Catalisadores automotivos viram droga pelo mundo. Entenda

Uma nova droga derivada de filtros de escapamento esmagados está preocupando as autoridades no Congo. No momento, o país é palco de um crescimento expressivo do roubo das peças para a produção do “Bombé” – que significa “poderoso” na língua local.

Só no mês de agosto, a polícia local prendeu cerca de 100 pessoas – entre traficantes e usuários – na cidade de Kinshasa.

“Este fenômeno social exige responsabilidade coletiva de toda a nação”, disse o presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi.

Em uma reportagem da Reuters, usuários foram entrevistados. Para usar a droga – um pó marrom – eles a misturam com comprimidos amassados com a parte de trás de uma colher. A mistura se torna o chamado “Bombé”. Seu efeito pode fazer com que os usuários fiquem imóveis por horas ou durmam por dias.

“Costumávamos beber uísque muito forte… éramos inquietos e machucávamos as pessoas”, disse Cedrick, de 26 anos, líder de uma gangue.

“Mas o bombe te acalma, te cansa. Você fica em algum lugar de pé ou sentado por muito tempo. Quando terminar, vai para casa sem incomodar ninguém.”

O pó marrom é obtido a partir da trituração do núcleo cerâmico do ‘favo de mel’ dos catalisadores. Eles são misturados com pílulas de vitaminas e comprimidos para dormir, ou sedativos e até tabaco.

Ainda não se sabe como são os efeitos do uso a longo prazo. Especialistas alertam de que metais nos catalisadores podem causar câncer.