Inpe divulga primeiras imagens captadas pelo satélite brasileiro Amazonia-1

Imagem aérea de Ibotirama (BA), captada pelo satélite Amazonia-1 Foto: Inpe

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta quarta-feira (10) as primeiras imagens captadas pelo Amazonia-1, o primeiro satélite 100% brasileiro, que foi lançado em 28 de fevereiro deste ano.

O Inpe divulgou cinco fotos captadas pela estrutura, compreendendo regiões de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, e de uma reserva ambiental na Amazônia.

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Vista área, com cores reais, da região metropolitana de São Paulo e arredores, captada pelo satélite Amazonia-1. Foto: Inpe

O satélite terá sua órbita em sincronia com a do Sol e viajará a uma velocidade de quase 27.000 km/h, o que lhe permitirá levar apenas 100 minutos para dar uma volta na Terra, com a capacidade de gerar imagens de qualquer ponto do planeta a cada 5 dias.

O satélite terá sua órbita em sincronia com a do Sol e viajará a uma velocidade de quase 27.000 km/h, o que lhe permitirá levar apenas 100 minutos para dar uma volta na Terra, com a capacidade de gerar imagens de qualquer ponto do planeta a cada 5 dias.

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Composição de cores da região metropolitana do Rio de Janeiro e arredores, projetada pelo satélite Amazonia-1 Foto: Inpe

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Imagem da reserva ambiental Manuripi, captada pelo satélite Amazonia-1 Foto: Inpe

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Imagem aérea de Ibotirama (BA), captada pelo satélite Amazonia-1 Foto: Inpe

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Imagem aérea da Usina Hidrelétrica de Sobradinho (DF), captada pelo satélite Amazonia-1 Foto: Inpe

Segundo o Inpe, as informações providas pelo Amazonia-1 consistem em imagens ópticas com resolução de 64m e largura da faixa imageada de 866km.

Operando conjuntamente com os satélites CBERS-4 e CBERS-4A, lançados, respectivamente em dezembro de 2014 e dezembro de 2019, serão providas imagens recorrentes do território brasileiro a cada dois ou três dias, melhorando significativamente a oferta de informações aos seus diferentes usuários.

Essas informações serão úteis para diversas aplicações, como o monitoramento da região amazônica, da diversificada agricultura em todo o território nacional, da região costeira, de reservatórios de água, florestas naturais e cultivadas e desastres ambientais.

Além do domínio do ciclo completo de desenvolvimento de um satélite do porte e complexidade do Amazonia 1 e dos benefícios resultantes das aplicações das imagens obtidas a partir do espaço, a missão permitirá outro ganho tecnológico importante: a validação em voo da Plataforma Multimissão (PMM), projetada para ser utilizada em diferentes tipos de satélites na faixa de 700kg, com redução significativa de prazos e custos.

Desmatamento

“O Amazonia-1 vai servir para fazer uma varredura da nossa superfície, dos biomas terrestres e marítimos. Ele será usado para monitorar o desmatamento, principalmente na região amazônica, a agricultura e poderá receber demandas para verificar situações ambientais específicas”, explica Carlos Moura, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Além do novo satélite, outros dois equipamentos produzidos pelo Brasil em parceria com a China fazem esse tipo de trabalho: o CBERS-4 e o CBERS-4A.

“Isso aumenta a probabilidade de enxergar a superfície mesmo quando há ocorrência de nuvens. Se um dos CBERS fizer o registro de um ponto onde há muita nebulosidade em um determinado dia, o Amazonia-1 pode passar por esse mesmo local depois, mas em um dia mais ensolarado, e obter imagens melhores. Com informações dos três equipamentos teremos mais chances de ter um imageamento completo”, ressalta Moura.

Segundo o presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Julio Shidara, outra vantagem do Amazonia-1 é que ele fará uma órbita otimizada para atender as necessidades do Brasil. “Ele vai fazer um trajeto que permitirá uma cobertura focada no território brasileiro. Ao contrário dos CBERS, que estão em uma órbita que atende o Brasil e China”, destaca.

A expectativa do governo é de que a experiência sirva de modelo e consolide a construção de outros satélites de maior complexidade. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), trará ganhos como a validação da Plataforma Multimissão (PMM) e o desenvolvimento da indústria nacional dos mecanismos de abertura de painéis solares.

 

CNN Brasil