O golpe baixo das “vacinas vencidas” da Folha de São Paulo

Em uma semana a Folha de São Paulo conseguiu, em duas pautas, mostrar explicitamente que deixou de fazer jornalismo há muito tempo. Primeiro num crime sem provas e depois em supostas vacinas vencidas.

O primeiro caso foi do suposto pedido de propina em que colocou como manchete que o “governo” teria pedido 1 dólar por cada vacina de uma determinada marca, comprada de uma determinada empresa através de um determinado vendedor. A manchete e texto, em tom afirmativo, trazia falas de um vendedor brasileiro, de uma empresa americana que teria almoçado com um diretor do Ministério da Saúde. A matéria não traz nenhum tipo de prova, apenas o depoimento do entrevistado.

No fim das contas, a fabricante disse que a empresa não tem autorização para negociar sua vacina. A empresa disse que nunca negociou aquela determinada vacina e sequer apresentou alguma proposta para venda de qualquer outro imunizante. No depoimento, o tal vendedor além de não provar o que declarou em entrevista, ainda colocou um outro deputado denunciante na fogueira. O representante virou mentiroso, foi ameaçado de prisão e o assunto já morreu na grande mídia.

E as vacinas vencidas?

Para falar desse assunto, vou começar pelo título da matéria que foi veiculada aberta, para não assinantes, livre para todos os internautas. Quando ela foi lançada, no dia 02 de julho ás 12:25, tinha uma grande afirmativa que dizia:
 “Milhares no Brasil tomaram vacina vencida contra covid; veja se você é um deles”

Depois da matéria rodar o Brasil, centenas de veículos reproduzirem, tomar proporções gigantescas e as prefeituras começarem a desmentir, houve no dia seguinte (03), ás 8:26, uma atualização no título que mudava a afirmativa, para uma possibilidade.
“Registros indicam que milhares no Brasil tomaram vacina vencida contra Covid; veja se você é um deles”

Viram a diferença? Primeiro afirma como verdade, depois diz que “indicam”, dizendo que há possibilidades de ser verdade.

Eu nem vou entrar no mérito de ter colocado Maringá como destaque e vincular a cidade ao deputado Ricardo Barros, que hoje é líder do governo na Câmara, como se isso fosse um agravante.

No domingo, depois do furdunço todo acontecer, uma outra matéria foi publicada em tom opinativo, sem muito alarde e fechado só para assinantes, com o seguinte título:
“Estrutura de dados no Brasil não permite verificar se vacinas contra Covid vencidas foram aplicadas”

Inclusive com trechos que dizem que a “matéria da Folha induz a equívocos” e outra parte que diz que “não há elementos sólidos para afirmar que brasileiros tomaram vacinas vencidas”.

Ué? Mas não era certeza que tinham sido aplicadas? Com base em que o jornal fez tal afirmativa?

Dados

Numa legítima “continha em saco de pão”, os “pesquisadores” só cruzaram os dados no seco e afirmaram que era verdade. Sem apurar e investigar mais a fundo, digno de um jornalismo decente, a Folha de São Paulo soltou a matéria criando o caos na população que se desesperou com medo de ter tomado a vacina vencida.

Em Balneário Camboriú por ex, de acordo com os dados do site da Folha, apenas UMA pessoa teria tomado a vacina vencida. Essa informação por si só já é mentirosa, pois cada ampola de Astrazeneca tem conteúdo para 5 doses do imunizante. Buscando no sistema do Ministério da Saúde, os servidores identificaram quem teria sido essa pessoa e, pasmem, no sistema ela tomou as duas doses dias 30 de abril. Ao conferir o cartão, ela tomou a primeira dose do tal lote em março e a segunda em junho, de um lote diferente.

Mesmo sabendo que os quase 26 mil poderiam, no meio de 70 milhões, poderia ser simplesmente um erro nos dados, a Folha publicou a matéria mesmo assim.

Vencimentos

Com um pouco mais de responsabilidade, o site G1 publicou uma tabela com os lotes denunciados pela Folha, a data da sua distribuição e a data do vencimento.

Em média, o intervalo entre a distribuição e o vencimento é em torno de 3 meses, o que coloca na cola dos estados e municípios a responsabilidade, caso fosse verdade.


O lote com maior numero de doses supostamente vencidas, foi distribuído 3 meses antes do seu vencimento, fato este que dificulta aceitar como verdade.

Pesquisadores

Intitulado como “pesquisadores” de duas universidades paulistas no material distribuído pela FolhaPress, agência de notícias da Folha de São Paulo, Estevão Gamba e Sabrina Righetti são na verdade colunistas da folha de São Paulo e, frequentemente, publicam estudos com dados mirabolantes que colocam o Governo Federal em alguma enrascada.

Além dos estudos, nada tendenciosos, os colunistas Estevão e Sabrina também escrevem várias colunas opinativas e análises sobre política e pandemia.

Estevão estava desde o dia 7 de junho sem escrever nada. Antes disso teve três colunas em maio, duas em abril e uma em março.

Sabrina escreve com um pouco mais de frequência. Foram três em junho, cinco em maio,  três em abril e duas em março.

Estranho colunistas escreverem com tão pouca frequência.

O Caos

Já não chega um presidente que já faz bagunça bastante, um povo que é anti-vacina baseado no que o vizinho postou no Facebook, os “sommeliers” que querem escolher marca de imunizante e a dificuldade que a imprensa vive em alertar sobre a importância da imunização, vem a Folha de São Paulo piorar a situação.

Gerou um caos totalmente desnecessário, com o único intuito de fazer politicagem. Amedrontar uma nação para tentar atacar um político. Nós não precisamos disso!

Reproduzo aqui uma frase que está no site diariodocentrodomundo.com.br, que diz:
“A junção de um sistema de dados falho com um jornalismo não especializado em ciência, pode gerar grandes problemas. A reportagem da Folha é prova disso.”


Poucas e Boas – As o golpe baixo das “vacinas vencidas” da Folha de São Paulo
Por Gian Del Sent 

Fontes:
https://www1.folha.uol.com.br/autores/sabine-righetti.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/autores/estevao-gamba.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/07/estrutura-de-dados-no-brasil-nao-permite-verificar-se-vacinas-contra-covid-vencidas-foram-aplicadas.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/07/milhares-no-brasil-tomaram-vacina-vencida-contra-covid-veja-se-voce-e-um-deles.shtml