Cenário eleitoral de SC toma forma faltando 4 meses para as eleições

Com o governador Eduardo Pinho Moreira saindo publicamente de cena em favor da pré-candidatura do deputado federal Mauro Mariani ao governo do Estado pelo MDB, a corrida eleitoral caminha firme para um quadro com quase todos os principais partidos tendo candidatos ao Executivo catarinense. Com o fim da incerteza que ainda pairava sob a maior sigla de SC, os esforços se voltam definitivamente pela busca de coligações e o PSDB continua sendo o alvo principal. Nos próprios discursos, porém, começam a aparecer sinais de que as composições devem ficar mesmo para o segundo turno.

O MDB oficializou de vez Mariani como único pré-candidato do partido à Agronômica em reunião ampliada da Executiva, ontem. No encontro, Pinho Moreira anunciou a decisão de não concorrer à reeleição justificando que administrar o Estado lhe demanda muito tempo e empenho e é com isso que ele está comprometido. O gesto do governador também une o partido e a figura de Mariani, que já vinha em pré-campanha intensa nas bases emedebistas e municípios.



— Vou exercer essa função de pré-candidato com muita honra e senso de responsabilidade, sabendo das dificuldades que vamos encontrar, mas muito tranquilo, me sentindo preparado para o desafio. Sou muito grato ao gesto do Eduardo, principalmente como catarinense, vendo o compromisso do governador com SC — declarou o deputado federal ao fim da reunião.

Segundo Pinho Moreira, ele já vinha amadurecendo a ideia há algum tempo diante de toda a dedicação necessária ao governo e ao controle dos gastos públicos em um momento delicados dos cofres estaduais. Diz que ajudará  Mariani no que for possível e dá pistas de que um acordo com os tucanos está se tornando cada vez mais improvável:

— Eu tenho procurado conversar com o PSDB de forma estreita, frequente. Eles têm pretensão de lançar candidato ao governo e acho que não terão mais recuo. Vou torcer pela democracia e para que cada partido lance seu candidato, porque aí a sociedade vai saber o real tamanho de cada um. Acho que está caminhando para isso, para muitas candidaturas, e torço para que aconteça.

Em outros partidos, inicialmente a confirmação de Mariani como a escolha do MDB não altera planos das candidaturas. O DEM se diz aberto ao diálogo, desde que João Paulo Kleinübing seja o pré-candidato ao governo. Jorginho Mello, do PR, mantém sua pré-candidatura ao governo catarinense e entende que a definição emedebista “foi um passo importante para as conversas entre os partidos”. O PP continua com o compromisso de apoiar o PSD de Gelson Merisio que, por sua vez, declarou apenas que isso “é uma decisão do MDB”.

PT deve ser representado por Décio Lima 

Depois de um período com a cabeça de chapa “dividida” entre o deputado federal Décio Lima e o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de SC Lédio da Rosa, o PT agora firma o parlamentar como pré-candidato ao governo e o ex-magistrado como pré-candidato ao Senado. A pouco mais de um mês das convenções, o trabalha passa a ser o de intensificar a busca por composições.

O partido conversa com siglas menores e tem expectativa de fechar apoio de legendas como o PCdoB, que tem ideais alinhados aos do PT. As definições devem ficar mesmo para os últimos dias do prazo, que vai de 20 de julho a 5 de agosto. Se não houver coligação, os petistas vão com chapa pura.

— Achamos que em face da conjuntura política, tudo pode acontecer até o momento derradeiro, e evidentemente também temos quadros internos para a vaga de vice e a segunda vaga ao Senado — diz o presidente do PT catarinense e pré-candidato ao governo, Décio Lima.

Se tiver que decidir por uma chapa pura, o partido tem o Norte e o Oeste do Estado como regiões prioritárias para as pré-candidaturas restantes à majoritária. Um dos quadros históricos do PT catarinense e com projeção nacional, a ex-senadora e ex-ministra Ideli Salvatti, pelo menos por enquanto, tem manifestado ao comando da sigla que não pretende disputar as eleições deste ano.

— Penso que a grande política de alianças se dará no segundo turno. Todos os partidos, principalmente os menores, vão enfrentar a cláusula de barreira então estão também de olho nesse pragmatismo — completa o deputado federal.

PSDB aposta em Paulo Bauer 

O presidente do PSDB de Santa Catarina, deputado estadual Marcos Vieira, é incisivo ao afirmar e reafirmar: Paulo Bauer é o pré-candidato ao governo, o partido não abre mão da cabeça de chapa na eleição de outubro e nem o inquérito aberto no STF envolvendo o senador tucano muda esse cenário.

— O PSDB tem projeto, sabe o que quer e onde quer chegar. Vamos ter candidato e ele se chama Paulo Bauer — declara Vieira, que diz respeitar a posição do MDB e afirma que a sigla é bem-vinda se quiser apoiar o PSDB para compor as outras vagas da majoritária.

Ainda conforme o presidente tucano, hoje a legenda tem dois pré-candidatos ao Senado, ele próprio e o ex-prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes. Se não houver sucesso em uma coligação, ambos estarão na chapa pura da legenda. Se acordos forem fechados até agosto, apenas um deles disputará a eleição para este cargo.

— No caso de composição, o que vai definir quem vai concorrer ao Senado é uma palavra mágica: entendimento. O PSDB fará uma convenção festiva, homologatória. Até lá nós temos tempo para conversar e chegar a um entendimento — destaca.

Neste cenário de coligação, se apenas Vieira for ao Senado, Napoleão deve concorrer à Câmara dos Deputados. Se for o contrário, Vieira deve buscar a reeleição na Alesc.

 

Fonte: DC

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