Farofada no TJ’s: Música, galera animada e comilança na areia

 

Cerca de 400 pessoas, de todas as idades, foram farofar e berrar contra o preconceito de dono de bar que xingou e perseguiu uma frequentadora da praia

Maikeli Alves
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O protesto ‘Farofada no TJ’ teve de tudo. Gente animada, música, farofa, frango assado, churrasquinho, caipirinha e muitos isopores com bebidas. O povão começou a chegar na Praia Brava, em frente ao bar TJ’s, na avenida José Medeiros Vieira, por volta das nove de sábado. Cada um trouxe seu kit farofa e foi montando a estrutura na areia. Por volta das 13h, já tinha mais de 300 pessoas aproveitando a praia – e mais gente vinha chegando.
O evento foi criado no Facebook depois que o empresário Tim Jones, 50 anos, dono do TJ’s Beach House, xingou e perseguiu nas redes sociais a cliente Mariana Bressani por ela contar que foi expulsa por um garçom por ter tentado usar o guarda-sol do bar.

Povão tomou a praia
O empresário Alessandro Doca, 43 anos, foi um dos primeiros a chegar no local junto com quatro amigos.
Para curtir o sábado compraram um barril de chope e se instalaram na praia. “A gente sempre vai pra praia assim, somos verdadeiros farofeiros”, discursa. Para ele, a polêmica tem o objetivo de educar o dono do bar a nunca mais tratar os clientes mal.
Outro grupo que se instalou na areia da Brava logo cedo, disse que tava indignado com a atitude de Tim Jones. Por isso, trouxe de tudo: farofa, frango, refrigerante, rosca de polvilho e pipoca. “Não é justo o que ele fez, a praia é pública e a partir do momento que coloca cadeira na praia não pode proibir de sentar”, afirma Enezita Adriana Cé, 48, que veio com a família para a praia.
O estudante Lucas Lima, 22, que organizou o evento no Face, conta que ficou surpreso com a repercussão da manifestação. Amigo de Mariana nas redes sociais, ele explica que decidiu criar a ‘Farofada no TJ’ porque o dono do bar já tinha sido grosseiro com ele na internet em função de uma opinião política. “Todo lugar público é da população e não se deve julgar alguém pela raça ou classe social, todo mundo é igual”, analisa.
O dono do bar Tim Jones não recebeu o DIARINHO no sábado para comentar o assunto. Em nota de esclarecimento postada no Facebook, disse que toda manifestação pacífica é bem-vinda, se desculpou pelo ocorrido e falou que o TJ’s estaria de portas abertas sábado. Mas não foi bem assim. Durante o protesto, o portão do bar ficou fechado. Um funcionário posicionado no portão de entrada avaliava quem podia ou não entrar no bar.
Mariana Bessani e as amigas que foram xingadas por Tim não apareceram na ação e disseram que não tinham participado da organização. O grupo não quis conversar com a reportagem e o advogado delas não atendeu as ligações.

Confira as fotos da cobertura colaborativa do Portal Visse?

Lotear a praia é proibido
Deixar cadeiras na praia pro povão usar não é nenhum favor dos bares e restaurantes. Uma instrução normativa da fundação Municipal do Meio Ambiente (Famai) permite que os comerciantes instalem cadeiras e guarda-sóis na areia antecipadamente. Mas, se o fizerem, não podem cobrar nem exigir nenhuma forma de consumo por parte dos frequentadores da praia.
A instrução, que é resultado de um acordo com o ministério Público, surgiu depois que muitos comerciantes estavam loteando a areia, como se a praia, que é pública, fosse propriedade do bar deles.

Ambulantes aproveitaram pra lucrar
Enquanto o TJ’s tinha recebido poucos clientes ao longo da manhã e um garçom chegou a reclamar que podiam estar faturando mais, quem se deu bem foram os vendedores ambulantes.
Tinha gente fazendo grana vendendo sanduíche, açaí, cerveja, água, chope, marmita e mais um monte de coisas.
A paranaense Angélica Luíza Camargo, 25 anos, trouxe um isopor cheio de sacolés feitos com caipirinha para descolar uma grana. “Estou na cidade há duas semanas e quando fiquei sabendo do evento resolvi participar e trazer os sacolés. Acho que a população mais pobre já é privada de tantas coisas que tem direito de usar o que é público”, avalia.
A professora de veganismo Karolina Garcez, 30, foi outra que aproveitou o evento para faturar. Com um carrinho com ‘comida saudável’, ela estava vendendo frango com farofa e maionese, açaí e outros alimentos. “A causa é que a praia é nossa, mas a gente trouxe a ideia de que também dá para ter uma alimentação saudável na praia”, comenta.

Pra comprar cerveja
Já o analista de comunicação Paulo Eduardo Catelani, 32, resolveu fazer queijadinhas para conseguir a grana da cerveja. Segundo ele, a intenção não era faturar muito, apenas conseguir um dinheiro extra para aproveitar a farofada. “Quem gosta de doce vai querer aproveitar quando for saindo da praia”, apostava.

Também teve uma ação social
Durante a farofada um grupo organizou uma ação social para arrecadar donativos e dinheiro para ajudar duas famílias. Conforme o consultor técnico comercial, André Krakerker, 29, a intenção era reverter uma situação ruim em algo bom. “Essa ação é para mostrar que o povo da farofa também é solidário”, explica. André relata que o TJ’s apoiou a causa.
Uma das mulheres beneficiadas é Francielle Costa Oliveira, 33 anos, que ficou paraplégica após ser baleada em Itajaí. O marido e uma das filhas foram assassinados e agora ela precisa de ajuda para cuidar dos cinco filhos menores de idade. Para ajudá-la, o grupo estava arrecadando, com um caminhão, diversos mantimentos e fraldas.
A outra moça que seria beneficiada pelo evento é Suzanny, que tem câncer no cérebro. Parentes e amigos estavam vendendo farofa, água, cerveja e outros produtos para arrecadar dinheiro para custear o tratamento.

Carne, farofa, linguincinha, refri e chope na beira da praia
Durante o #somostodosfarofeiros teve aqueles que levaram até churrasqueira para a praia. O casal Everson e Isabel Leite, 35 e 34 anos, de Itajaí, montou uma super churrasqueira na beira da praia para assar espetinhos de coração, linguiça e carne. Eles trouxeram também pão e bebidas para acompanhar. “Só faltou a farofa”, brinca Isabel.
O casal achou errada a atitude do dono do bar ao se negar a vender comida só porque as meninas estavam com uma caixa térmica com bebidas. “Além do mais aqui é tudo muito caro, colocam 200% em cima do valor, tem que trazer mesmo”, incentiva Everson.
Quem também montou uma churrasqueira na praia foram as amigas Ana Paula Nath, 44, Vanessa Silva, 34, Marlene Nunes, 35, Rosane Alves Vieira, 39, e Cláudia Veríssimo, 46. O grupo veio de Itapema e Florianópolis especialmente para participar da farofada.
O churras das meninas teve linguiça, espetinho de carne, creme de alho, pão, cerveja e uma batida. “Pra um comerciante fazer isso [ser mal educado] significa que o cliente não está em primeiro lugar. O boca a boca é forte e ele foi muito infeliz nas colocações, não vai aguentar muitas temporadas desse jeito”, opina Cláudia.
Emílio Rogério Viera, 74, entende bem a situação. Ele é dono de um bar na Praia Brava, mas se considera farofeiro. “Sempre trago meu isopor, cerveja e as coisas para fazer uma caipirinha”, observa.
Para seu Emílio, a praia é de todos e os comerciantes tem que dar graças a Deus que os turistas e moradores estão frequentando. “Ninguém manda na praia e todos têm o direito de trazer o que quiser, claro que sempre levando a sujeira embora depois”, completa.

Perseguição na rede motivou protesto
A polêmica envolvendo o TJ’s começou depois da cliente Mariana Bressani postar no Facebook uma reclamação contra o estabelecimento e ser xingada e perseguida nas redes sociais pelo dono do bar, Tim Jones.
Ela e outras cinco amigas foram até a Praia Brava e pediram para usar um guarda-sol instalado logo cedo na praia. O grupo levava um isopor com bebidas e disse que queria comer alguma coisa. Mas um dos garçons as mandou embora, grosseiramente.
Mariana então publicou a reclamação no Face e a resposta de Tim Jones repercutiu logo em seguida nas redes sociais. O empresário xingou a moça de “chinelona”, “escrota”, “farofeira”, “jacu” e sugeriu que ela “voltasse para o mato”.
Também rolou uma postagem de Tim que pode indicar preconceito racial. “Tua turminha de praia”, escreveu ele em uma foto endereçada à Mariana, onde aparecem cinco rapazes negros curtindo uma praia.
As ações de Tim Jones revoltaram a galera. O caso bombou na internet e um evento foi criado para protestar pelo ocorrido. Ao todo, foram 15 mil confirmações, quase oito mil interessados e um alcance de cerca de 450 mil pessoas.
Mariana não está falando com a imprensa, mas já adiantou que pretende processar o empresário Tim Jones.
O comerciante já se desculpou nas redes sociais, mas insiste em afirmar que só permite o uso apetrechos que ele coloca na areia da praia quem for cliente dele.

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