Família catarinense pede ajuda para pagar UTI de bebê que não teve vaga no SUS

“Tornar-se mãe de UTI não é desejo para nenhuma mãe. Muito menos opção. Sabe aquele momento em que a sua única opção é ser forte? Então, o momento é esse. Esqueça a fragilidade do resguardo, dos sentimentos delicados, da calmaria do pós-parto com um bebê nos braços e a curtição dos primeiros momentos. Sua vida será invadida por medo, insegurança, dor, desespero… e você ainda terá que ser forte”.

O desabafo na rede social é de Jéssica Cristina Caldart, de 28 anos. No dia 4 de dezembro ela saiu de casa, em Guabiruba, ansiosa para ter nos braços o segundo filho após um pré-natal tranquilo, mas com diagnóstico de Covid-19 no final da gestação. Assim que veio ao mundo, ainda na sala de cirurgia do Hospital Dom Joaquim, em Brusque, o pequeno Luan teve um problema de oxigenação e precisou de uma UTI.

Sem condições financeiras, a família esperava poder ser atendida pelo sistema público de saúde, mas todos os 20 leitos de UTI neonatal do Vale do Itajaí estavam ocupados.

“A pediatra falou que o bebê não estava respondendo, estava no oxigênio e ia precisar de uma vaga de UTI rápido, mas em Brusque não tem UTI neonatal pública. Ela disse que o Hospital Imigrantes tem e que é muito caro, que poderia tentar no SUS, mas avisou que estava bem cheio e poderia demorar, só que o Luan não podia esperar”, conta o pai do recém-nascido, Daividi Masson Caldart.

Preocupada com a vida do caçula, a família não pensou duas vezes e levou o menino para a rede privada. Com diárias de R$ 8 mil na UTI – sem contar exames -, a conta cresceu rapidamente. Desde o parto já são cerca de R$ 55 mil em tratamento médico para o pequeno. Sem saber como garantir a internação por mais tempo, o menino entrou no dia 8 na fila do SUS, mas sem sucesso.

“No Imigrantes me pediram R$15 mil de entrada. Eu liguei para o meu patrão e ele fez um adiantamento. Aí veio outro problema: Brusque não tem UTI Móvel. Aí tivemos que chamar uma ambulância de Blumenau que me custou R$ 2,7 mil. Tinha que pagar na hora e passei no cartão da minha sogra” relata Daividi.

Adiantamento de salários na empresa e empréstimo no banco se tornaram o caminho para honrar o compromisso com o hospital e garantir a continuidade do tratamento. Daí surgiu a ideia da campanha Ajude o Luan, uma vaquinha online para que a família do menino consiga arcar com as despesas assumidas. Até esta quinta-feira (10), a mobilização na internet conseguiu arrecadar R$ 21,4 mil.

ACESSE: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-o-luan-ivanir-masson 

“Como eu vi que começou a demorar o tratamento, na terça-feira (8) eu pedi transferência dele pelo SUS, porque não tinha como pagar. Só que para ver como está a nossa rede, até hoje, quinta (10), não obtive resposta. Tu imagina se iam conseguir internar no dia que ele passou mal?”, questiona o pai.

Ocupação dos leitos públicos de UTI neonatal é alta

Logo após a entrevista de Daividi ao Grupo ND, o pequeno Luan teve alta da UTI e conseguiu transferência para um leito de tratamento semi-intensivo, agora na rede pública de saúde. O choro de alívio do pai não foi contido. É um sinal de que o caçula está melhorando, enquanto a família batalha para conseguir pagar as contas que ficaram para salvá-lo.

“Foi muito difícil, mas só tenho a agradecer as pessoas. É nesses horas que vejo que o mundo ainda tem jeito”, fala emocionado o pai de Luan.

Segundo dados do governo de Santa Catarina e atualizados diariamente na internet, são 189 leitos públicos de UTI neonatal no Estado. Destes, nesta quinta-feira (10), 139 estavam ocupados. No Médio Vale do Itajaí, região onde está o pequeno Luan, não há nenhuma vaga disponível. É a localidade com situação mais crítica no território catarinense.

A reportagem do ND+ procurou o governo do Estado, responsável pela regulação dos leitos públicos de UTI, para questionar o que ocorreu no caso do menino. Porém, até o fechamento dessa reportagem não houve retorno.

Médicos investigam doença de Luan

A família conta que o pré-natal Jéssica correu tranquilamente, mas nas últimas semanas de gestação ela foi diagnosticada com Covid-19, embora não tenha apresentado sintomas da doença.

Segundo o marido, na última consulta antes de marcar a cesárea, o exame ainda mostrava o vírus na esposa. Porém, como o quadro geral de saúde dela era bom, o médico liberou o agendamento do parto.

O teste feito no bebê deu negativo para infecção pelo novo coronavírus. O menino saiu da intubação na quarta-feira (9). Exames apontaram anemia e hipoglicemia. Os médicos ainda tentam descobrir qual a origem do problema de saúde do pequeno.