Crise na FECAM: Prefeitos deixam Conselho Executivo

Uma crise sem precedentes está pondo a Federação Catarinense de Municípios – FECAM em cheque desde o meio da semana passada. Após a demissão de 6 funcionários da área técnica (mais dois que deverão ser mandados embora quando voltarem das férias), na noite desta terça-feira 09, uma tensa reunião virtual do Conselho Executivo levou a Federação mais ao fundo, numa das maiores crises de sua história.

Até o momento, está confirmada a renúncia de pelo menos 6 prefeitos:

Conselho Executivo
Mario Hildebrandt – Blumenau
Milena Andersen Lopes – Vargem
Rudi Sander – São Carlo

Conselho Fiscal
Joares Ponticeli – Tubarão
Orvino – São José
Giovane Nunes – Sãp Joaquim

Os prefeitos de Blumenau, Mario Hildebrandt e a prefeita Milena Andersen Lopes, de Vargem, renunciaram as suas vice-presidências no Conselho durante a reunião, que segundo fontes do Portal Visse, foi tensa desde o início, durando mais de três horas.

Hildebrandt, ao anunciar sua renúncia, disse que considera que ele faz uma gestão de maneira diferenciada, não como a que está neste momento. O prefeito Rudi Sander, de São Carlos, também teria avisado ao seu partido a decisão da renúncia.

A polêmica tem base nas decisões monocráticas, sem embasamento e sem a anuência de todos. Além dos funcionários demitidos, os prefeitos estão contrariados com as mudanças bruscas nos prestadores de serviços da entidade. Para a prefeita Milena, o Conselho deve buscar consenso em suas decisões.

O fato é que o caldo político que se transformou a entidade nas mãos do prefeito de Araquari, Clenilton Pereira, está pondo em cheque a credibilidade na Federação. Mudanças na diretoria executiva, na calada da noite, com a saída inesperada de Dionei Silva e a entrada da ex-prefeita de São Cristóvão do Sul, Sisi Blind, causaram indignação. Outro fator é o do consultor de saúde, Jailson Lima da Silva, que é ex-prefeito de Rio do Sul e ex-deputado, e desde o fim de 2020 presta assessoria aos municípios na obtenção de vacinas Coronavac, também andou “metendo a colher” na gestão geral da FECAM, colocando apadrinhados e empresas “amigas” à frente da Federação.

Tudo isso, na última semana, gerou grande preocupação e desconforto das 21 associações de municípios, dos 295 municípios catarinenses e os mais de 50 consórcios públicos que recebem todos os dias, serviços prestados pela FECAM.

Sabotagem

Durante a reunião virtual, o agora coordenador geral da entidade, Dionei Silva, tentava entrar na sala virtual para participar da conversa, porém seu link foi derrubado por três vezes.

O diretor comentou que alguém que alega querer “transparência” em seus atos, não queria sua participação.

Desdobramentos

O caldo deve ferver ainda mais nesta quarta-feira, 10, com prefeitos anunciando nos bastidores suas renúncias nos conselhos da FECAM. Há a possiblidade que com mais prefeitos renunciando, a atual chapa de prefeitos seja derrubada, o que geraria uma nova eleição.

Outra expectativa é a anulação dos atos da atual diretoria, que traria de volta para os quadros técnicos, os funcionários demitidos. Haverá mais uma rodada de conversas neste dia e os bastidores começam a pegar fogo, com a manifestação de deputados estaduais e de prefeitos e ex-prefeitos que já presidiram a FECAM.

Pelo estado, crescem as manifestações de repúdio aos mandos e desmandos na Federação por parte da atual diretoria. Os cargos que foram demitidos, logo preenchidos por apadrinhados políticos, ainda não foram homologados no site da FECAM e as pessoas que estão trabalhando no lugar dos antigos colaboradores, estão lá sem essas nomeações. A coisa deve dar muito o que falar ainda nesta semana.

MPSC

Também nesta quarta-feira, o ex-diretor executivo, Dionei Silva, deverá se reunir com o Ministério Público de Santa Catarina. Junto com uma pequena comitiva de funcionários que foram demitidos. Ao promotor, Dionei deverá apresentar documentos que mostram irregularidades na demissão dos funcionários e nas decisões tomadas totalmente fora das normativas da FECAM.