Udo Döhler ainda é o antídoto de Colombo ao confronto entre Merisio e Mariani

Por Upiara Boschi

Era final da tarde de terça-feira. Ainda ecoava nos meios políticos a convenção do PP que na véspera sinalizou o apoio à pré-candidatura do deputado estadual Gelson Merisio (PSD) a governador em 2018, enquanto os peemedebistas emitiam sinais de desconforto através do vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB). Na Casa d¿Agronômica, discretamente e com poucas testemunhas, o governador Raimundo Colombo (PSD) conversava com o único nome que parece ter condições de manter unida a aliança que governa o Estado há mais de uma década: o prefeito joinvilense Udo Döhler (PMDB).

Poderia ser mera coincidência, mas não era. Foi Döhler quem solicitou a reunião, levando uma pauta administrativa embaixo do braço. Mas o governador pediu que o encontro fosse na Casa d’Agronômica e que parte da conversa não tivesse testemunhas. É certo que 2018 entrou na pauta.

Na véspera, Merisio havia conseguido dar uma demonstração de força ao isolar o deputado federal Esperidião Amin na convenção do PP, garantir o aliado Silvio Dreveck no comando da sigla em 2018 e uma carta em favor da aliança entre os partidos. Como que encerrando um comício, Merisio discursou aos pepistas defendendo que a aliança com o PMDB acabou.

Por tabela, o movimento do pessedista ajuda a consolidar a pré-candidatura do deputado federal Mauro Mariani (PMDB) ao governo – que hoje já conta com apoio oficial de Pinho Moreira, do senador Dário Berger e das bancadas estadual e federal do partido. Merisio e Mariani são os operadores do fim da aliança – tudo que fortalece um, reforça a candidatura do outro. São lados opostos de uma mesma moeda.

É nesse contexto que Döhler sempre será a alternativa a ambos – e não a um ou outro. Só ele veste o figurino da aliança, Colombo sabe disso. Desde que Mariani recebeu o endosso público do vice-governador, o joinvilense submergiu. Só volta para o páreo sucessório se for requisitado, se for a solução. Tem evitando até os convites de associações empresariais no interior do Estado ávidas por apresentá-lo como exemplo de empresário bem-sucedido na política. Mas não desistiu.

O que fica claro neste final de agosto de 2017 é que a dupla Merisio e Mariani está conseguindo construir o cenário do enfrentamento entre pessedistas e peemedebistas. Mas também está claro que este cenário não é o mais confortável para todos. Pré-candidato ao Senado, Colombo pode correr um risco desnecessário caso a eleição se fragmente em três ou quatro coligações, multiplicando os potenciais adversários.

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