Homenagem em Balneário Camboriú marca despedida a Delfim Peixoto

Como era hábito em décadas passadas, Delfim foi velado em casa. Não onde morava e passava as noites ao lado da esposa Ilka Peixoto, mas naquele lugar que ele podia muito bem chamar de lar. Neste domingo pela manhã, a sede da Federação Catarinense de Futebol (FCF), ficou tomada por amigos, familiares, autoridades e diversos dirigentes esportivos dos mais diversos clubes do Estado, que prestaram uma última homenagem àquele que esteve à frente do futebol em Santa Catarina por 31 anos.

Deputado estadual por três mandatos, advogado e ex-presidente do Clube Náutico Marcílio Dias, Delfim acumulou amigos e inimigos durante sua história. Tudo por conta de uma vida dedicada a dois dos três pontos que o brasileiro gosta de dizer que “não se discutem”: política e futebol. Com o verbo solto, sem papas na língua, ele criou um rastro — independentemente se bom ou ruim — por onde quer que passou.



— Ele sempre soube ser uma autoridade, uma verdadeira liderança. Perdemos um grande cidadão e filho de Itajaí, uma pessoa que sempre ajudou a cidade — lamenta Rosa de Lourdes de Vieira Silva, professora universitária e amiga do presidente da FCF.

Por mais de três décadas à frente da entidade máxima do futebol catarinense, Delfim criou a sua própria marca. Desenvolveu do seu jeito o esporte, levou a sede da Federação para a porta de casa, e ao lado de uma gestão eficiente dos clubes, viu o melhor momento da história dos gramados do Estado. Para Carlos Crispim, diretor da Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina (SCClubes), esses fatores tornam a morte de Delfim algo difícil de ser mensurado.

— Só daqui a alguns dias nós vamos conseguir saber o tamanho dessa perda. Existe uma fase antes e uma depois de Delfim no futebol de Santa Catarina, com o crescimento dos clubes e a exposição em nível nacional — avalia Crispim.

Ao som de Primavera, do compositor italiano Antonio Vivaldi, os presentes no saguão da sede da FCF se reuniram em torno do caixão para garantir o último adeus. Entre eles estava Adão Goulart, comentarista esportivo de uma rádio itajaiense e técnico do Marcílio Dias em 1981 — justamente no período em que Delfim era presidente do Rubro-Anil.

— Ele era uma pessoa polêmica, a gente sabe disso, mas também teve muitos méritos na gestão do futebol, e é isso que precisa ser visto nesse momento — comenta Goulart.

Por uma coincidência do destino, a homenagem a Delfim de Pádua Peixoto Filho na FCF ocorreu na véspera da sede da entidade completar oito anos de sua inauguração. Um espaço chamado de “Casa do Futebol”, erguido em uma área tranquila de Balneário Camboriú, e que testemunhou o período mais triste do esporte em todo o Brasil. A previsão era de que o corpo fosse cremado às 17h deste domingo no Crematório Vaticano.

(Por O Sol Diário)

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