Lockdown é o “Certificado de Incompetência” do poder público

No ápice da minha ignorância, diante de milhares de “entendidos” e “especialistas” no assunto dando pitaco para tudo quanto é lado, vejo a medida do governo do Estado de Santa Catarina em determinar o confinamento das pessoas no fim de semana, como um verdadeiro “Certificado de Incompetência” do Poder Público em suas mais variadas esferas.

Exigir que “os bons paguem pelos maus”, não é uma frase bonita de “aceitação” das atuais circunstâncias. Quando a conta é cobrada pelo poder público, mostra o quanto ele foi ineficaz e inerte na identificação e punição dos maus pelos seus atos.

Vamos para uma análise simples, tipo conta no guardanapo da lanchonete que está fechada pela pandemia.

– Os leitos de UTI estão lotados de pessoas infectadas por este maldito vírus. Levando em consideração a conhecida “linha do tempo” do trabalho do vírus no organismo, podemos afirmar que todo o caos que se instalou nos últimos dias é o resultado dos acontecimentos de 10 a 15 dias atrás. O Carnaval.

– Em grande maioria, os internados são pessoas mais velhas, acima de 60. Assim como as vítimas fatais da doença no estado, são de pessoas entre 60 e 90 anos.

Ai eu faço a seguinte pergunta: Estes estavam pulando carnaval e se aglomerando há 10~15 dias? 

O caos foi instalado, principalmente, por uma geração que não respeita a ninguém, nem mesmo sua própria família. Netos, filhos, sobrinhos e outros que festaram, contaminaram, passaram para os pais, avós, tios e por ai vai. Tiveram um resfriado e, na sua total falta de responsabilidade, infectaram e hoje estão ceifando a vida dos mais velhos. Sim, os jovens são os principais vetores dessa doença. Mas tem uns boca mole mais velhos também.

O prefeito de Chapecó não está errado em sua afirmação, ao dizer que parte da culpa foi do litoral. Aonde estavam muitos moradores do oeste há 10~15 dias? Aonde estavam os nossos jovens do litoral nessa mesma época?

Que a atual geração de jovens são irresponsáveis e sem compromisso, a gente sabe. E não são só os jovens. Mas onde estava o poder público que, dentro de sua atribuição, deveria ter chamado para si a responsabilidade de conter tudo isso e cessar com a irresponsabilidade dos e nos, principais vetores da doença?

O “Certificado de Incompetência” do poder público está em não ter capacidade de conter as aglomerações, festas e imprudências, de quem não respeita ninguém. O Estado ou o Município podem ter milhares de decretos e leis mas se não tem capacidade de fiscalização, é só um amontoado de papel.

Onde está o poder público no reforço de UTIs no Estado que, com 7 milhões de habitantes, colapsou com pouco mais de 800 pessoas com COVID ocupando as existentes? Estamos falando de 1 leito de UTI total para cada 4593 habitantes, em meio a uma pandemia.

O poder público falhou no educar, no orientar, no fiscalizar, no coibir e no prevenir. 

Ai o que se faz? Fecha tudo! Até mesmo quem segue as regras rigidamente. Quem tem lutado todos os dias para conseguir manter seu negócio aberto e quem precisar colocar comida na mesa. Pune quem usa máscara corretamente e se higieniza corretamente, por sua incapacidade.

E engana-se quem ache que o “Certificado de Incompetência” sirva unicamente para o poder público. Serve, e muito, para vários setores da sociedade local e Brasil a fora. Recebem o certificado todos que, de uma maneira ou de outra, cooperaram para que o caos se instalasse. O “Certificado de Incompetência” também vai para:

A humanidade

Nós falhamos como humanidade e como sociedade. Sim, nós, pois fizemos parte dela. O “jeitinho brasileiro” de locais como a Shed, La Belle, Vico e outros, que em sua razão social tem a atividade de “restaurante”. Somos restaurante, então podemos abrir, realizando festas e eventos normalmente. E na bandidagem, travestida de “cara de pau”, de seus advogados que ainda tentam enganar a justiça dizendo que as imagens não provam que eram do local.

Os políticos

No afã de não se desgastar politicamente, evitam decisões indigestas, principalmente em época de eleição. Outros que em suas tribunas, bradam em alta voz palavras de justiça e responsabilidade mas, as escondidas, promovem reuniões políticas com aglomero e afins. Outras nem tão escondidas assim. Alguns colocam nos stories também. E foi recentemente, nada de campanha.

Os assessores também merecem. O Chefe de gabinete da prefeitura de Camboriú, reclamando da falta de uso de máscaras e permanência em espaços públicos na cidade vizinha Balneário Camboriú. Enquanto na cidade que ele trabalha, até joguinho de dominó rolou na Praça das Figueiras. Tudo normal. Mas ele fez questão de dizer que a Milium foi fechada. A Milium que estava praticamente vazia e segue todas as normas. O mesmo chefe que, semana passada, estava aglomerado com amigos comemorando alguma coisa em alguma marina. TODOS sem máscara.

Camboriú, Itapema, Porto Belo, Bombinhas e demais cidades da AMFRI, que receberam mais de 43 milhões do Governo Federal para combate, mas não destinaram bons valores para suprir a demanda de leitos em Balneário e Itajaí, que atendem a região. Muito pelo contrario, largam os pacientes nas unidades e vazam, com o argumento que o SUS tá bancando, então tem que atender.

A Imprensa 

Essa parte é longa. Desde a regional até a grande mídia, em sua maioria, falhou. E falhou muito.

A imprensa regional, no conflito entre “bolso x ideologia”, mudou discurso frequentemente. Ao invés de apontar os verdadeiros culpados por isso tudo, resolveu atacar governantes e empresários que os sustentam. Conscientização quase zero. Ataques a milhão.

A mesma imprensa inclusive passou duas semanas, pré-carnaval, falando do bendito do leite condensado. Lembram?

Teve caso em que mudou-se de opinião três vezes em menos de 48 horas. Primeiro deveria fechar tudo, de escolas a shoppings. Mas o shopping é cliente e um outro cliente disse que tem que fechar só balada, então a opinião mudou. No dia seguinte, atacou empresários, que pagam salários e impostos, por serem contra o lockdown “recomendado” por algumas entidades que são sustentadas pelos mesmos contribuintes que eles querem penalizar. Bom senso passa longe.

A imprensa regional, ao invés de usar a sua influência para conscientizar as pessoas e cobrar uma melhor estrutura hospitalar do Estado e dos Municípios, quer atacar o presidente. Passam o dia batendo boca em grupo de Whatts culpando o Governo Federal. Se o Governo Federal é responsável por tudo, pra que Estados e Municípios? Ahhhh… estes pagam publicidade né? Não da para falar mal.

Reclamam no grupinho sobre a falta de uso de máscaras e aglomero na praia, mas não publica a denúncia com fotos dos infratores. Inclusive passam o dia falando da praia, mas não lembram que as mesmas pessoas que estão aglomeradas sob um guarda-sol, também estão aglomeradas no mesmo apartamento ou hotel. Mas a vilã é a praia. Como se as pessoas fossem para a praia só para aglomerar no guarda-sol alheio. A balada ou a festa de grã-fino, que tem pessoas influentes e bons advogados, passa batido por muitos. Essa luta de “Bolso x Ideologia” não é fácil né.

A grande mídia então. Ela entra em TODOS os lares dos brasileiros, politizou a pandemia desde o início e ao invés de conscientizar o povo sobre cuidados, preferiu falar do presidente, fazer manchetes de mortes e culpar o Bolsonaro por tudo. O presidente, birrento como é, rebate e fica a briga do “nós contra eles”. Se ignorassem as atitudes do presidente, ele não faria/falaria tanta besteira. O foco da grande mídia foi a política e nunca a doença. E o movimento “Vacina Já” então, feita por um consórcio de veículos ideologicamente alinhados, para dar a entender que o povo quer vacina mas o governo não quer dar. Mas não cobram dos laboratórios a rapidez na entrega das mais de 60 milhões de doses já compradas. E quando o Governo Federal compra 20mi de doses da Índia, a Veja faz uma manchete dizendo que a empresa é “suspeita”. Chega a ser cômico.

Empresários e Entidades

Muitos empresários, ao invés de seguirem as normas direitinho, desrespeitaram na cara dura as medidas. Assim como falei acima do “jeitinho brasileiro”. As entidades também usaram de seus poderes para fazer politicagem e usar seus representantes como massa de manobra. Teve quem usou de sua força para atacar outros setores, quando na verdade o problema era pessoal. Falharam. Foram incompetentes em suas atribuições e iniciativas.

O Certificado

O “Certificado de Incompetência” vai para todos os que deixaram de fazer a sua parte diante de todo o cenário e buscaram prevalecer apenas suas opiniões pessoais.

Seja no sentido de seguir as regras, se cuidar, conscientizar pessoas, cuidar do povo e coibir os vetores da doença. Vocês falharam. Nós falhamos.

O Poder Público hoje quer transferir a conta da sua própria incompetência para os que o sustenta. Isso é pior do que qualquer pandemia.


Lockdown é o “Certificado de Incompetência” do poder público
Por Gian Del Sent