AMFRI – Ponte entre Itajaí e Navegantes nos planos na Inovamfri

“Se não resolver o problema da ligação entre Itajaí e Navegantes, todo o projeto de mobilidade integrada da região será prejudicado”, afirma Paulinho Bornhausen

O Plano de Mobilidade Urbana Regional Integrada que a Inovamfri encomendou para uma empresa internacional deu fundamentação científica a uma conclusão a que a maioria dos observadores peixeiros já tinha chegado: sem uma nova ligação entre Itajaí e Navegantes, não tem plano de mobilidade que se sustente.
A informação foi dada ontem à tarde, durante a última reunião do ano do conselho consultivo do projeto, composto pelas principais entidades catarinenses, públicas e privadas, como a Fiesc, o Sebrae/SC e a Fecomércio SC.
Realizada num auditório da Secretaria de Estado da Fazenda, no Centro Administrativo do governo catarinense, a reunião foi aberta pelo Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gelson Merísio, sem a presença, que estava sendo aguardada, do governador do estado, Raimundo Colombo. Ele foi representado pelo secretário do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Carlos Chiodini.
O Conselho Consultivo faz reuniões periódicas para acompanhar o desenvolvimento das várias ações que compõem o Inovamfri. Na reunião de ontem foram feitas as projeções para 2045, quando deverão ocorrer cerca de 920 mil deslocamentos por dia, na região. Hoje, 65% dos deslocamentos na região são feitos em automóvel e apenas 10% em transporte coletivo.
O Plano de Mobilidade, na sua versão otimista, espera que até 2045 os deslocamentos em transporte coletivo aumentem para 45%, e em automóveis caiam para 31%. Para isso, contudo, é preciso resolver alguns gargalos, com obras de infraestrutura importantes.
Gargalo 1: ponte unindo Itajaí a Navegantes, com acesso ao aeroporto, com 1200 m de comprimento e, no vão sobre o rio Itajaí Açu, com 45m de altura;
Gargalo 2: anel viário entre Barra Velha e Tijucas, para fugir da BR 101;
Gargalo 3: túnel com 1,5 km, ligando a praia Brava à BR 101;
Gargalo 4: nova ligação entre Porto Belo e Bombinhas;
Segundo o presidente do Conselho, ex-deputado Paulo Bornhausen, ele já conversou com o governador, que ficou muito interessado em “resolver o problema” da ponte. Os cálculos iniciais mostram que ela custará entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões. Bornhausen acredita que o governo do estado não terá dificuldade em conseguir esse recurso e lembra que “o subsídio do governo ao ferryboat consome cerca de R$ 10 milhões ao ano”.
Quanto à obra, devido à sua proximidade ao aeroporto, não poderá ser muito alta ou ter torres. “Será como um grande viaduto que, no lado de Navegantes terá um trecho elevado, sobre os terminais pesqueiros”, afirma.

Planejamento de longo prazo
Logo no início da reunião de ontem o presidente do Conselho Consultivo, Paulo Bornhausen, comentou que “planejamento de longo prazo não é muito usual no nosso país”. As ações do InovAmfri têm, como horizonte, vários anos e a previsão de conclusão de algumas delas vai além de 2040.
O ex-deputado e ex-presidente da faculdade Avantis, Artenir Werner, depois de ouvir com atenção a apresentação do InovAmfri, que tem várias ações com previsão de conclusão nos próximos 20 ou 25 anos, parabenizou os idealizadores e fez um apelo bem humorado que provocou risos: “será que não dá pra reduzir um pouco esse tempo? Eu queria poder ver algumas dessas coisas”.
O objetivo da Amfri, ao planejar com essa antecedência, é que a região esteja preparada para quando tiver 1,5 milhão de habitantes. E não é difícil de imaginar a situação: a região que hoje, durante o ano, tem cerca de 650 mil habitantes, na temporada de verão, pula para dois milhões de pessoas. O trânsito fica um caos, a superpopulação provoca diversos transtornos. Nesse futuro não muito distante, o número de habitantes fixos, o ano todo, será praticamente igual ao das temporadas.
Em 2020 o distrito de Inovação de Itajaí deverá estar implantado e o Centro de Inovação (cujo prédio deve ficar pronto já em março ou abril de 2017) em pleno funcionamento.
Em 2040 o InovAmfri pretende que tenham sido criados pelo menos 76 mil novos empregos, que esteja implantada um sistema de mobilidade urbana regional eficiente e integrado e que tudo dê à região “um status de região inteligente de classe mundial.”

Coisa de cinema
Um dos projetos do InovAmfri que mais enche os olhos é o do Distrito de Inovação, que está previsto para a Itaipava. O prédio do Centro de Inovação está quase pronto e deve ser entregue à prefeitura de Itajaí em março ou abril de 2017. Em torno dele foi desenvolvida, pela Surbana Jurong, uma empresa de Singapura, o projeto de uma cidade moderna, com espaço para indústrias (a maioria de tecnologia), áreas de lazer, de moradia e de entretenimento.
Para visualizar tudo isso foi criado um vídeo, com a maquete em 3D, em que é possível “passear” pelas ruas, visitar os prédios e ver como ficará, quando estiver pronto esse distrito. Coisa de primeiro mundo, inspirado no que há de mais moderno, inovador e funcional.
O governo do estado acompanha com interesse o InovAmfri, porque ele virou um projeto piloto, para os demais 12 Centros de Inovação que estão sendo construídos em várias regiões de Santa Catarina.
Rui Luiz Gonçalves, presidente da Rede Catarinense de Inovação, afirma que “com o modelo de ocupação elaborado pelo InovAMFRI, o Centro de Inovação Regional de Itajaí estará 100% funcional já na inauguração, permitindo que, desde o primeiro dia, sua atuação esteja focada no estímulo à inovação e na atração de parceiros e investidores para o Distrito de Inovação”.
Gonçalves acredita que a rede de Centros de Inovação poderá transformar Santa Catarina “na Califórnia brasileira”. É na Califórnia, nos Estados Unidos, que se situa o “Vale do Silício”, onde estão as principais empresas de tecnologia e inovação.

(Por Diarinho)

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