Suspeitos de atentados no Litoral catarinense são presos durante operação da Polícia Civil

Entre os presos estão pelo menos três líderes do grupo criminoso que atuam na região sob ordens de comando da facção

A Operação Hidra de Lerna, deflagrada pela Polícia Civil nesta sexta-feira, em Balneário Camboriú, cumpriu 44 dos 72 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. O alvo são pessoas envolvidas com a facção criminosa que cometeu atentados contra policiais e órgãos de segurança pública nos últimos 20 dias. Entre os presos estão pelo menos três líderes do grupo criminoso que atuam na região, sob ordens do comando da facção.

De acordo com o delegado Osnei Valdir de Oliveira, da Divisão de Investigação Criminal de Balneário Camboriú (DIC), a polícia localizou mandantes e responsáveis pela morte do sargento da reserva da Polícia Militar, Edson Abílio Alves, assassinato no dia 30 de agosto, e também os suspeitos de terem organizado o atentado contra o Fórum de Navegantes, que foi alvo de tiros no dia 3 de setembro.

Entre os presos também há suspeitos de assassinatos relacionados às atividades da facção criminosa em Camboriú, Joinville e Navegantes. Um desses casos foi a morte de um jovem, em Camboriú, que teve as mãos e a cabeça decepadas. O corpo foi encontrado no dia 27 de julho, em Camboriú.

— Foram presas pessoas que executaram os crimes ou que deram auxílio material — afirma o delegado.

Entre o material apreendido pode estar a arma com que foi morto o policial militar. Os crimes investigados incluem tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. Os presos que participaram de atentados podem responder ainda por homicídio (no caso do policial assassinado), tentativa de homicídio e porte de armamento de uso restrito, nos casos em que foi usado coquetel molotov em ataques a prédios públicos.

Os detidos pela operação são 38 homens e seis mulheres — desses, 14 já estavam presos. Todos têm passagem pela polícia ou tiveram registro de infração quando tinham menos de 18 anos. Esses registros são apagados da ficha policial quando se chega à maioridade. A Polícia Civil informou que, embora os mandados sejam de prisão temporária, válida por cinco dias, deverá representar pedindo a prisão preventiva dos suspeitos assim que terminar o prazo legal.

Atentados aceleraram investigação

Segundo o delegado regional, David Queiroz, as investigações que identificaram os líderes da facção na região já vinha ocorrendo há mais tempo, mas a nova onda de atentados adiantou os pedidos de prisão. A operação não tem ligação direta com a Operação Independência, que foi comandada pela Deic na quinta-feira. Mas houve troca de informações durante as investigações — todos os dados são cruzados com as equipes que acompanham as principais lideranças do grupo, hoje detidas em São Pedro de Alcântara.

Os mandados foram cumpridos por 220 policiais de todo o Estado em Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema, Navegantes, Penha, Balneário Piçarras e Joinville, sob coordenação da DIC de Balneário Camboriú. Foram apreendidas armas, drogas, coletes balísticos, celulares, e material que comprova a ligação com a facção criminosa. Até o final da manhã a Polícia Civil ainda não havia terminado de contabilizar o material apreendido.

— O maior trunfo é a detenção dos líderes e a força que a Polícia Civil demonstra com essa operação. A população pode passar o resto do feriado mais tranquila, diante do poder de fogo que mostramos hoje. Toda a operação foi feita sem dispararmos um tiro sequer, com profissionalismo — disse o delegado regional.

O delegado geral, Arthur Nitz, acompanhou a operação e comentou que a escolha do feriado prolongado para a ação da polícia teve o objetivo de surpreender os criminosos. Como ainda há mandados a serem cumpridos, a operação terá sequência nos próximos dias.

— As polícias, a inteligência da Secretaria de Segurança Pública, têm trabalhado no intuito de garantir que esses atentados à segurança pública e à sociedade como um todo cessem.

Esta semana a Justiça suspendeu as saídas temporárias nas unidades prisionais de Itajaí, tanto no Presídio Regional quanto no Complexo da Canhanduba. A intenção é evitar que presos saiam com “missões”, que incluem desde levar informações para os integrantes da facção criminosa que estão fora das cadeias, até a execução dos atentados.

 

Fonte: O Sol Diário

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