PM entra em ação com bombas de gás para desmobilizar bloqueio em Biguaçu

A Polícia Militar entrou em ação com a cavalaria e fez uso de bombas de gás lacrimogêneo para desmobilizar o ponto de bloqueio na sede da Transpetro, em Biguaçu, onde manifestantes impediam a circulação de caminhões na subsidiária da Petrobras. Uma decisão judicial determinou a liberação do local, mas grevistas posicionaram duas carcaças de veículos no caminho e permitiram a passagem de poucos caminhões durante a tarde.

Por volta das 19 horas, policiais militares avançaram sobre o ponto de bloqueio com cavalos e disparos de bombas de gás lacrimogêneo. A ação dispersou os manifestantes, que chegaram a colocar tubos de concreto na pista. Pelo menos um homem teve ferimentos no rosto e na perna.

Após a ação da PM, cerca dez caminhões-tanque deixaram a Transpetro em comboio.

Apesar de dois caminhões-tanque terem sido liberados após negociação da PM com grevistas por volta das 15 horas, a entrada na subsidiária da Petrobras voltou a ser bloqueada por um novo grupo de manifestantes que chegou em vans durante a tarde. Duas carcaças de carro foram posicionadas no caminho.

O prazo judicial para o desbloqueio era de 24 horas a partir da notificação recebida pelos grevistas, o que ocorreu nesta manhã. Assim, representantes do movimento passaram a afirmar que cumpririam a decisão judicial, mas manteriam o bloqueio até a noite desta terça. Por volta das 17h45, a PM conseguiu negociar a liberação de mais um caminhão .

 BIGUAÇU, SC - 29/05/2018. Manifestantes colocaram duas carcaças na estrada para impedir a entrada dos caminhões na Transpetro.

Manifestantes posicionaram carcaças de veículos para bloquear pista e impedir saída de caminhões
Foto: Marco Fávero / Diário Catarinense

O tenente-coronel Rudiney Medeiros, comandante do 24º Batalhão da PM, diz o que o primeiro grupo de caminhoneiros foi solícito ao acatar a ordem judicial, mas o novo grupo de manifestantes, que seria de Palhoça, se mobilizou para voltar a obstruir a pista.

Ainda na manhã desta terça, o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis (Sindópolis), Joel Fernandes, disse que havia expectativa de que talvez houvesse a liberação de gasolina para os postos no fim da tarde desta quinta. Entretanto, a afirmação é apenas uma expectativa e que não há nenhuma definição, conforme disse o presidente do sindicato, Lurran Nascimento de Souza:

 Greve caminhoneiros. Caminhões saem com escolta policial para asbtecer viaturas da PM e veículos oficiais

Caminhões saíram escoltados da petrolífera em direção a Florianópolis na manhã desta terça-feira
Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense

— Não tem nenhum caminhão carregado e não tem nenhuma previsão de escolta de abastecimento ainda. A gente tem a liminar, a polícia está ciente, e a gente está trabalhando para que isso aconteça. Não temos confirmação de que aconteça hoje e nem amanhã, mas estamos trabalhando para isso — comentou o dirigente para a Rádio CBN Diário.

O agricultor Sandro Filippi, que está há sete dias parado em frente à Transpetro, afirma que os manifestantes que protestam em Biguaçu vão cumprir a determinação judicial de liberarem passagem aos veículos carregados de combustíveis, mas, ressalta, ele “não concorda”. Afirma, então, que pretende se dirigir com outros manifestantes para “outro lugar”, que ele não soube explicar onde seria.

— Essa política imunda que está aí, a gente quer que eles saiam do poder. Esse movimento, não se esperava que chegasse tão longe, mas nos chegamos, a população está apoiando o movimento dos caminhoneiros. Eu não sou caminhoneiro, mas como os brasileiros estou apoiando essa luta — diz Sandro, emocionado ao contar que aderiu ao protesto depois de ser barrado por caminhoneiros em uma estrada catarinense.

Em Palhoça, assim como em outros pontos do Estado, o Exército atua para garantir segurança dos caminhões que querem deixar os protestos.

 Greve caminhoneiros. Caminhões saem com escolta policial para asbtecer viaturas da PM e veículos oficiais

Ainda não há qualquer definição sobre a possibilidade de os manifestantes liberarem combustível para os postos
Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense
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