padre de Nova Trento que o Madre Paulina veio até Camboriú. A viagem não foi boa devido a uma forte tempestade. Padre Peters diz que chegaram todos enlameados e ensopados e tiveram que usar roupas emprestadas e dá um pito no superintendente que não consertou a estrada lamacenta. E pede que pelo menos conserte os instrumentos que foram avariados na tempestade.

Por isso, dia 5 de maio próximo, o Marcos Vinicios Pagelkopf estará levando mais um grupo para fazer essa caminhada épica. 1 ano de aniversário do CAMINHO DE SANTA PAULINA. Restam algumas vagas. Se você quer ter a experiência que a santinha teve de caminhar de Camboriú a Nova Trento, entre em contato que vai ter uma das experiência mais legais de sua vida. Já se inscreveram o dobro de candidatos do ano passado. Muitos já tiveram essa experiência legal e divertida.

Por: Isaque de Borba Correia

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