A Celesc iniciará na próxima semana uma megaoperação intensiva de cortes no fornecimento de energia elétrica por inadimplência na região de Itajaí, com duração prevista até 19 de dezembro.
A ação, que deve afetar milhares de unidades consumidoras com contas em atraso, foi anunciada pela concessionária como um procedimento “técnico e normativo”. Entretanto, o movimento tem gerado críticas diante do aumento da tarifa de energia no estado, das dificuldades financeiras enfrentadas pela população e do histórico de reclamações envolvendo o atendimento e a qualidade do serviço prestado.
Segundo o gerente regional da Celesc em Itajaí, Pedro Paulo Molleri, que também é vereador em Itajaí, o objetivo da operação é garantir o “equilíbrio operacional do sistema”. “Quem não regularizar ficará sujeito ao corte”, afirmou o gerente, reforçando que os consumidores recebem aviso prévio e possuem canais digitais para quitar os débitos.
No entanto, o discurso oficial contrasta com a realidade enfrentada por muitos usuários, que vêm relatando dificuldades para negociar dívidas, instabilidade nos canais de atendimento e demora para religação mesmo após o pagamento — serviço pelo qual a Celesc cobra taxas adicionais. Há ainda críticas quanto ao momento escolhido para a ação: final de ano, período em que aumentam os gastos domésticos e se acentua a pressão financeira sobre famílias de baixa renda.
Cortes em massa e tarifas altas
Santa Catarina está entre os estados com tarifas mais elevadas do país, segundo rankings divulgados por entidades do setor elétrico. Em paralelo, a Celesc acumulou nos últimos anos lucros bilionários e vem ampliando repasses tarifários autorizados pela Aneel, fatores que intensificam o debate sobre responsabilidade social da empresa pública estadual.
Para consumidores e entidades de defesa do usuário, a política agressiva de cortes expõe falta de sensibilidade com a situação econômica da população, especialmente após um período de forte inflação e de aumento recorde na inadimplência.
Prazo de religação pode deixar famílias no escuro por dias
A Celesc informa que a religação só ocorre após o cliente solicitar o serviço e comprovar o pagamento, com prazos que podem chegar a 24 horas úteis na área urbana e até 48 horas úteis na área rural. Na prática, isso significa que uma família que pague a conta em uma sexta-feira à noite pode permanecer sem energia até terça-feira — situação que afeta conservação de alimentos, rotina de trabalho remoto e até armazenamento de medicamentos.
Além da demora, consumidores precisam enfrentar a burocracia de envio de comprovantes por e-mail e posterior ligação telefônica para formalização — procedimentos frequentemente criticados pela população.
Críticas e questionamentos
A medida levanta questionamentos sobre:
- Proporcionalidade da ação diante do atual cenário econômico;
- Impactos sociais de cortes em massa em período pós-pandemia e pré-natal;
- Responsabilidade social de uma empresa pública;
- Efetividade dos canais de atendimento, alvo frequente de reclamações;
- Transparência nos critérios de corte, especialmente para famílias de baixa renda inscritas em tarifa social.
Ações da Celesc e orientações para consumidores
A empresa orienta que consumidores regularizem débitos pelos canais oficiais, como App Celesc, Agência Web e WhatsApp. A religação deve ser solicitada após o pagamento e segue prazos de 24h úteis na zona urbana e 48h na área rural.
Conclusão
Embora esteja amparada por normas regulatórias, a operação intensiva de cortes revela um distanciamento entre a concessionária e a realidade socioeconômica regional. O tema reacende a discussão sobre o papel social das empresas públicas e a necessidade urgente de políticas mais humanas de renegociação, evitando que famílias fiquem no escuro às vésperas do fim de ano.



