China recomenda cloroquina contra covid-19

Rio de Janeiro (RJ) 22/05/2020 METROPOLE - COMBATE A PANDEMIA DE CORONAVIRUS COVID-19 - EXERCITO PRODUZ REMEDIO CLOROQUINA / HIDROXICLOROQUINA - Após o surgimento de diversos casos da doença respiratória causada pelo coronavírus (COVID-19) na China, o governo brasileiro, preocupado com a proliferação do vírus, vem adotando medidas de preparação e orientação dos serviços de saúde e da população em todo o país. Considerando o atual cenário de aumento do número de casos de infecção pela COVID-19 em território nacional, combatendo a disseminação do novo vírus e focando na produção de possíveis medicamentos para o tratamento, ainda que permaneçam em fase de estudos para a comprovação de sua segurança e sua eficácia, o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx) intensificou a produção do medicamento Cloroquina 150 mg, apoiado pelo Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e pelo Laboratório Químico Farmacêutico da Aeronáutica (LAQFA). CREDITO LQFEx/MINISTERIO DA DEFESA

Nas novas diretrizes de tratamento e diagnóstico contra covid-19 publicada na quarta-feira, 19, a China rejeitou o uso de hidroxicloroquina para tratar a doença, mas recomendou a cloroquina, informa o jornal South China Morning Post.

Tradicionalmente usados contra malária, os dois medicamentos têm formulações diferentes, entretanto usam a mesma substância – cloroquina – e possuem benefícios clínicos parecidos. A hidroxicloroquina, no entanto, é comumente vista como mais segura por provocar menos efeitos colaterais.

“O uso da hidroxicloroquina, ou o uso em combinação com a azitromicina, não é recomendado”, publicou a Comissão Nacional de Saúde chinesa na primeira atualização das diretrizes contra o novo coronavírus desde 3 de março. Documentos anteriores não mencionavam o remédio. A publicação também acrescenta que a cloroquina pode continuar a ser administrada a pacientes da doença.

“Algumas drogas podem demonstrar algum grau de eficácia em estudos de observação clínica, mas não há antivirais efetivos confirmados por estudos duplo-cego e controlado por placebo”, afirma a comissão.

O cientista e médico Zhong Nanshan, responsável pela descoberta do coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (Sars) e referência em tratamento respiratório no País, é um defensor da cloroquina. Em maio, Nanshan publicou uma pesquisa revisada por pares na revista científica National Science, afirmando que em testes com 197 pacientes, o remédio pareceu ter benefícios contra a doença.

Entretanto, neste estudo, os resultados foram comparados com dados históricos de outros pacientes, ao invés da comparação com um grupo randomizado que recebeu placebo, método que é considerado o padrão de ouro para testes clínicos.

Especialista em medicina respiratória da Universidade Chinesa de Hong Kong, David Hui Shu-cheong disse que a cloroquina e a hidroxicloroquina são similares, o que torna as novas diretrizes contraditórias.

“Os dois medicamentos são iguais. Três organizações já abandonaram o uso da hidroxicloroquina. Essas incluem a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o estudo clínico britânico Recovery, já que testes mostraram que não há benefícios” afirmou Hui ao South China Morning Post.

A OMS descontinuou as pesquisas com a hidroxicloroquina em junho. No mesmo mês, a agência reguladora de drogas dos Estados Unidos, FDA, revogou a autorização para uso emergencial da cloroquina e da hidroxicloroquina.

No Brasil, o Ministério da Saúde liberou a administração do medicamento para pacientes de covid-19 leves e graves. Embora tenha admitido que não há comprovação científica dos benefícios, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) continua a defender o remédio no tratamento contra o novo coronavírus.

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