Maior cemitério de SC tem ossadas à mostra e túmulos quebrados

 

A pouco mais de duas semanas do Dia de Finados, 2 de novembro, a situação de conservação no maior cemitério de Santa Catarina, o São Francisco de Assis, no bairro Itacorubi, em Florianópolis, é ruim. O espaço é mantido pelo poder público, que ao longo dos anos vendeu mais de 18 mil túmulos, mas atualmente não dá conta de manter a conservação.



Túmulo no cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

Túmulo no cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

Nesse cemitério devem passar 70 mil pessoas durante as visitas do Dia de Finados. Mas atualmente, quem chega para visitar o túmulo de algum parente ou amigo se assusta com o descaso. “Um absurdo isso. Não devia estar assim, e além do que eu acho perigoso. Eu mesma tenho medo de vir aqui sozinha. Sempre venho com alguém”, disse a autônoma Rosimari Faraco.

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

No cemitério estão sepultadas quase 70 mil pessoas, entre ilustres e desconhecidos. O túmulo da família de Felipe Schmidt, que governou o estado por duas vezes na década de 1890 e 1910, está com a sepultura quebrada e com ossadas a mostra.

Uma das grades de proteção caiu há oito meses e até hoje não foi arrumada. Numa das ruas, são vários túmulos quebrados e abertos. Em alguns dias dá para ver as ossadas, como crânios e costelas.

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

A prefeitura diz que não pode mexer nas ossadas porque uma lei municipal proíbe. “A legislação brasileira fala no crime de vilipêndio a cadáver. Então eu não posso, enquanto gestor, sem uma autorização ou da família ou judicial, mexer naqueles restos mortais”, disse Alexandre Magno de Jesus, chefe da divisão de cemitérios.

Sobre o problema persistir há anos, ele disse que estão tentando providências. “Estamos buscando soluções administrativas e jurídicas, junto à Procuradoria do município”, disse.

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

E entre os milhares de túmulos, são encontrados ainda vasos quebrados, plásticos que acumulam água e são um perigo para multiplicar o mosquito Aedes aegypti, além de mato e muito lixo.

O chefe da divisão de cemitérios falou que o local passa por limpeza com frequência, mas que não é possível dar conta do tamanho da área porque faltam funcionários.

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis — Foto: Graciela Andrade/NSC TV

“Hoje, no período da manhã, foram retiradas duas toneladas de lixo de dentro do cemitério. Se você circular agora no cemitério, vai ver novamente que tem mais lixo onde foi retirado. Um grande problema que nós temos, porque uma coisa é fato: o morto não produz lixo. Quem produz o lixo são as pessoas que transitam no cemitério”, declarou.

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