Google reúne esforços para combater desinformação durante a pandemia de COVID-19

Por Marco Tulio Pires, coordenador do Google News Lab no Brasil

A internet se consolidou como um bem indispensável para toda a sociedade. Por meio dela e da existência de plataformas abertas, pessoas no mundo inteiro podem se comunicar, expressar ideias e ter acesso a um conjunto de informações úteis e relevantes, em uma escala sem precedentes e, assim, tomar decisões melhores para o seu dia a dia. Durante a pandemia de COVID-19, o acesso a informações precisas e de qualidade é fundamental para a saúde e bem-estar de todos.

O mesmo pode ser dito sobre a importância do combate a quem se vale do caráter aberto da internet para propagar conteúdos que buscam apenas enganar e desinformar. O enfrentamento desse problema depende da participação de toda a sociedade. Guiados pela missão de organizar as informações do mundo todo e torná-las universalmente acessíveis e úteis, estamos trabalhando em diversas frentes para combater a desinformação e trazer conteúdo de qualidade para nossos usuários em meio à pandemia. Nossos esforços têm três objetivos principais:
  • Conectar os usuários com informações úteis, confiáveis e de qualidade;
  • Proteger os usuários da desinformação em nossas plataformas;
  • Apoiar o trabalho de terceiros (autoridades sanitárias, jornalistas e verificadores de fatos) que também lutam contra a desinformação.
 
Ajudando os usuários a encontrar informações úteis, confiáveis e de qualidade
Em nossa página de busca, para que os nossos usuários encontrem resultados relevantes, lançamos uma experiência organizada que permite acesso direto às notícias principais e vídeos sobre a COVID-19, detalhes sobre sintomas, tratamento e prevenção e visualização de um mapa com as áreas mais afetadas. Também desenvolvemos um alerta automático com link para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades locais de saúde e lançamos um microsite localizado com informações e recursos (google.com/COVID19).
Na página inicial do YouTube, estamos exibindo painéis informativos que direcionam o usuário para o site da OMS. Esses painéis também aparecem quando um usuário faz uma busca relacionada ao coronavírus e, desde que foram implementados, já receberam mais de 20 bilhões de impressões em todo o mundo. Também criamos uma prateleira com as últimas notícias sobre a COVID-19, que destaca, na experiência do usuário com a plataforma, conteúdo de fontes oficiais e de jornalismo profissional, ajudando as pessoas a se manterem informadas. Como resultado, apenas no Brasil o consumo de conteúdo jornalístico no YouTube cresceu 75% no primeiro trimestre de 2020.
Outra frente de atuação do YouTube é a remoção rápida de conteúdo sobre a doença que viola nossas políticas. Desde fevereiro, já eliminamos da plataforma milhares de vídeos que continham conteúdo enganoso sobre tratamento médico, prevenção, diagnóstico e transmissão da doença, contrariando a OMS ou as informações médicas das autoridades locais de saúde. Também implementamos uma política específica sobre informações médicas incorretas relacionadas ao COVID-19 para guiar ajudar nossos revisores e sistemas a identificar esse tipo de conteúdo prejudicial. Esse é um trabalho contínuo e apenas no último trimestre de 2019 cerca de 5,8 milhões de vídeos foram retirados do YouTube, 90% identificado de forma automática com o uso da nossa tecnologia. Outra medida foi promover campanhas com criadores do mundo todo para levar conteúdo de qualidade ao público. No Brasil, a campanha #FiqueEmCasa #Comigo tem mobilizado milhares de criadores para levar informaçãoeducaçãobem-estar e entretenimento aos usuários da plataforma.
No Google Maps, oferecemos informações atualizadas constantemente sobre os negócios no Brasil (se estão abertos, fechados temporariamente ou com novos horários de funcionamento). No Google Play, priorizamos a revisão de aplicativos publicados, encaminhados ou autorizados por entidades oficiais do governo, como o CAIXA Auxílio Emergencial e o Coronavírus – SUS, e de organizações de saúde pública, como o aplicativo da OMS. Lançamos uma página, Coronavírus – Fique Informado” na Play Store, com aplicativos que podem ajudar os usuários a se manterem preparados durante a crise.
No Google Notícias, criamos uma página que reúne as últimas notícias sobre a pandemia geradas por fontes confiáveis. Além disso, no Google Assistente, lançamos um resumo de notícias sobre a COVID-19 que qualquer pessoa pode acessar do seu smartphone Android, caixas de som inteligente ou pelo app do Google Assistente para iOS, dizendo “Ok Google, ouvir as notícias sobre coronavírus” ou “Ok Google, reproduza as notícias da COVID-19”.
Detectando e eliminando informações incorretas relacionadas à COVID-19
No YouTube, as políticas da comunidade proíbem conteúdos que incentivem atividades ilegais ou perigosas que levam a danos físicos graves ou morte. Isso inclui certos tipos de informações médicas incorretas sobre a COVID-19. Proibimos, por exemplo, conteúdo que desestimule alguém a procurar tratamento médico ou encoraje o uso de remédios ou curas para o tratamento da COVID-19. Também não permitimos vídeos que neguem a existência do vírus ou que as pessoas não morrem em decorrência dessa doença. Além disso, continuamos o trabalho iniciado em 2019 para reduzir as recomendações de vídeos que poderiam desinformar os usuários.
No Google Adstrabalhamos para proteger nossos usuários de propagandas que buscam tirar vantagem da atual crise. Ao longo dos últimos meses, bloqueamos e retiramos no ar dezenas de milhões de anúncios relacionados ao novo coronavírus por violar nossas políticas, como preços abusivos, tirar proveito da escassez global de equipamentos médicos, fazer afirmações enganosas sobre supostas curas e oferecer seguro-desemprego inexistente. Além disso, trabalhamos também para permitir que anunciantes confiáveis de diferentes setores compartilhem novidades relevantes com suas audiências. Nas últimas semanas, por exemplo, ajudamos ONGs, governos, hospitais e planos de saúde a fazerem comunicados de interesse público. Seguimos adotando uma abordagem cuidadosa, ajustando a aplicação das nossas políticas de modo a garantir a proteção dos usuários e priorizando informações importantes vindas de anunciantes confiáveis. Você pode encontrar mais informações na nossa Central de Ajuda do Google Ads.
No Google Play, a loja de aplicativos do Google para smartphones Android, estamos analisando os aplicativos com informações relacionadas à COVID-19 com mais cautela, para ter certeza de que apenas os oficiais do Governo, de instituições públicas de saúde ou autorizados por um dos dois tragam informações e dados relacionados à Pandemia.
Apoiando iniciativas da Sociedade Civil organizada no combate a conteúdo falso sobre a COVID-19
Globalmente, doamos US$ 6,5 milhões para organizações de checagem de fatos e entidades sem fins lucrativos de todo o mundo, que trabalham no combate às informações falsas e enganosas sobre o coronavírus. Um dos beneficiados é o brasileiro Comprova, um grupo colaborativo de verificação de conteúdo enganoso que reúne 24 veículos de comunicação. A coalizão agora amplia o escopo do trabalho para combater a desinformação na área de saúde e os boatos relacionados à COVID-19. A Google News Initiative apoiou também a Agência Lupa no desenvolvimento do projeto Lupa na Ciência, que analisa artigos acadêmicos sobre COVID-19 e informa seu conteúdo com linguagem acessível ao público geral, e o Corona Verificado, uma base com fatos checados em língua portuguesa sobre o tema, traduzidos da plataforma LatamChequea Coronavírus. Atualmente, ela conta com cerca de 2 mil checagens produzidas em 18 países ibero-americanos desde o início de 2020.
Renovamos o nosso apoio à Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês), que continua colaborando com checadores de todo o mundo para defender as melhores práticas na área da verificação de informações. Essa parceria vai permitir uma nova visualização da base de dados resultante da checagem publicada pela CoronaVirusFacts Alliance.
Para ajudar as organizações de notícias a reduzir os custos para administrar seus negócios e financiar o jornalismo em tempos de crise, lançamos ainda o Fundo de Auxílio Emergencial ao Jornalismo, para apoiar pequenas e médias organizações de notícias que produzem conteúdo original para comunidades locais. Esta semana, anunciamos que mais de 5.300 pequenas e médias redações jornalísticas de todo o planeta, sendo mais de 1050 na América Latina e 380 no Brasil, receberam recursos entre US$ 5 mil e US$ 30 mil. Também divulgamos a decisão de não cobrar taxas de veiculação de anúncios para editores de notícias qualificados de todo o mundo que usam o Google Ad Manager, para apoiar seus negócios digitais com publicidade, por um período de até cinco meses.
Google News Initiative oferece ainda recursos on-line gratuitos, que podem auxiliar no trabalho essencial realizado pelos jornalistas, como uma série de workshops on-line, disponível em 10 idiomas diferentes, com o objetivo de apoiar o trabalho jornalístico.
Levamos muito a sério nosso trabalho para combater o conteúdo enganoso. Nossa missão consiste em ajudar as pessoas a encontrarem informações úteis, confiáveis e de qualidade, ao mesmo tempo em que protegemos toda a sociedade da desinformação em nossas plataformas.
Estamos abertos ao diálogo para, juntos, criarmos novas soluções com o ambiente acadêmico, a sociedade civil, a imprensa e os governos, para vencer os desafios, em constante evolução, da propagação da desinformação.
Postado por Marco Tulio Pires, coordenador do Google News Lab no Brasil
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