Melatonina pode barrar entrada do coronavírus nos pulmões, sugere estudo

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) descobriram que a melatonina produzida nos pulmões atuam como barreira contra o novo coronavírus. O estudo abre perspectiva de uso da melatonina administrada por via nasal para impedir a evolução da doença em pacientes pré-sintomáticos.

A descoberta ajuda a entender, por exemplo, porque algumas pessoas infectadas não apresentam sintomas da Covid-19. Para comprovar a eficácia terapêutica do hormônio, porém, será necessária a realização de uma série de estudos pré-clínicos e clínicos.

Conforme a pesquisa, a melatonina impossibilita a infecção de células como os macrófagos resistentes – presentes no nariz e nos alvéolos pulmonares -, e as epiteliais, que revestem os alvéolos pulmonares e são portas de entrada do vírus.

Consequentemente, há a ativação do sistema imunológico, permitindo que o novo coronavírus permaneça por alguns dias no trato respiratório e fique livre para encontrar outros hospedeiros.

“Constatamos que a melatonina produzida pelo pulmão atua como uma ‘muralha’ contra o SARS-CoV-2, impedindo que o patógeno entre no epitélio, que o sistema imunológico seja ativado e que sejam produzidos anticorpos”, diz à agência FAPESP Regina Pekelmann Markus, professora do Instituto de Biociências da USP e coordenadora do projeto.

Os resultados do trabalho, apoiado pela FAPESP, foram descritos em artigo publicado na revista Melatonin Research.

Estudos anteriores

Em um estudo com roedores, publicado no início de 2020 no Journal of Pineal Research, a pesquisadora mostrou que os macrófagos residentes absorvem partículas de poluição.

Esse estímulo induz a produção de melatonina pelos macrófagos residentes, estimulando a formação de muco, tosse e expectoração e expelindo as partículas do trato respiratório.

Ao bloquear a síntese da melatonina pelos macrófagos residentes, os pesquisadores observaram que as partículas entraram na circulação e foram distribuídas por todo o organismo, incluindo o cérebro.

A pesquisadora e colaboradores decidiram avaliar, agora, se o hormônio desempenharia a mesma função em relação ao novo coronavírus.