Mais informações sobre a Operação Alcatraz da Polícia Federal em SC

A Operação Alcatraz da Receita e Polícia Federal, realizada ontem em Florianópolis, São José, Antônio Carlos e Ituporanga, bem como na cidade paulista de Vinhedo, onde foram cumpridos 11 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão em órgãos públicos, empresas e residências, mexeu com o cenário político estadual.

A terceirização de servidores da atividade meio, além da contratação de empresas de tecnologia da informação, podem ter gerado uma das maiores operações já realizadas em Santa Catarina.

Tudo começou há algum tempo, quando uma pequena agência de publicidade foi autuada pela Receita Federal, devido a uma movimentação econômica atípica, ou seja, muito maior do que realmente produzia. Além disso, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), identificou que inúmeros saques de altos valores em dinheiro, eram realizados constantemente saindo da conta da empresa.

Além disso, eram emitidas notas fiscais contra empresas que terceirizavam servidores para o Governo do Estado, com a justificativa de que eram realizados eventos, trabalhos de publicidade e de marketing, porém, não há prova da realização dos serviços. A intenção de acordo com uma fonte, era esquentar a transação, pois, as empresas depositavam na conta da dita agência, que após era sacado na boca do caixa, ou em caixas eletrônicos. Após descontados os impostos e um percentual, o restante voltava para o pseudo contratante, que supostamente remetia os valores para agentes públicos.

Alertada sobre as movimentações, a Receita Federal convocou os donos da agência, que são pai e filha. Questionados sobre qual era a relação contratual com as empresas e, o motivo de sacarem em espécie todos os depósitos, eles se sentiram acuados e ofereceram uma delação. “Foi quando começaram a abrir o jogo”, relatou a fonte.

Uma outra fonte me disse que a agência não tinha contato com o Governo do Estado, somente com as empresas que terceirizavam mão de obra para limpeza, serviço de copeira, vigilância, entre outros serviços ao Executivo estadual, tanto, que a partir de 2003 os contratos passaram a aumentar vertiginosamente, incluindo serviços nos presídios, o que motivou o nome da operação. Vale dizer que essa é só uma parte da história, a qual tem muito a ser apurada ainda, incluindo a relação com a Epagri.

Alvos 1

Entre os alvos da Operação Alcatraz, estão Danilo Pereira, ex-diretor de TI da Secretaria de Estado da Administração. Luiz Maroso também ocupava um cargo de diretoria. O dono de uma empresa de tecnologia, Jefferson Rodrigues Colombo também está sendo investigado. Nelson Nappi Júnior foi secretário adjunto do Estado da Administração, e Luiz Ademir Hessmann (MDB), ex-prefeito de Ituporanga e ex-presidente da Epagri, esses dois, estão entre os 11 presos na operação.

Alvos 2

Outro alvo da Operação Alcatraz, foi o empresário Luiz Andrey Bordin, Dono do Grupo Ondrepsb e, Luiz Ermes Bordin. Fábio Lunardi, se apresenta nas redes sociais como “conservador e olavete”. Ciro Aimbiré Moraes Santos, aparece como presidente do Conselho Consultivo da empresa Trio Card, que também tem cartões vale alimentação e, é membro do Conselho Fiscal da Fundação JMC. Já Flávia Coelho Werlich, e o seu esposo, Maurício Rosa Barbosa, aparecem respectivamente como gerente administrativa da empresa Intuitiva Digital Solutions de São José, e diretor executivo da mesma empresa. A Digital instalou o Raimbow, que é um sistema integrado de comunicação no governo de Raimundo Colombo (PSD). Flávia ainda aparece como sócia de uma empresa de cartões de crédito. Os demais nomes ainda estão sendo apurados, além disso, outros nomes ainda não foram divulgados.

Nomes

Ontem chegou a ser feita uma pequena reunião na Polícia Federal, para discutir a liberação, ou não dos nomes dos envolvidos na Operação Alcatraz. Entre os argumentos, o volume de fake news citando nomes que nem são alvo da operação.

Chamou a atenção

Durante a coletiva à imprensa, a Polícia Federal informou que não iria divulgar os nomes dos investigados, incluindo de quem foi preso. Porém, durante a entrevista, o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), foi divulgado. Qual seria a explicação para entre tantos investigados, apenas o nome de Garcia ter sido informado?

Garcia se manifesta

“Surpreendido por uma operação policial na manhã de hoje (ontem), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia, informa que desconhece inteiramente as razões pelas quais teve seu nome envolvido nas investigações. Assim que tiver acesso e conhecimento integral dos autos e analisá-los, prestará todas as informações necessárias” – Assessoria de Comunicação do deputado estadual, Júlio Garcia.

Nota da Alesc

“A Assembleia Legislativa, por meio da Diretoria de Comunicação Social, informa que o evento policial ocorrido hoje (ontem) não tem como foco o Poder Legislativo de Santa Catarina.

Um mandado de busca e apreensão foi cumprido nesta manhã no prédio administrativo da Avenida Mauro Ramos, onde foram vistoriados e apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos, de uso do diretor de Tecnologia, Nelson Nappi, investigado no inquérito. Por determinação do presidente, deputado Julio Garcia, o diretor foi exonerado do cargo no dia hoje.

Até o presente momento a Assembleia Legislativa não teve acesso a informações mais precisas a respeito do inquérito ou sobre o teor das acusações. Mas está atenta e à disposição das autoridades para que o caso seja esclarecido no menor espaço de tempo possível” – Assessoria de Comunicação da Alesc.

Sem mordaça

A Operação Alcatraz, prova o acerto na derrubada da Emenda da Mordaça. A expertise dos Auditores Fiscais da Receita Federal da DRF Florianópolis, foi crucial nas investigações que resultaram na operação realizada junto a Polícia Federal. A partir da confissão de um empresário, que relatou vender notas fiscais simulando a prestação de serviços a órgãos públicos, os auditores encaminharam a representação ao Ministério Público Federal e identificaram um gigantesco esquema de pagamento de propina, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema tributário. “A Operação Alcatraz é resultado de dois anos de trabalho, de análise e investigação de Auditores Fiscais. Ações como essa deixariam de acontecer se tivesse sido aprovada pelo Congresso Nacional a ‘Emenda da Mordaça’, na MP 870, que impediria os Auditores Fiscais de informar ao Ministério Público a ocorrência destes crimes”, ressalta o presidente do Sindifisco Nacional/DS Florianópolis, Auditor Fiscal Carlos Alberto Silva Pinto.

 

Por Marcelo Lula – SC em Pauta

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