ESPERANÇA! SC pode vacinar em massa contra Covid-19 com tríplice viral

Vacina tríplice viral pode ser oferecida para população contra a Covid-19 – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/ND

Um estudo realizado por pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que indica a eficácia da vacina tríplice viral contra a Covid-19, será enviado ao governo do Estado com o intuito de promover uma campanha de vacinação em massa em Santa Catarina.

A pesquisa indica que o imunizante, oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde) desde 1992 no calendário de vacinação, reduz em 76% o número de internações hospitalares pela Covid-19.

A intenção é que a tríplice viral forneça uma imunização temporária e emergencial para o público dos grupos não prioritários, ainda sem previsão de receber doses das vacinas específicas.

“Alguma coisa tem que ser feita de diferente. Os jovens e adultos são os principais transmissores da doença, pois são os que mais circulam, e vai demorar para esse público ser imunizado”, diz o médico Edison Natal Fedrizzi, que coordena a pesquisa.

De acordo com o pesquisador, os estudos são realizados desde o ano passado, mas ainda não contava com o número suficiente de pacientes para resultados significantes.

Em fevereiro de 2021, portanto, o estudo teve sua primeira fase concluída com números animadores e confiáveis, de acordo com Fedrizzi.

“Vamos enviar um parecer para o Estado com os resultados. É uma análise interina, mas os números finais indicam que 76% do grupo que recebeu essa vacina não será internado em hospitais, e 53% das pessoas vacinadas que foram contaminadas com o vírus não desenvolveram nenhum tipo de sintoma.”

Os estudos irão continuar, garante o coordenador da pesquisa, mas os resultados obtidos até agora já apontam que uma vacinação em massa pode ajudar significativamente no combate à Covid-19.

“Hoje teremos uma reunião com a Prefeitura de Florianópolis para discutir sobre esses resultados. É o momento oportuno”, informa Edison Fedrizzi.

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde não informou mais detalhes sobre a reunião.

Dive aguarda os resultados

Procurada pela reportagem do ND+, a Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) informou, por meio de nota, que ainda aguarda o envio dos dados sobre a eficácia da tríplice viral.

“A Dive aguarda o envio dos resultados do estudo realizado pela UFSC, para compreender os benefícios do uso da vacina tríplice viral. No momento, essa vacina é utilizada no calendário de imunização de rotina, visando a proteção contra o sarampo, rubéola e caxumba”, diz a nota.

A pesquisa é realizada pelo Centro de Pesquisa no Hospital Universitário da UFSC e teve início em julho de 2020. Os cientistas realizaram análises estatísticas com os dados coletados até a segunda semana de janeiro deste ano.

Apoiam a pesquisa o Bio-Manguinhos, da FioCruz, a Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina), a SES (Secretaria Estadual de Saúde) e a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis.

Tríplice viral não substitui vacina específica

Vale ressaltar que a tríplice viral é uma opção de imunizante emergencial e temporário para a Covid-19, e não descarta a necessidade da vacina específica.

“A intenção não é substituir a vacina da Covid-19. Ela oferece os anticorpos necessários para combater o novo coronavírus, enquanto a tríplice viral é uma vacina mais genérica, que pode ser usada emergencialmente neste caso”, ressalta o pesquisador.

No entanto, visto que as vacinas da Covid-19 não foram testadas ainda em alguns públicos, como crianças e lactantes, a tríplice viral pode ser uma esperança.

“As crianças em geral receberam a tríplice viral há pouco tempo, e elas são o grupo que tem a melhor eficácia contra a Covid-19. Alguns estudos científicos indicam que esse pode ter sido o motivo”, diz Fedrizzi.

“Para lactantes, a tríplice viral comprovadamente não oferece perigos, e pode ser o caminho para imunização desse grupo também”, continua.

Já para as gestantes, ela é contra indicada, visto que grávidas não podem receber vacinas de vírus ou bactérias vivos. Neste caso, o mais indicado é aguardar testes oficiais das vacinas específicas da Covid-19, ressalta o pesquisador.

 

ND Online