Polícia faz operação contra lavagem de dinheiro e jogos de azar no RS e em SC

A Polícia Civil realizou uma operação de combate a crimes de lavagem de dinheiro e jogos de azar no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina nesta quarta-feira (14). O grupo é investigado por comprar, de forma ilícita, 31 apartamentos e estabelecimentos comerciais nos dois estados. São mais de 50 suspeitos envolvidos e todos os bens, incluindo veículos, foram avaliados em mais de R$ 16 milhões.

Ao todo, 185 mandados judiciais foram cumpridos em Porto Alegre e Canoas, no RS, e em Bombinhas, no Litoral de SC. Cinco investigados tinham mandado de prisão, mas eles não foram localizados e são considerados foragidos. Três teriam fugido do país, conforme a polícia. Os nomes deles não foram divulgados.



A polícia identificou quatro casas de jogos e aproximadamente 15 estabelecimentos comerciais formais, entre padaria, mercados, pet shops e casas de festas, envolvidos no esquema.

Eles usavam as máquinas de cartão de crédito legalizadas, no nome dessas empresas, para lavar o dinheiro das casas de bingo. Os jogadores consumiam créditos para jogar e o dinheiro caía direto na conta dos estabelecimentos legalizados, numa forma de lavar o dinheiro do jogo.

Segundo a investigação, os criminosos alternavam o esquema para não serem descobertos, distribuindo os créditos para os diferentes estabelecimentos.

“Há crimes bem mais graves a serem apurados em decorrência dessa atividade, o jogo. Que não é o jogo. Esse nunca foi o nosso mote e não é o que a delegacia investiga. Nós temos crimes muito mais graves que é o caso da lavagem e organização criminosa. Tudo isso se dá, neste caso, após se faturar com jogos de azar”, explica o delegado responsável pela investigação, Filipe Bringhenti.

Polícia Civil divulgou resultado da operação durante coletiva de imprensa. — Foto: Josmar Leite/RBS TV

Polícia Civil divulgou resultado da operação durante coletiva de imprensa. — Foto: Josmar Leite/RBS TV

Esta é a segunda etapa da Operação Repasse. A investigação tem dois anos e conta com a participação do Ministério Público, junto com a Promotoria Especializada no Combate à Lavagem de Dinheiro.

Segundo o delegado, a Justiça ordenou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 24 pessoas investigadas. Também foi solicitado o bloqueio das contas bancárias destes suspeitos, além da quebra de sigilo de aplicações financeiras diversas de 57 pessoas.

Ainda de acordo com o delegado, os bens teriam sido adquiridos em nome de laranjas e a polícia não conseguiu obter o sequestro judicial dos 31 imóveis avaliados em R$ 15 milhões e de 18 veículos avaliados em R$ 1,1 milhão. Os quatro carros apreendidos devem ser usados pela polícia no combate a esse tipo de crime.

“Alguns dos imóveis são de elevado valor comercial e que eram utilizados para facilitar o acesso, bem como para o sucesso na exploração do jogo de azar”, explica o delegado.

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