Desumano: Pacientes com câncer enfrentam horas de fila para fazer quimioterapia em Itajaí

Pacientes com câncer, muitos deles idosos, enfrentam horas de fila do lado de fora do Hospital Marieta Konder Bornhausen, no Centro de Itajaí, para conseguir atendimento na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Além disso, o tempo de espera é em pé.

Na manhã desta sexta-feira (5), pacientes de 11 cidades passaram horas para aguardar a abertura da unidade e depois seguiram na espera até o início do tratamento de quimioterapia e consultas.

A fila é formada pelos pacientes e acompanhantes ainda na madrugada, já que o atendimento é feito por ordem de chegada. Segundo os pacientes, o portão da unidade ficava aberto, inclusive durante a noite, mas moradores de rua dormiam no local, o que provocou problemas para a unidade e a área onde tem bancos foi fechada.

O Unacon pertence ao Hospital Marieta Konder Bornhausen, mantido com recursos públicos. Os agendamentos de consultas e quimioterapias são feitos pelo governo.

“Como o serviço é ambulatorial, não é um serviço de livre demandam cimo um pronto atendimento, então o paciente chega às 7h. O serviço abre às 7h. Se disponibilizarmos a abertura do serviço antes, sem ter todos os profissionais necessários para um ambulatório, como médico, profissional de enfermagem, estaremos até colocando em risco esse paciente, porque ele vai estar ali aguardando mas não vai ter o suporte dos profissionais”, disse Henrique Gouveia, supervisor de Oncologia do hospital.

Ele disse que para melhorar seria necessária uma conscientização em relação aos horários de atendimento. “Podemos verificar um horário, até mesmo rever esse fluxo para melhor adequar a população. No entanto, eu posso abrir o serviço às 6h30. Mas se o transporte chega às 5h, esse paciente vai ficar aguardando na fila até as 6h30. Então ele vai aguardar do lado de fora”, disse.

Fila na manhã desta sexta-feira em Itajaí — Foto: Luiz Souza/ NSC TV

Fila na manhã desta sexta-feira em Itajaí — Foto: Luiz Souza/ NSC TV

Pacientes

Eulália, de 85 anos, tem câncer de pele na perna e aguardava na fila durante a manhã desta sexta-feira (5). Ela passou por cirurgia, fez um enxerto, por isso não poderia esperar de pé para fazer um curativo. “Isso acontece com frequência”, disse.

Santina, de 62 anos, faz quimioterapia no local. “Quanto mais cedo chega, mais cedo é atendido e mais cedo vai pra casa”, disse. “A minha quimio é às 7h. Até que eu tome todos os medicamentos, saio às 16h”, explica.

A paciente Sônia, que faz quimioterapia saiu de Luiz Alves às 5h30 para receber o atendimento. Ela disse que todos ficam expostos ao sereno e a chuva. “A gente tem a imunidade baixa, então qualquer gripe pode nos causar uma pneumonia e dificultar nosso problema”, afirma.

Isabel, que tem câncer no esôfago e por isso usa uma sonda, saiu de Navegantes para fazer o tratamento. “Ela está bem debilitada, não consegue se alimentar direito. Ela está muito fraca, nem pode ficar em pé desse jeito”, explicou a filha.

Fonte: Patrícia Silveira / NSC

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