Ignorância ou má fé?

Os assuntos que nos faz questionar a incapacidade ou a maldade humana nas suas atitudes nos assola diariamente. Na política, não é muito diferente.

Ignorância, arrogância, prepotência, má fé? Cada um interpreta da sua maneira. Nos discursos inflamados e na vontade de aparecer, políticos enchem os olhos dos menos abastados de conhecimento fazendo um circos nos assuntos que nem eles mesmos possuem conhecimento. E pior, muitas vezes é na pura maldade mesmo.

Água do Rio

Embora as pautas são muitas, o que me levou a escrever a coluna de hoje foi um vídeo do vereador Lucas Gotardo (NOVO) que, na pegada da velha política, resolveu “fiscalizar” o tratamento de esgoto da Emasa. Para isso, ele foi na beira do Rio Camboriú, pegou um pouco da água podre do próprio rio e afirmou que aquilo era o que saia da estação de tratamento.

A produção cinematográfica que envolveu até vidrinho de conserva com a água dentro e um auxiliar de produção bem conhecido na cidade, traz um ar tenso de “denúncia”, só contra a EMASA, é claro.

Bem, ou o vereador foi levado ao erro ou agiu de pura Má Fé, ao fazer tal afirmação.

Ignorância ou Má Fé?

Primeiro é necessário informar que, apesar dos problemas que ainda existem, a Emasa trata os efluentes em 95% antes de largar na rede pluvial que desemboca no rio. Um efluente tratado em 95% é infinitamente mais limpo que a água do próprio Rio Camboriú. Isso até o “auxiliar cinematográfico” do vereador sabe bem.

Segundo que o nobre edil pegou a água no Rio e não na tubulação do emissário que vem da Estação de Tratamento de Esgoto, do outro lado da BR. Pegar água no Rio, é pegar a água podre e cheia de esgoto que vem de Camboriú, cidade vizinha, que não tem 1 metro de rede coletora.

Sem contar que ele pegou onde a tubulação revolve a água, deixando-a cheia de barro e com coloração marrom.

Nunca visitou a ETE

Procurei o diretor geral da Emasa para questionar e Douglas me afirmou que o vereador Lucas Gotardo NUNCA colocou os pés na ETE para acompanhar o trabalho ou “fiscalizar” algo.

“Esse vereador que nunca pisou na ETE e nunca procurou entender o trabalho importante que é realizado na estação de tratamento de esgoto, pelos técnicos da Emasa, inclusive com laboratório que monitora a qualidade do efluente.” soltou Douglas.

Rio Camboriú

Douglas ainda falou que se o vereador está preocupado com o Rio Camboriú, que procure a Câmara Municipal da cidade vizinha e cobre para que a rede de esgoto seja implantada na cidade. “Se está tão preocupado com o Rio Camboriú que ele vá até a Câmara de Vereadores de Camboriú e cobre dos seus pares uma posição e um movimento concreto para que a prefeitura (de Camboriú) comece a tratar o esgoto daquele município, para que assim possa ser mudado o estado deplorável das condições do rio.” soltou Douglas.

Rio Camboriú 2

Continha de padeiro, simples.

Se o consumo médio de agua para um brasileiro comum é de 150 litros por dia e 80% disso vira esgoto, então temos 120 litros de esgoto por habitante, por dia. Em Camboriú são pouco mais de 87.000 habitantes e acredita-se que 40% do esgoto gerado na cidade vá parar na rede pluvial, caindo no Rio Camboriú.

Na mesma continha de padeiro, sendo otimista, temos nada menos que 4,1 milhões de litros de esgoto sendo despejados no Rio Camboriú diariamente.

Fiscalize e cobre! 

Me uno a Douglas em coro ao afirmar que a “denúncia” é politiqueira. Vereador tem que fiscalizar? Sim, com certeza. Mas não agir como o nobre vereador que, apesar de estar no segundo mandato, ainda se comporta como um novato.

Acho válida a luta em favor do Rio Camboriú, mas buscar culpados na administração municipal, parecendo birra enrustida ainda sobre 2018, não é bem o caminho.

É necessário que o legislativo e executivo municipal se unam e cobrem os órgãos ambientais do estado, Ministério Público e demais esferas, para que cobrem o município vizinho que tome atitude e a origem do problema tenha um fim de uma vez por todas. Sem partidarismo, sem picuinhas e sem essas brigas bobas. Já deu essa história de que todos os problemas ambientais são culpa de Balneário, enquanto Camboriú permanece parecendo uma terra sem lei, onde ninguém cobra nada e ninguém é punido.

O mais interessado na limpeza do Rio Camboriú é o município de Balneário Camboriú.


Ignorância ou má fé?
Poucas e Boas – Por Gian Del Sent

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