Análise de Balneabilidade do IMA mais uma vez prejudica o Litoral de SC

Não é de hoje que existe a reclamação com relação aos relatórios de balneabilidade do IMA nas praias do litoral catarinense. E nem mesmo porquê o último relatório mostrou a praia central, assim como diversos pontos do estado, como impróprios, é que estamos falando disso agora.

O assunto já foi levantado pelo Portal Visse diversas vezes, inclusive replicando matéria do Jornal Página 3 em que mostrava as irregularidades na coleta das amostras. O assunto na verdade se repete.

IMPRÓPRIO

Neste final de semana, ferveu nas redes sociais e grupos de Whats, o relatório de balneabilidade do IMA divulgado na sexta-feira, dia 14. O relatório trazia 9 dos 10 pontos da praia central, como impróprios para banho. A informação foi um prato cheio para quem adora dar aquela denegrida marota na imagem da cidade.

SERÁ MESMO?

O que ninguém divulga é que a coleta do relatório divulgado dia 14, foi feita no dia 10, segunda-feira de manhã, após as chuvas torrenciais que alagaram diversas cidades da região, inclusive Balneário Camboriú. Assim como já foi falado aqui no Visse, coleta após chuva, sempre altera a amostra da análise.

Aliás, no próprio texto enviado pelo IMA, que ninguém lê, o diretor de Engenharia e Qualidade Ambiental do IMA, Fábio Castagna da Silva, explica que muitos fatores tornam a água não balneável, entre elas, fortes chuvas que lavam vias públicas.

SACANAGEM

Acontece que o IMA pouco se importa se choveu ou não no dia anterior. Eles simplesmente fazem o roteiro deles e levam as amostras do jeito que estão. A única coisa que eles fazem, e que é obrigação deles, é constar no relatório que estava sob chuva intensa. Essa informação pode ser vista no relatório que apontou 90% dos pontos da praia Central como impróprio para banho.

COLETAS

Vale lembrar que conforme publicado aqui pelo Portal Visse em janeiro de 2020, a coleta da água acontece de maneira totalmente irregular e fora das normas do CONAMA e da Agência Nacional de Águas. A coleta tem que respeitar uma profundidade mínima e seguir um rito, para evitar o comprometimento da amostra.

Aliás, em Balneário Camboriú, maioria das vezes quem coleta o material são bombeiros e não técnicos do IMA. Um veículo passa recolhendo as amostras depois, o que também é irregular, pois a amostra tem que ser coletada, vedada e já colocada em um recipiente térmico sob refrigeração, o que não acontece.

Leia a matéria completa aqui: DENÚNCIA: Vídeo flagra coleta do IMA sendo feita irregularmente em Balneário Camboriú

EMASA 

A Emasa mantem suas análises de balneabilidade, mas não sei porque cargas d’água a sua assessoria não divulga em notícia, frequentemente. Aliás, a última vez que a Emasa publicou um release com seu próprio relatório, foi em fevereiro de 2020.

A verdade é que a análise da Emasa é mais confiável, mas, pelo que vemos, pouco usada. O laboratório que realiza as análises de balneabilidade para a Emasa é credenciado pelo IMA e pelo INMETRO, seguem a risca todos os protocolos para coleta e análise das amostras. Além de tudo, não faz coleta após chuvas torrenciais, o que traz amostras mais fidedignas.

A coleta feita pela EMASA no dia 11, traz um resultado melhor do que o coletado pelo IMA no dia 10. A coleta do dia 12, fica melhor ainda. Não o ótimo, mas muito melhor que a lambança feita pelo IMA.

O jornalista Waldemar Cezar, o Marzinho, como velho pescador, entende bem de correntes marítimas e é um dos maiores críticos do IMA nas questões de balneabilidade. Ele afirmou em um debate ontem, e vem afirmando nos últimos 15 anos, que o mar “limpa” em menos de 24 horas após as chuvas, o que é comprovado pelo relatório da Emasa. O cuidado sobre condições climáticas deveria ser levado em consideração nas análises do IMA, que se preocupa mais em seguir o seu roteiro.

PROJETO DE LEI 

Em sua breve passagem pela Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, o vice-prefeito e então deputado estadual, Carlos Humberto Silva, protocolou um projeto de lei que proíbe o IMA de realizar coletas de balneabilidade se houver registro de chuvas torrenciais em menos de 48 horas.

“Mesmo existindo resoluções com critérios técnicos no procedimento de coleta, distorções nos resultados podem surgir pela ocorrência de chuva nas últimas 48 horas antes de efetuada a coleta, podendo resultar em alterações momentâneas e pontuais.” declarou o deputado na época.

O projeto está tramitando na ALESC e travado no gabinete da deputada Paulinha desde fevereiro de 2021. Os pareceres da Secretaria de Saúde do Estado, da Casa Civil, do Meio Ambiente e o parecer técnico do IMA, OBVIAMENTE, é desfavorável ao projeto.

Vídeo flagra coleta do IMA sendo feita irregularmente em Balneário Camboriú


Análise de Balneabilidade do IMA mais uma vez prejudica o Litoral de SC
Poucas e Boas – Por Gian Del Sent 

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