Estagiário acusado por vereador de ser “falso medico” se manifesta

O estagiário da Secretaria de Inclusão Social que foi acusado pelo Vereador Nilson Probst de atuar ilegalmente como médico no município, entrou em contato com o Portal Visse para emitir uma nota de esclarecimento sobre o caso. (leia abaixo)

No dia da denúncia (07), a reportagem do Portal Visse entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura para pedir esclarecimento, mas naquele momento não havia uma posição oficial sobre o assunto. Até o momento, a prefeitura não enviou a reportagem uma nota oficial esclarecendo os fatos.

Segue a nota na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Tendo em vista a denúncia consubstanciada na data de 07 de julho do corrente ano, na Câmara de Vereadores da Comarca de Balneário Camboriu-SC, pelo vereador Nilson Probst, eu, JONATHAN HENRIQUE DA ROSA REYES, brasileiro, estudante de medicina, desejando prover a conservação e ressalva de meus direitos, bem como manifestar a intenção de modo formal e prevenir responsabilidade, venho a presença de Vossas Senhorias, tornar público os seguintes fatos:

De forma surpreendentemente negativa fui informado por inúmeras mensagens via aplicativo, redes sociais e até mesmo ligações telefônicas, que meu nome fora mencionado na sessão Ordinária ocorrida na Câmara de Vereadores, na data de 07 de Julho de 2020.

Para minha surpresa, fora apresentado pelo vereador acima mencionado, de maneira visivelmente sensacionalista, e absolutamente prejudicial, denúncia contra a Administração Pública, concernente os trabalhos realizados por voluntários em prol da prevenção e tratamento da pandemia mundial, que infelizmente tornou-se presente na nossa região no início do mês de março do corrente ano – COVID 19.

Diante tal situação, quando ocorria o isolamento absoluto, e os atendimentos hospitalares sem rumo, principalmente em obediência as notícias desencontradas, este signatário, sendo estudante de medicina há mais de um ano, em universidade estrangeira, estando nesta cidade em decorrência também da pandemia, pois não pôde retornar aos estudos, por estarem suspensos, apresentou-se a Administração Pública Municipal para ser voluntário no atendimento direto ao cidadão, passando a exercer a sua função em 22/03/2020 à 22/05/2020.

Assim sendo, ocorreu na sequência, pela Administração Municipal, a montagem de abrigos para servirem de atendimentos para cidadãos suspeitos de COVID, enfatizando-se que os voluntários receberam somente a estrutura do abrigo, pois tiveram que realizar a limpeza, higienização, organização, montagem das salas e etc.

Após o término da estrutura (abrigo) para atendimento ao cidadão, este signatário, juntamente com os demais, passou aos atendimentos, observando a necessidade de formulário para o recebimento das pessoas, para assim possuir informações de maneira organizada.

Vale enfatizar neste esclarecimento, já que se apontou fatos desabonadores a este signatário, que além de trabalhar como VOLUNTARIO, fora infectado pelo coronavirus, no mês de maio, permanecendo 14 (quatorze) dias afastado, sendo que assim que recuperado do vírus, teve que realizar três microcirurgias referentes a incisões dentárias, retomando o seu trabalho no dia seguinte a este procedimento.

Infelizmente, Vossas Senhorias, um estudante de medicina, que se voluntariou em prol da sociedade, é obrigado tornar toda a sua trajetória pública, em decorrência de uma estridente e sensacionalista acusação absolutamente pífia, sem base probatória alguma, e pior, citado passo a passo a fragilidade do “denunciante”, quando cita em sessão – 1ª foto = aparece este signatário auferindo a temperatura de um morador (prática executada até em entradas de academias e comércios) – 2ª foto = aparece este signatário com demais colegas voluntários, e o vídeo – que para o espetáculo do vereador, seria a cereja do bolo, aparece nada mais que o Prefeito Municipal elogiando e apresentando a equipe de voluntários responsáveis por aquele abrigo, chamando este signatário de doutor, o que lhe é até comum, simplesmente por cursar a faculdade de medicina.

Ainda, para completar o seu desconhecimento, verbaliza, em discussão com algum de seus colegas “ele até esta usando aquela coisa no pescoço” – ou seja, o estetoscópio, aparelho que qualquer estudante de medicina ou técnico de enfermagem se habitua e aprende a usar, até por ser algo absolutamente útil na medicina básica.

Ora, observa-se que falar, gritar, acusar é fácil, o que se lamenta, além da falta de postura, é a falta de provas, e principalmente, a situação em que se coloca a pessoa quando o seu nome é execrado de maneira caluniosa, como ocorreu no presente caso.

Vale também ressaltar, que o chamamento de estudantes de medicina para servirem como voluntários, não é uma particularidade da administração pública desta comarca, várias cidades e capitais do país assim o fizeram, cita-se como exemplo Curitiba-PR: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2020/03/17/estudantes-e-profissionais-da-saude-podem-ser-voluntarios-no-combate-ao-coronavirus-em-curitiba-veja-como-participar.ghtml:

No procedimento, que dura cerca de 15 à 20 minutos, os voluntários avaliam o paciente e verificam se os sintomas apresentados podem indicar um resultado positivo para a Covid-19.

Caso os sinais batam com a doença, a pessoa é encaminhada para realizar a coleta de material para ser examinado e testado se apresenta ou não o material genético do vírus, dando continuidade no tratamento.

Para ratificar tal procedimento, vide também matéria veiculada abaixo:
COVID-19: Estudantes da Saúde contam sobre atendimentos voluntários.

Desde segunda-feira, dia 23 de março, estudantes do curso de Medicina, Fisioterapia e Enfermagem da Unisul, passaram a atuar de forma voluntária em Unidades Básicas de Saúde para ajudar no atendimento de prevenção e combate ao COVID-19.

Os estudantes estão realizando atendimentos de triagem nos quadros respiratórios nas UBS, e também auxiliando na aplicação de vacinas e atendimentos no call center.

De acordo com o Dr. Rodrigo Dias Nunes, coordenador do curso de Medicina da Unisul, os alunos realizam as triagens e os quadros respiratórios mais graves são encaminhados aos centros de referência.  
http://hoje.unisul.br/covid-19-estudantes-da-saude-contam-sobre-atendimentos-voluntarios/

Conforme se observa pelas notícias veiculadas no país inteiro, está-se diante de intensa atividade voluntária de estudantes da área de saúde, pois é público e notório que vivemos uma situação extremamente delicada, e todos os esforços não devem ser medidos em prol do cidadão, esse é o entendimento deste signatário, estudante de medicina, o que parece não ser compreendido, lamentavelmente, por quem foi eleito para representar o próprio cidadão.
Portanto, diante o exposto, este signatário – JONATHAN HENRIQUE DA ROSA REYES, esclarece que a denúncia veiculada pelo vereador Nilson Probst, de forma absolutamente leviana, não procede, pelo contrário, traz a baila calúnia e difamação, pois este signatário jamais se autodenominou médico, e principalmente perante a Administração pública, da qual possui todo e qualquer contato devidamente registrado e documentado, onde sempre teve a sua qualificação  devidamente conhecida por todos os responsáveis.

Lamenta-se profundamente que um estudante de medicina, exercendo um simples voluntariado, seja vítima da politização da pandemia, que muito se ouve na mídia, e pior ainda, quando se percebe que tal iniciativa, de absoluto oportunismo e má-fé, esteja tão perto dos cidadãos Balnocamboriuenses.
  
Balneário Camboriú-SC, 08 de julho de 2020.

JONATHAN HENRIQUE DA ROSA REYES

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