“Existe indústria de infrações, não da multa”, afirma especialista em trânsito

A estatística de infrações de trânsito em Santa Catarina (e no Brasil) não reflete o comportamento dos motoristas. Pela média de agentes de trânsito em relação ao montante de condutores no país, enquanto um está sendo autuado, ao menos 999 estão circulando, passíveis de cometer alguma irregularidade, livres de observação da fiscalização. O alerta é da especialista em trânsito Márcia Pontes, em entrevista ao Estúdio CBN Diário desta quinta-feira (16).

Márcia refuta a teste de “indústria da multa”, sustentada por alguns políticos e condutores.

— Não existe indústria da multa. Existe indústria de infrações. Eu não me preocupo com radar, pois ando na velocidade permitida. As pessoas, por causa da corrupção, querem justificar um erro com outro.

A infração mais cometida é o excesso de velocidade. Conforme o Denatran, em 2019 foram registradas 584.228 multas por acelerar além do permitido em até 20% em Santa Catarina. Número 9,7% menor do que 2018, mas ainda muito superior à segunda infração mais comum: o estacionamento irregular. Foram 200,1 mil casos contabilizados, com um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

A redução, no entanto, não sinaliza um comportamento menos apressado e mais prudente dos motoristas, afirma Márcia Pontes.

— A queda foi no período de suspensão do uso de radares. Então, muitos motoristas deixaram de ser autuados porque não foram flagrados.

Ouça a entrevista de Márcia Costa ao Estúdio CBN Diário:

 O número de motoristas autuados por não realizar a transferência do veículo remete, para Márcia Pontes, a outro hábito brasileiro: deixar para encaminhar o processo nos últimos dias. Como há necessidade de procedimentos como vistoria e auditoria administrativa no Dentran, o documento nao fica pronto a tempo, e o condutor é multado.

Por Renato Igor

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