Estrutura da Green Valley desabou durante vendaval

boate de música eletrônica Green Valley, em Camboriú, foi destruída com as fortes tempestades e rajadas de vento provocadas pelo “ciclone bomba” que atingiu o Sul do país. A estrutura principal do espaço, feita de pilares de aço e lonas, ficou completamente retorcida no chão deixando o espaço irreconhecível.

No momento do acidente, Eduardo Philipps, um dos sócios da empresa, estava no local. Foi ele que tomou as providências emergenciais. Ninguém ficou ferido. O levantamento dos estragos materiais ainda está sendo calculado.
“Nos sentimos impotentes diante de um efeito climático como este. Inauguramos nossa nova tenda no final do ano passado, seguindo todas as medidas de segurança possíveis. Mas contra a natureza ninguém consegue ir, e acabamos sendo mais uma vítima dentre as muitas em Santa Catarina”, lamentou Philipps.
A casa noturna trouxe grandes nomes da música eletrônica internacional ao Brasil Foto: Reprodução
A casa noturna trouxe grandes nomes da música eletrônica internacional ao Brasil Foto: Reprodução

Eleito cinco vezes como “o melhor club do mundo” pela revista britânica especializada DJ Mag, o lugar é cercado por natureza e tem capacidade para receber até 12 mil pessoas em uma só noite. O espaço tem mais de 10 mil metros quadrados de área e conta com lagos, três pistas de dança, camarotes, bares, loja e até uma praça de alimentação. A pista principal, com formato de tenda, foi a mais afetada pelos ventos.

O Green Valley já estava fechado desde o dia 14 de março, antes mesmo do decreto estadual que proíbe aglomerações para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Segundo o proprietário da casa, o setor de eventos já vivia uma momento muito delicado.

“O Green Valley mexe muito com o setor econômico de Camboriú, Santa Catarina, e até mesmo do Brasil. Movimentamos o turismo, a rede hoteleira, os empregos na alta e baixa temporada”, contou.

Na foto o Green Valley em funcionamento, com as tendas na posição original Foto: Reprodução
Na foto o Green Valley em funcionamento, com as tendas na posição original Foto: Reprodução

Em funcionamento desde novembro de 2007, a boate se tornou referência na cena eletrônica e consolidou a região do litoral de Santa Catarina como um dos principais destinos para os fãs desse tipo de música, junto de ícones como Ibiza, na Espanha, e Londres, na Inglaterra. DJs brasileiros como Alok e Vintage Culture tocaram no local diversas vezes, e nomes internacionais como Carl Cox, Avicii, Martin Garrix, Calvin Harris e David Guetta também já passaram por lá.

Nas redes sociais, vários artistas lamentaram o ocorrido. Entre eles, o DJ brasileiro Lukas Ruiz, conhecido como Vintage Culture, afirmou que o acidente marca um dia triste na história da música eletrônica.

“Esse clube foi e é uma lenda, talvez nem existisse Vintage Culture se não houvesse Green Valley. Só sei que subimos juntos e eu vou querer estar e ser o primeiro a subir nesse palco de novo, pra levantar esse clube mais uma vez”, afirmou. Já Alok descreveu o lugar como “mágico” e que transformou sua vida. “Essa tempestade não apaga as lindas histórias que foram eternizadas durante todos esses anos no clube número 1 do mundo”, escreveu.

Na Europa, o DJ holandês Nicky Romero também postou uma mensagem de apoio à boate e aos fãs brasileiros. “Estou triste de verdade com as notícias do que aconteceu na região sul do Brasil, especialmente em Camboriú e com a querida Green Valley. Gostaria de mostrar todo meu apoio pois sinto o mesmo que os atingidos por esse desastre”, declarou.

Um dos shows do DJ brasileiro Alok no Green Valley Foto: Reprodução
Um dos shows do DJ brasileiro Alok no Green Valley Foto: Reprodução

Segundo o proprietário da casa, Eduardo Philipps, em breve será divulgada uma maneira de os fãs e apoiadores ajudarem em um mutirão para reconstrução do espaço. “Chegamos até aqui com muito esforço, muita garra e com muito amor, e será essa mesma garra e esse mesmo amor que nos darão forças para reconstruir e seguir em frente”, finalizou.

O fenômeno natural  que atingiu o Sul do país já deixou ao menos dez mortos em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O termo “ciclone bomba” é usado para descrever os ciclones que se formam após uma rápida queda da pressão atmosférica em um curto período de tempo.

Por Época

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