40% dos crimes em SC não são registrados em BO, aponta pesquisa

Quatro a cada 10 crimes sofridos pelos catarinenses não foram registrados em Boletim de Ocorrência (BO). Isto foi o que revelou a pesquisa do projeto de extensão Focus, considerando apenas os entrevistados que disseram ter sido vítima de crime.

O motivo mais alegado pelo BO não ter sido feito é a descrença de que o registro traria algum resultado, conforme responderam 51,30% dos entrevistados. Mesmo entre aqueles que fizeram o boletim de ocorrência, a falta de esperança prevaleceu: mais de um terço sente que a polícia não fez nada (37,4%) e praticamente um em cada quatro entrevistados desconhece o resultado do trabalho policial (26,6%).

Os crimes que mais resultaram em boletins de ocorrência foram os furtos e roubos de veículos e de residências. Nesses casos, pelo menos oito em cada dez vítimas comunicaram os fatos à polícia. Por outro lado, a maior parte das vítimas de delitos como bullying, chantagem e crimes virtuais disse não não ter procurado a polícia.

Mestre em Ciência Jurídica, o professor do curso de Direito da Univali Fabiano Oldoni aponta duas formas de interpretação da pesquisa: a consulta expõe o entendimento da população de que o sistema criminal, a polícia e o judiciário não são instrumentos capazes de resolver as demandas, mas também revela o grau de interesse quanto aos pertences e valores envolvidos nos crimes.

A tendência, exemplifica Oldoni, é de que os proprietários de veículos roubados façam o BO em função do seguro, o que não se repete em outras ocasiões. Uma consequência da omissão em relação aos BOs, diz o professor, é a chamada cifra negra. Ele se refere a crimes praticados que não entram para as estatísticas.

Ainda assim, devido à falta de estrutura, o especialista entende que a polícia tem de priorizar casos mais graves.

—O sistema penal é como uma máquina feita para não funcionar adequadamente. Se todos os casos fossem investigados, o sistema entraria em colapso. Não há como culpar o delegado ou o policial porque eles estão amarrados, trabalham com estrutura precária — avalia.

Participação comunitária

A maioria dos entrevistados (86,1%) na pesquisa feita pelo projeto de extensão da Furb disse entender que a comunidade também tem responsabilidade com relação à segurança, além das polícias e do Estado – por atribuição, cabe ao Executivo estadual se encarregar das funções de policiamento ostensivo (PM) e investigação (Polícia Civil).

Mas pelo menos sete em cada dez entrevistados (72,7%) responderam que não fazem parte e não conhecem alguém que participe de alguma associação comunitária de segurança.

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(Por Diário Catarinense)

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