Sargento morto em Camboriú já havia sofrido outros atentados.

Por Diarinho

O sargento Edson Abílio Alves, 51 anos, assassinado na noite de quarta-feira, em Camboriú, já tinha sido vítima de outros dois atentados.
Em 2014 ele foi atingido por quatro tiros próximo a escola Domingos Fonseca, no bairro Tabuleiro. Um ano antes a casa dele foi alvejada por bandidos.
Para o coronel Claudio Roberto Koglin, da 3ª Região da Polícia Militar, os atentados não foram motivados por situações pessoais. “Foi um ato covarde. Só por ele ser PM”, opinou.

O sargento Abílio foi executado na rua Guararema em frente a Padaria Tripão, por volta das 21h de quarta-feira. O crime foi filmado pelas câmeras de segurança. O sargento estava mexendo no celular quando um rapaz se aproximou e atirou. O sargento tenta tirar a arma do bandido, mas acaba caindo e leva três tiros à queima-roupa na cabeça. O atirador foge em um Monza com um comparsa que dava cobertura ao crime.
O pastor Adriano Uber de Mello confirmou ao DIARINHO que o sargento trabalhava como segurança na padaria. A Tripão estava fechada ontem e nenhum dos donos foi localizado pela reportagem.
O capitão Tiago Ghilardi, da 1ª Companhia de Camboriú, não confirma que Abílio estivesse trabalhando na hora do assassinato. Ele diz que o policial estava aposentado há três anos e estava desarmado no momento do crime.
O assassinato do policial será investigando pela polícia Civil. O delegado Mauricio Pretto abriu um inquérito por homicídio qualificado. O caso foi repassado à Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Balneário Camboriú.

O delegado diz que foram disparados seis tiros. Uma testemunha viu o rosto do assassino e será chamada para depor. O dono da Tripão prestou depoimento na manhã de ontem. Informações extraoficiais dão conta que a PM tem dois suspeitos para o crime.
Sobre a tentativa de assassinato de 2014, a polícia Civil diz que o inquérito policial não foi concluído. Na época do crime, o sargento disse que não sabia quem tinha atirado nele. A polícia Civil não tinha informações sobre o atentado contra a casa do sargento em 2013.

Para PM, crime é um atentado
O sargento foi o segundo policial morto esta semana em Santa Catarina e o quarto agente de segurança pública executado em menos de um mês.
Na segunda-feira passada, o PM Joacir Roberto Vieira foi executado a tiros em Joinville. No começo do mês, o agente penitenciário Elton Davi de Oliveira Máximo e o policial da reserva da PM de Floripa, Celso Olivério da Costa, foram assassinatos.
Para a polícia Militar os casos representam um atentado à corporação.
O coronel Koglin explica que há um reforço no policiamento e no serviço de inteligência da corporação.
A orientação é que os PMs redobrem os cuidados com segurança. Ontem, havia boatos de que foi decretado um toque de recolher no bairro Monte Alegre, mas o comando dega a afirmação.
Em nota, o comandante-Geral da PM, Paulo Henrique Hemm, disse: “a ousadia protagonizada pelos criminosos deve ser encarada com preocupação, não só pelas forças de segurança, mas também por toda a sociedade, que há de se indignar com estas mortes pois a polícia é o que separa a paz do caos social. Todo o mal que for feito a um PM será, com legitimidade, técnica e legalidade, repelido com o mais absoluto rigor”.

Deixa a família e amigos pelo bairro
Abílio deixa duas filhas, a esposa e uma neta. Amigos, parentes e colegas de trabalho o definem como “boa gente”, apegado à família e querido por todos.
Os amigos definiram o sargento como uma pessoa de amizade fácil, que gostava de bater papo na rua e sempre tinha um conselho para dar. Assim fez amizade com o carteiro Wolfgang Loos Júnior, 48 anos, há quase 10 anos. Entre uma ronda e outra, o sargento batia papo com Wolfgang que esperava a mulher sair do trabalho.
A notícia da morte foi um choque. No caminho para o trabalho, ele soube da morte de um policial e só mais tarde viu a foto de Abílio na capa do DIARINHO e descobriu que tinha perdido o colega.
Outro amigo era o empresário Wagninho Faria. Virou hábito se encontrarem em frente a sua pizzaria para baterem papo. Ele aparecia volta e meia só para jogar conversa fora. “Ele falava muito da filha que casou este ano, e da família. Ele sempre falava de Deus. Até a vizinhança costumava perguntar por ele. Era um cara especial”, narra o empresário.
Trabalhou na PM durante 30 anos e agora estava na reserva, aposentado. “Temos um sentimento de tristeza, de a gente perder um companheiro, um pai de família. Alguém que ia aproveitar agora a vida”, comenta João Roberto Marcelino, psicólogo da polícia Militar.

Velado na igreja que frequentava
O corpo do sargento chegou no início da tarde de ontem à igreja Assembleia de Deus, no bairro Monte Alegre. O templo era o local que Abílio frequentava.
A esposa e as filhas se mantiveram próximas ao caixão. Muitas coroas de flores traziam a homenagem da polícia e de amigos. Familiares vieram de Maravilha, no oeste catarinense, para se despedir.“Não temos o que falar, era um pai de família carinhoso. Muito querido”, afirmou um sobrinho.
Durante todo o velório, policiais militares se revezaram na guarda da igreja.
O sepultamento está marcado para hoje,às nove horas, no cemitério do centro de Camboriú.

“Um assassinato covarde e premeditado”
DIARINHO – A morte do sargento é uma retaliação de facção criminosa?
Koglin: Isto está sendo investigado. Não existe retaliação, mas um ato covarde de assassinato de uma pessoa, escolhida por ser PM.

DIARINHO – O setor de inteligência já tinha identificado ataques a policiais?
Klogin: Há cerca de uma semana, o setor de inteligência alertou sobre essa possibilidade.

DIARINHO – A casa do sargento Abílio já tinha sido atacada. Há a possibilidade de ser algo pessoal contra o sargento?
Klogin: Foi alvo de tiros por ser a casa de um PM em 2013, como aconteceu com outros. Não existe a possibilidade de ser algo pessoal.

DIARINHO – O sargento trabalhava como segurança da panificadora?
Klogin: O sargento estava na reserva remunerada da PM. Não sabemos informar se ele trabalhava como segurança, pois ele não tinha mais vínculo profissional com a PMSC. O que ocorreu foi um assassinato covarde e premeditado.

DIARINHO – Quais medidas a corporação está tomando? Há possibilidade de mais ataques contra policiais?
Klogin: Estamos reforçando o policiamento e o serviço de inteligência. PMs de folga e de férias se apresentaram voluntariamente para auxiliar nas operações.

DIARINHO – Qual a ordem do comando?
Klogin: Manter a calma, agir de acordo com a lei e reforçar os cuidados com segurança.

DIARINHO – Os policiais estão com medo?
Klogin: Não estamos com medo, muito pelo contrário, estamos unidos. Quem ataca um PM, ataca a todos. A união fortalece e não será um ato covarde como este, que fará com que retrocedamos um milímetro sequer.

 

 

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