Edital prevê estudo de nova rodovia alternativa à BR-101

O governo estadual lançou edital de contratação de estudo técnico para construção do corredor Rodoviário Litorâneo Norte, uma rodovia estadual que cruzará o interior de cidades do litoral e que servirá pra desafogar o trânsito na BR-101. Na região, o novo corredor passaria pelo Luiz Alves, Ilhota, Navegantes, Gaspar e Brusque, aproveitando o traçado já existente da SC-108.

A contratação do estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental é o primeiro passo pra implantação da futura rodovia no trecho entre Joinville até Biguaçu. “Será como uma segunda BR-101 neste trecho, já tão saturado. A medida irá auxiliar na mobilidade dos catarinenses, trazendo mais segurança para aqueles que trafegam na via, e vai facilitar o escoamento da produção”, comentou o governador Carlos Moisés.

As empresas têm até o dia 5 de julho pra apresentar propostas ao estado. O valor do edital tem limite de R$ 600 mil. Quem ganhar a concorrência com a melhor proposta terá seis meses para executar o estudo, identificando onde o novo corredor poderá passar, bem como a projeção de custos e prazos. A previsão é que o estudo seja apresentado no começo do ano que vem.

O novo corredor terá início no entroncamento da SC-108 com a BR-101, no distrito industrial de Joinville, seguindo até a BR-280 em Guaramirim. Depois prossegue por Massaranduba, Pomerode e Blumenau até encontrar a BR-470, entre Ilhota e Navegantes. A proposta é que o traçado siga pela rodovia Ivo Silveira, entre Gaspar e Brusque, continuando até São João Batista, no entroncamento com a SC-410, que liga Tijucas a Nova Trento.

No último trecho, a rodovia se juntaria com o contorno Viário da Grande Florianópolis, em Biguaçu, permitindo a conexão com a BR-101. O novo corredor terá cerca de 140 quilômetros. Após a conclusão e análise dos estudos técnicos, são previstas as etapas de projetos e os licenciamentos ambientais. As obras começariam a partir de 2023. A proposta é que, numa segunda etapa, o corredor se estenda até Praia Grande, já na divisa com o Rio Grande do Sul, cortando o interior em paralelo com a 101.

Escoamento de cargas

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico de Itajaí, Thiago Morastoni, o projeto será muito importante para a região, contribuindo para potencializar a economia. “Será uma relevante via para o escoamento das cargas movimentadas no nosso porto, além de interferir até mesmo no trânsito dentro das cidades, que vai melhorar com mais essa alternativa”, acredita.

Thiago analisa que a economia depende muito do transporte rodoviário. “Mas hoje nosso desenvolvimento está comprometido em virtude da falta de estrutura da BR-101, que está colapsada”, frisa.

Conforme informa o secretário, os cálculos dos urbanistas do município apontam que, se fossem executados todos os trevos e marginais necessários na BR-101, ela teria uma sobrevida até 2035 ou 2038, mas depois voltaria a colapsar.

“Então, para manter o crescimento da região, uma via paralela à BR 101 é extremamente necessária. Essa obra, se sair, vai nos dar uma sobrevida maior”, completa.

Obras para trevo de acesso a Itajaí

Uma das obras mais esperadas no trecho da BR-101 em Itajaí é a construção das alças de acesso no entroncamento com a rodovia Antônio Heil e a avenida Contorno Sul. O projeto está aprovado desde 2018. A prefeitura de Itajaí está ajudando o governo do estado a destravar as pendências para o início das obras, que só depende das desapropriações dos terrenos na entrada da cidade.

A última reunião sobre o projeto foi na semana passada, entre os prefeitos de Itajaí, Volnei Morastoni (MDB), e o de Brusque, Ari Vequi (MDB), com o secretário Estadual de Infraestrutura, Thiago Vieira. Com ao menos duas das áreas do entorno desapropriadas, as obras já poderiam começar em um dos lados da BR, anunciou o secretário. A empresa responsável já foi licitada.

O assessor especial do gabinete do prefeito, Auri Pavoni, diz que Itajaí apresentou o relatório socioeconômico para realocação de sete famílias que estão em locais a serem desapropriados e que não possuem documentos de propriedade. Equipes técnicas do estado e da prefeitura farão as negociações com os moradores.

As desapropriações também envolvem terrenos de empresas e serão bancadas pelo governo estadual. “O município deverá ser parceiro nas relocações dessas famílias, bem como estamos à disposição se for necessário alguma intervenção para agilizar alguma mudança das empresas ali instaladas”, destacou Auri.

O novo trevo prevê a construção de dois elevados, quatro alças de acesso e uma ponte na entrada de Itajaí, na Contorno Sul. “Essa é uma das principais obras de Itajaí e região, tanto no quesito mobilidade, como na questão econômica. Os custos de quem precisa passar por aquele local irão diminuir, bem como novas empresas irão se instalar em Itajaí e região”, acredita.

Diarinho