Estudo encontra resíduos de agrotóxicos na água de 22 municípios de SC

Um estudo feito a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) encontrou resíduos de agrotóxicos em amostras de água do abastecimento público de 22 municípios do estado. Foram achadas até substâncias banidas na União Europeia. O estudo contemplou 100 coletas em 90 cidades catarinenses.

A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) diz em nota que “nenhuma amostra de água coletada na saída de suas estações de tratamento, em todo o Estado de Santa Catarina, apresenta qualquer inconformidade. Todas as amostras coletadas atendem à Consolidação Número 5 do Ministério da Saúde, portaria que define os padrões de potabilidade da água. Sendo assim, a Companhia reitera que a água distribuída nos municípios do Sistema Casan está completamente dentro dos níveis de potabilidade exigidos”.

A coleta e análise das amostras foi feita entre março e outubro de 2018. O parecer técnico foi feito pela professora Sonia Corina Hess, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela explicou que as amostras foram coletadas pelo MPSC, que mandou os resultados para que ela fizesse a análise.

Sobre os resultados, ela afirmou que “substância tóxica na água é óbvio que vai ser perigoso” e que “limites seguros são muito relativos”.

No total, foram achadas nas amostras sete substâncias banidas na União Europeia (UE). Em 13 dos 22 municípios, foram encontrados resíduos de mais de um agrotóxico.

Segundo o relatório, um dos achados que mais chamou a atenção foi o caso de Coronel Freitas, no Oeste, cuja água é obtida de um manancial subterrâneo. No município, foram encontrados resíduos de dois agrotóxicos que tiveram usado proibido na UE desde 2004 por causa dos danos à saúde humana.

Foram encontrados resíduos de agrotóxicos nos municípios de:

Resíduos de agrotóxicos encontrados em amostras de água de cidades de SC

São banidos na União Europeia os agrotóxicos:

  • atrazina – herbicida
  • bromopropilato – contra ácaros
  • metolacloro – herbicida
  • permetrina – inseticida
  • propargite – contra ácaros
  • propiconazol – fungicida
  • simazina – herbicida

Além desses, foram encontrados nas amostras resíduos dos seguintes agrotóxicos:

  • bifentrina – inseticida
  • 2,4-D – herbicida
  • lambda-cialotrina – inseticida
  • ciproconazol – fungicida
  • diurom – herbicida
  • etofenproxi – inseticida
  • imidacloprido – inseticida
  • metalaxil-M – fungicida
  • tebuconazol – fungicida
  • tiamexotam – inseticida
  • triflumurom – inseticida

Risco

Mesmo assim, conforme o parecer, todas as concentrações dos agrotóxicos encontradas estão abaixo dos limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Porém, pela conclusão do estudo, “os dados apresentados indicam que, nos 22 municípios em que foram encontrados agrotóxicos nas águas de abastecimento, essa contaminação repercute em riscos à saúde dos consumidores, uma vez que possivelmente há outros agrotóxicos e poluentes presentes interagindo com os poluentes aferidos e que não foram abordados nas análises, com efeitos imprevisíveis sobre a saúde da população exposta”.

A professora também sugere na conclusão que novas amostras sejam feitas, dessa vez em todos os municípios do estado.

Ao G1, Hess disse que “a má notícia é que onde foi encontrado realmente existe. Onde não foi, possivelmente tem, mas naquele dia da coleta não teve. Mas se coletar mais vezes por ano, grande parte das cidades poderão encontrar”.

Para evitar o problema da contaminação da água, a professora sugere três medidas: a melhora do saneamento básico, evitar o uso de agrotóxicos e proibir no Brasil os produtos que já são banidos na União Europeia.

Nas cidades onde foram encontrados os resíduos de agrotóxicos, a professora sugere que sejam feitos estudos técnicos para investigar as fontes de contaminação e um planejamento para minimizar os efeitos à saúde da população.