Mercado de trabalho brasileiro é um dos mais afetados pela crise mundial

O Brasil tem uma das maiores taxas de desocupação entre os emergentes e as grandes economias do mundo: 14,1% em 2020. A desocupação atinge 14 milhões.

O Japão tem a menor taxa: 2,9%. Na outra ponta, está a África do Sul, com 30,8%. Só em um país da OCDE o desemprego foi maior que no Brasil no ano passado: a Espanha, com 16,2%.

Apesar da queda no trimestre encerrado em novembro, o número de desempregados no país continua em patamares historicamente altos. O economista Marcos Hecksher, do Ipea, afirma que o pior do Brasil nem é a taxa de desemprego, e sim o total de pessoas com possibilidade de trabalhar, mas que não estão ocupados.

Nas contas dele, essa taxa saiu de 54,8% no 3º trimestre de 2019 para 47,1% no 3º trimestre de 2020 –uma queda de 7,7 pontos percentuais em 12 meses, perdendo apenas para a Colômbia e o Chile, que viram a taxa desabar 8,8 e 11,9 pontos, respectivamente.

O pior resultado, em um grupo de 40 países analisados pelo economista, é o da África do Sul, que tem apenas 37,5% da sua população economicamente ativa trabalhando. Na outra ponta, está a Islândia (81,7%).

Na avaliação de Hecksher, a melhor política econômica para combater esses números negativos é controlar o coronavírus. “Nunca houve aquele dilema entre salvar vidas e salvar empregos. A gente salvou menos vidas e salvou menos empregos. Não houve uma troca neste sentido”, afirma.

“A principal política econômica é a vacinação. Não tem nada mais importante. Quem conseguir mais rapidamente derrubar o número de mortes de covid-19 vai conseguir impulsionar sua economia melhor do que outros países. A gente está em um ritmo muito lento.”

A taxa de desocupação no Brasil medida pelo IBGE ainda deve piorar um pouco. Brasileiros tinham desistido de buscar vagas de trabalho por causa do alto contágio de coronavírus. Agora que o auxílio emergencial acabou, muitos devem voltar ao mercado e reaparecer na estatística nos próximos meses.

Poder 360