Estudante indiano de 16 anos é confundido com suspeito de furto e sofre agressão na Oktoberfest em SC

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar denúncia de agressão sofrida por um intercambista indiano de 16 anos na Oktoberfest, em Blumenau, no Vale do Itajaí. Conforme o delegado Cassiano Tiburski, responsável pela delegacia do Parque Vila Germânica, o adolescente resistiu a abordagens de seguranças e policiais na noite de sábado (20). Ele foi confundido com suspeito de furto de celular.

O delegado da regional de Blumenau, Egídio Maciel Ferrari, informou que o caso foi encaminhado para a Corregedoria da Polícia Civil e para a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami). Um boletim de ocorrência da agressão foi registrado na segunda-feira (22).



O conselheiro e integrante do Rotary Club de Blumenau, Roque Heerdt, que acompanha o intercâmbio do indiano, relata que o adolescente passou por corpo de delito e terá que fazer uma cirurgia, avaliada em mais de R$ 10 mil, por causa de uma fratura causada na mão.

As imagens das câmeras de segurança da festa foram cedidas para investigação, informou a assessoria de imprensa da Oktoberfest. A organização ainda disse preferir “ter todas as informações antes de fazer qualquer declaração”.

Já o delegado responsável pela investigação na Dpcami, David Saraff, confirmou que o adolescente foi apontado como um suspeito de furtos de celulares por vítimas. Ele foi conduzido para a delegacia por agentes de segurança pública e por seguranças privadas. “O adolescente reagiu à condução, restou lesionado em uma das mãos e com vermelhidão no rosto”, afirmou Saraff. O inquérito foi instaurado para apurar lesão corporal.

Jovem teve ossos da mão fraturados em abordagem policial — Foto: Roque Heerdt/Divulgação

Jovem teve ossos da mão fraturados em abordagem policial — Foto: Roque Heerdt/Divulgação

Agressões na abordagem

De acordo com o delegado Tiburski, a Polícia Civil estava investigando furtos ocorridos na festa. Somente entre sábado e domingo (21), segundo Tiburski, foram mais de 50 furtos no evento. Duas policiais civis, as mesmas que denunciaram os policiais militares por agressão na festa, conduziam a abordagem a suspeitos.

“Duas vítimas e uma testemunha indicaram o indiano como alguém parecido com um suspeitos de furto. Quando foram abordá-lo, ele resistiu e os seguranças da festa tentaram imobilizá-lo. Foi dada uma gravata, um mata-leão, e ele foi revistado. Encontraram com ele um celular que parecia ser de uma mulher, tinha uma foto de mulher, e levaram a delegacia”, explicou Tiburski.

Na delegacia, as pessoas na fila para registrar boletim de ocorrência mostraram “intenção de linchar” o adolescente ao se aproximar imobilizado. “Vendo a situação e o rapaz tentando se desvencilhar, resistindo, eu ajudei o segurança e fiz um torção no braço dele. Ele resistiu a ser algemado dentro da delegacia e foi aplicado outro golpe de mata-leão. Eu acredito que ele bateu o rosto no chão, por isso hematoma. Ele não falava português”, completou Tiburski.

Ainda de acordo com o delegado, um policial civil que fala inglês intermediou a comunicação com o adolescente, que se identificou e informou a idade. O jovem também colocou desbloqueou o celular com um código, indicando ser proprietário do aparelho. Ainda de acordo com o delegado, na delegacia eles esperaram vítimas de furto para fazer o reconhecimento, mas as testemunhas não apareceram, com apenas um depoente.

“Com a informação que era adolescente, ele foi liberado. Depois a família que se identificou como responsável por ele no Brasil veio até a delegacia. Disseram que ele não é violento, reagiu a abordagem porque achou que seria assaltado. Eles quiseram registrar boletim de ocorrência, mas eu disse que teriam que ir no final da fila de registros e eles foram embora”, afirmou Tiburski.

Adolescente teve ossos fraturados em torção — Foto: Roque Heerdt/Divulgação

Adolescente teve ossos fraturados em torção — Foto: Roque Heerdt/Divulgação

Fraturas na mão

O conselheiro da vítima, Roque Heerdt, conta que o adolescente está há três meses no país e participava na festa acompanhado da família responsável e amigos intercambistas. No momento em que foi abordado, estava em frente a lojas antigas da frente do Pavilhão 1 da Vila Germânica.

“Nós temos 35 intercambistas aqui na região e eles combinam de se encontrar. Ele tinha gostado da festa, chegou a desfilar em uma bicicleta, está gostando muito de ficar em Blumenau”, conta Heerdt.

Conforme o indiano contou ao tutor, quando o jovem foi abordado pela duas policiais, avaliou que seria assaltado e rapidamente segurou a carteira e o celular nas mãos. Ele ainda conta que três pessoas começaram a agredí-lo e pararam quando uma mulher policial interviu. Na sequência, ele foi levado para a delegacia.

O conselheiro confirma que o indiano disse que o delegado fez a torção que imobilizou o movimento da mão. Depois, quando o policial que falava inglês pegou o depoimento do adolescente, explicou que indiano foi liberado, mas colocado para fora da festa.

“Do lado de fora, um ‘pai’ dele, como a gente chama as pessoas que acolhem os intercambistas, o encontrou e ele contou o que tinha acontecido. Eles voltaram na delegacia e ele apontou quem tinha o agredido”, disse Heerdt.

O jovem foi levado para um pronto-atendimento, com a mão inchada. Na segunda-feira, fez raio-X e foram identificada fraturas. O corpo de delito foi feito na terça.

Na segunda-feira (22), a ‘mãe’ intercambista do adolescente registrou o boletim de ocorrência por lesão corporal dolosa de menor. No relato, diz que agentes de segurança agrediram o adolescente.

“São vários ossinhos que ele vai ter que passar por cirurgia, o seguro do intercâmbio não cobre, por particular ia dar uns R$ 11 mil, então estamos vendo o que vamos fazer”, completou o conselheiro.

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