Itajaí entra na mira do plano de cortes da Petrobras

O pacote de desinvestimentos da Petrobras, que tem resultado na concentração de servidores e escritórios, com fechamento de unidades, vai atingir Itajaí até o fim do ano. No terminal portuário usado pela empresa, de onde saíam embarcações de apoio para as plataformas de petróleo, o movimento vem diminuindo há meses e os funcionários terceirizados já teriam sido avisados sobre a desmobilização. De acordo com o Sindipetro PR/SC, que representa os petroleiros no Paraná e em Santa Catarina, as operações da holding na cidade estão com os dias contados.

O DC aguardou durante duas semanas uma resposta da Petrobras sobre as afirmações do sindicato. A assessoria de imprensa da estatal informou que estava em busca dos dados com os setores específicos, mas não teve retorno.

Não é a primeira vez que a empresa silencia sobre o desmanche. Em 2015, quando vazou a informação de que a Unidade de Exploração e Produção Sul (UO-Sul), responsável pela prospecção de frentes de trabalho, seria fechada e os funcionários transferidos para Santos, a Petrobras só confirmou oficialmente a transferência de operações 15 dias antes da mudança.

O escritório administrativo, inaugurado em Itajaí em 2013, tem andares vazios há mais de dois anos. O contrato de locação dos escritórios termina em janeiro, e segundo André Luís dos Santos, secretário e representante do Sindipetro em Santa Catarina, não há previsão de renovação. Os cerca de 70 servidores que continuam no prédio têm sido direcionados para outras gerências e se preparam para deixar a unidade.

Retração das atividades de navio-plataforma

No cerne da desmobilização está a retração das atividades do navio-plataforma FPSO Cidade de Itajaí, que coincide com a decisão da holding de priorizar a exploração do pré-sal, em detrimento de outras operações. O nome fazia referência à importância estratégica que a cidade representava para a estatal e era um símbolo de uma parceria que parecia ser duradoura. Inaugurado em 2012, o navio atua no Campo de Baúna, na captação de óleo a 240 metros de profundidade.

Esperava-se que o pico de produção ocorresse em 2015, e depois o campo começasse a ter declínio, o que é natural nesse tipo de exploração. Mas a redução coincidiu com a crise financeira e moral da empresa, e manter no mesmo ritmo de operação o FPSO Cidade de Itajaí – que é fretado pela Petrobras e não faz parte dos ativos da companhia – deixou de ser um bom negócio.

O termômetro da baixa são as operações de helicóptero que partem do Aeroporto de Navegantes. Há três anos, eram em média 500 decolagens por mês, levando e trazendo funcionários do navio-plataforma. Hoje não chegam a 100.

A Petrobras renovou recentemente o contrato com a Infraero para operar por Navegantes, mas não há previsão de retomada do ritmo de operações. A base teria sido mantida em Santa Catarina por questão de segurança, já que o trajeto até a plataforma de petróleo é mais curto a partir do Aeroporto Ministro Victor Konder.

As unidades de Itajaí são as únicas ligadas diretamente à holding Petrobras no Estado. As demais unidades em Santa Catarina são empresas subsidiárias, em especial a Transpetro, que manterá as atividades que possui na cidade.

Encerramento das atividades afetará economia de Itajaí

A atual situação já havia sido prevista e alertada pelo sindicato dos trabalhadores em 2015. Na época, a empresa minimizou a movimentação e o caso não foi levado adiante pela base política catarinense em Brasília.

– Os parlamentares com quem a gente vislumbrava um apoio, acabaram se convencendo de que o que ocorria era somente um remanejamento de funcionários do quadro administrativo, e as produções não seriam impactadas. Já alertávamos que era engodo, e que isso significaria a retirada da holding de Itajaí – diz Santos.

O impacto econômico da provável perda de atividades da Petrobras refletirá tanto na economia do Estado, quanto na de Itajaí. A movimentação da estatal corresponde hoje a 16% do ICMS do município, que é de R$ 28 milhões brutos mensais, e a 7% do orçamento global.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Giovani Testoni, disse que ainda não foi comunicado sobre a desmobilização. Mas acredita que haverá uma movimentação pela permanência.

– Independentemente do grau de retorno para o município, a saída da Petrobrás não é boa para Itajaí – afirma.

O presidente da Associação Empresarial de Itajaí, Eclesio da Silva, disse que diante da situação econômica da empresa e da queda do valor do petróleo no mundo, era esperada uma “racionalização de custos”. A entidade, no entanto deverá se mobilizar para que a empresa mantenha pelo menos uma parte das operações em Itajaí.

Histórico de idas e vindas

Esta não será a primeira vez que a Petrobras deixa Itajaí. Em 2003 a empresa já havia saído da cidade e os anos seguintes tiveram uma grande mobilização empresarial.

Diante da pressão dos empresários, a Petrobras inaugurou em 2010 em Itajaí a Unidade de Exploração e Produção Sul (UO-Sul). Na época, o movimento rendeu um prêmio de reconhecimento nacional à Associação Empresarial de Itajaí (ACII).

Em 2015 a Unidade de Exploração e Produção Sul (UO-Sul) teve as atividades suspensas e os funcionários foram transferidos para Santos.

 

Fonte: O Sol Diário

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