Das Profundezas ao Futuro: A Camboriú que o saneamento revela

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Com investimento recorde, a cidade inicia a universalização do esgoto e projeta mais saúde, empregos e qualidade de vida”

por Luiz Antonio Tecau para o portal Visse?

Camboriú é uma cidade que cresceu rápido nas últimas décadas. No ano 2000, eram pouco mais de 41 mil habitantes. Hoje, segundo a prévia do Censo 2022, já são mais de 112 mil — um salto de 171% em pouco mais de vinte anos. Esse avanço acelerado impacta setores essenciais como saúde, educação, mobilidade urbana e, de forma especial, o saneamento básico.

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Para enfrentar essa demanda, Camboriú receberá, nos próximos anos, um dos maiores investimentos em infraestrutura de sua história: R$ 300 milhões para a implantação de um novo sistema de esgotamento sanitário, com meta de universalizar a coleta e o tratamento de esgoto até 2033.

As obras devem começar ainda em 2025 e incluem a construção de uma moderna Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), baseada em tecnologia de lodo granular aeróbio — capaz de remover mais de 90% da carga orgânica e dos poluentes. Além da estação, o projeto prevê 500 quilômetros de tubulações e 31 elevatórias para bombear o esgoto até o local de tratamento.

Reginalva Mureb, presidente da Aegea – Divulgação

Segundo Reginalva Mureb, presidente da Aegea — concessionária responsável pelo abastecimento e saneamento da cidade —, os benefícios serão sentidos rapidamente pela população. “Assim que as primeiras fases entrarem em operação, a água das chuvas deixará de carregar esgoto, porque as residências passarão a usar a rede adequada. Além disso, os moradores não precisarão mais arcar com os custos de limpeza de fossas, e veremos uma redução no lançamento de esgoto in natura no rio Camboriú. A natureza é resiliente. Aos poucos, com a oxigenação da água, a vida volta: os peixes retornam, e o rio respira novamente”, explica.

Paulo Schwingel – Foto: Revista Portuária

O presidente do Comitê Camboriú, Paulo Schwingel, também acredita que a transformação trará benefícios não só para Camboriú, mas para toda a região. “Essa é uma solução conjunta. A nova estação vai tratar o esgoto que hoje não é tratado, e Balneário Camboriú também vem ampliando a eficiência de sua própria ETE. Isso contribuirá para a recuperação do rio, melhorando a qualidade da água, eliminando o mau cheiro e devolvendo vida ao curso d’água. É um processo gradual, mas em cinco a dez anos poderemos ter novamente um rio com vida plena.”

Além do impacto ambiental e sanitário, a implantação do sistema também vai impulsionar a economia local. A expectativa é que a construção da ETE e da rede de coleta gere centenas de oportunidades de trabalho, especialmente nas áreas de engenharia, construção civil, transporte e serviços.

De acordo com Reginalva Mureb, o projeto vai movimentar a economia da cidade durante toda a execução. “Vamos implantar aproximadamente 500 quilômetros de redes e quase 70 estações elevatórias. É um grande sistema, que vai atrair empresas locais e gerar emprego ao longo dos próximos oito anos”, detalha. Ela acrescenta que as licitações serão abertas de forma transparente, com prioridade para empresas da região: “Sempre privilegiamos o que é local, levando em conta o custo-benefício. As empresas poderão se cadastrar e participar dos lotes de obras por meio do portal da Aegea.”

Mas, antes dos benefícios, a cidade vai precisar de paciência. Bruna Alexi, assessora especial de Relações Comunitárias da Secretaria de Saneamento Básico de Camboriú, explica que as obras exigirão intervenções em diversas vias. “É um investimento alto e complexo, que vai mexer com o cotidiano das pessoas, mas é necessário. A falta de saneamento traz impactos sérios à saúde pública e até à valorização imobiliária. Com esgoto a céu aberto, há mau cheiro, contaminação de cursos d’água e aumento da demanda nos postos de saúde. O saneamento é uma questão de qualidade de vida — e é também o cumprimento de uma meta nacional: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% ao esgotamento sanitário”, pontua.

Marlon Borsatto – O Janelão/Youtube

O vereador Marlon Borsatto, presidente da Câmara de Camboriú, destaca que o investimento em saneamento vai muito além da saúde pública. “Uma cidade saneada atrai investidores, gera renda e desenvolvimento. Esse é o tipo de obra que transforma não apenas o presente, mas o futuro de uma comunidade”, afirma.

Das profundezas de um problema antigo, Camboriú renasce. Onde antes havia ausência, agora há esperança. Com o investimento de R$ 300 milhões, a cidade começa a escrever uma nova história — de saneamento, de saúde, de respeito à vida. É o futuro que brota, limpo e forte, devolvendo à população o que há de mais valioso: a dignidade.

Como resume Reginalva Mureb, o resultado final será sentido em cada lar: “Quando o esgoto deixa de correr a céu aberto, a saúde melhora, o meio ambiente agradece e a vida floresce. No fim, tudo isso significa uma coisa só: mais qualidade de vida para a população.”

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