A Prefeitura de Balneário Camboriú, por meio da Secretaria de Saúde, atendeu 102 pacientes durante o projeto piloto de diagnóstico laboratorial domiciliar, que permite realizar os exames de pacientes acamados diretamente na casa deles. Implementada em março deste ano, a tecnologia possibilita a análise das amostras no próprio local da coleta, com processamento digital e validação remota por profissionais capacitados.
A diretora de Planejamento em Saúde e autora do projeto, Alessandra Kaestner Enríquez, explica que os pacientes foram acompanhados por equipes da Atenção Primária à Saúde, que levaram a capacidade diagnóstica até pacientes com dificuldade de locomoção, idosos, pessoas com doenças crônicas e usuários em situação de maior vulnerabilidade.
“Por meio do projeto, foi possível eliminar deslocamentos, filas e o intervalo entre coleta, resultado e conduta clínica. Com os resultados disponíveis no momento do atendimento, as equipes puderam tomar decisões de forma mais ágil, segura e integrada ao cuidado prestado no território”, disse.
Conforme Alessandra, os resultados do projeto piloto reforçaram evidências já apontadas pela literatura científica internacional. “Quando o profissional de saúde têm acesso à informação diagnóstica durante a consulta, a tomada de decisão se torna mais rápida, precisa e resolutiva. Na prática, isso se refletiu em maior adesão dos pacientes ao plano terapêutico, fortalecimento do vínculo entre as famílias e as equipes de Saúde da Família e melhor acompanhamento dos casos”, completou.
Ampliação do projeto
Com os resultados validados, a Secretaria Municipal de Saúde agora trabalha na ampliação da tecnologia Point-of-Care para a rede de Atenção Primária à Saúde, porta de entrada preferencial do usuário no Sistema Único de Saúde (SUS). O processo se fará por meio de licitação, seguindo a legislação vigente.
A expansão prevê a disponibilização de equipamentos, insumos e capacitação continuada para as equipes de Saúde da Família das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. A proposta é permitir que o modelo testado com os 102 pacientes do projeto piloto possa beneficiar de forma progressiva toda a população atendida na rede municipal.
“A agilidade na tomada de decisão médica não é apenas um ganho técnico, é um ato de respeito com o paciente. Quando a pessoa percebe que o profissional já tem o resultado em mãos e consegue definir a conduta naquele momento, ela passa a confiar mais no cuidado e a seguir melhor as orientações”, destaca a secretária de Saúde, Aline Leal.
Sobre o telediagnóstico
O estudo propôs uma transformação no modelo atual de testagem, migrando de testes rápidos com leitura exclusivamente visual e interpretativa para um sistema de telediagnóstico apoiado por Inteligência Artificial (IA), capaz de garantir maior padronização, precisão e segurança nos resultados.
A solução desenvolvida integra leitura automatizada por IA, conectividade digital e validação remota dos exames, reduzindo a subjetividade da interpretação humana local e assegurando qualidade analítica uniforme, independentemente do local de realização do teste.
A tecnologia permite que os testes rápidos sejam digitalizados, analisados e interpretados com suporte inteligente, fortalecendo o conceito de telediagnóstico no Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliando a capacidade de resposta clínica em tempo oportuno.
Os equipamentos foram cedidos para o projeto pelo Dr. Carlos Ballarati, PhD em Patologia pela Universidade de São Paulo e ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).



