Geraldo Alckmin visita Santa Catarina em tom de aglutinação

Por Upiara Boschi

O governador paulista Geraldo Alckmin é a opção preferencial do PSDB para disputar a presidência da República e também é o fator que pode aglutinar os maiores partidos catarinenses em um projeto único em 2018. Essas foram as principais constatações da rápida passagem do presidenciável tucano por Florianópolis no sábado, quando reuniu em torno de si as principais lideranças estaduais de sua legenda e também do PMDB e do PP em uma palestra com clima de comício na Assembleia Legislativa.

As cerca de 500 cadeiras do auditório Antonieta de Barros foram tomadas pela militância do PSDB catarinense, mas as atenções estavam voltadas para o eclético palco que reunia possíveis aliados do projeto presidencial tucano. Lado a lado, os principais caciques do PMDB no Estado — Eduardo Pinho Moreira, Mauro Mariani, Dario Berger – e o casal símbolo pepista Esperidião e Angela Amin rasgavam elogios ao governador paulista. Na primeira fila da plateia, os presidentes de duas das principais federações empresariais do Estado: Glauco Côrte, da Fiesc, e Bruno Breithaupt, da Fecomércio.

Nas conversas, presenças e ausências eram notadas como sinais de futuras composições. O PSD do governador Raimundo Colombo não se fez representar — embora o presidente estadual e pré-candidato a governador Gelson Merisio tenha sido convidado. O governador volta hoje de viagem oficial aos Estados Unidos, mas já vem declarando que gostaria de apoiar Alckmin à presidência em 2018. No evento de sábado, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira também afirmou que vai fazer campanha para o paulista em qualquer circunstância.

O visita do tucano paulista a Florianópolis para a palestra “Momento político, gestão pública e perspectivas para o Brasil”, promovida pelo PSDB-SC e pelo Instituto Teotônio Vilela, fez parte de um pequeno giro pelo Sul do país, iniciado na noite de sexta-feira em Porto Alegre. Além dos flertes com possíveis aliados estaduais, o evento tem um tom de celebração do PSDB-SC. Estavam lá os principais nomes do partido no Estado — os senadores Paulo Bauer e Dalírio Beber, o presidente estadual e deputado estadual Marcos Vieira, o deputado federal Marco Tebaldi e os prefeitos Napoleão Bernardes, de Blumenau, e Clésio Salvaro, de Criciúma. Entre as lideranças regionais que compareceram, causou surpresa a presença do ex-deputado Francisco Küster, de Lages. Ao vê-lo, Alckmin comentou a convivência de ambos na Câmara dos Deputados nos anos 1980 e pediu a ele que mandasse um abraço a outro antigo correligionário da região serrana: o ex-senador Dirceu Carneiro, que o tucano conheceu ainda prefeito de Lages, no final de década de 1970.

Antes da palestra à militância tucana, Alckmin concedeu entrevista coletiva em que lembrou a campanha presidencial de 2006, quando foi derrotado pelo então presidente Lula (PT) no segundo turno. Na época, apoiado por PMDB e PFL no Estado, alcançou 54,5%% dos votos dos catarinenses.

— Eu me sinto muito mais preparado hoje. Aquela eleição foi muito importante. Às vezes a gente aprende mais quando perde do que quando ganha, porque quando ganha acha que fez tudo certo — comparou.

O tucano evitou comentar a possibilidade de que uma nova candidatura de Lula seja barrada pela Justiça caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirme a sentença do juiz federal Sérgio Moro, que condenou o petista por corrupção passiva. Fez, inclusive, uma espécie de desafio ao adversário de 2006.

— Naquela ano enfrentávamos a reeleição. Eu já fui reeleito três vezes, reeleição é muito desigual. É um outro momento. Não será ruim fazer o tira-teima com o Lula — brincou.

O clima no ninho tucano parecia leve por causa das declarações do prefeito paulistano João Dória (PSDB) na véspera, quando disse que não disputaria prévias contra o governador paulista — padrinho de sua candidatura à prefeitura em 2016. Líder do PSDB no Senado e pré-candidato ao governo, Paulo Bauer garantiu que não há disputa interna no partido que Alckmin é o nome do partido, embora não tire Dória do páreo.

— Alckmin é o nome consensual, mas nós temos mais de uma liderança. Hoje ele é o nome do partido, mas o cenário pode mudar. Se o Lula for candidato, pode ser que a gente precise de um candidato de perfil diferente — avalia.

No palco, apenas Mariani levantou de forma velada a possível disputa interna do PSDB nacional ao desejar que o governador “encontre o mais rápido possível o caminho dentro do ninho tucano para dirigir e ordenar o país”. Pelo lado pepista, Amin louvou a experiência de Alckmin e destacou que sua candidatura oferece ao Brasil oportunidade “para que se superem divergências em vista aos objetivos comuns”. No final do evento, o peemedebista Dário Berger brincou:

— O palco estava eclético até demais. Não será possível reunir todos no mesmo projeto — sentenciou.

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