Motorista de app que arrancou o carro com criança é indiciado por direção perigosa

A DPCAMI (Delegacia de Proteção ao Adolescente, Mulher e Idoso) de Itajaí indiciou o motorista de aplicativo, que arrancou com o veículo com uma criança de 3 anos dentro do carro, por direção perigosa e por expor pessoas a perigo direto e eminente.

O caso ficou conhecido como “falso sequestro” e ocorreu no último dia 18 de janeiro, em Balneário Camboriú, Litoral Norte de Santa Catarina, com uma família de turistas vindo de Goiás. De acordo com a Delegada Inara Marques Drapalski, não houve dolo e o erro do motorista foi arrancar com o carro em uma velocidade alta para a via.

“Não houve dolo, ele foi muito sincero ao falar. Ele foi interceptado por uma pessoa em rua no momento que estava voltado para entregar a criança aos pais. Ele teve medo de ser linchado”, explicou a delegada.

O inquérito foi encaminhado ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) que vai decidir se o caso será enviado ou não à justiça. Caso condenado, o motorista pode pegar de três meses a um ano de prisão. O inquérito segue em segredo de justiça, por envolver um menor e a identidade do motorista não foi revelada.

Dilson Resplandes Santos, avô da criança, considerou branda a classificação do crime. “A atitude antiprofissional nos surpreendeu, direção perigosa com a nossa criança dentro do carro? Faltou rigor. Eu acho um absurdo. Ficamos abalados, imaginamos os reflexos disso na cabeça da nossa criança. Graças a Deus estamos bem, mas foi muito triste”, contou o avô.

Dilson lembrou do registro do ocorrido, feito por câmeras de segurança. “Tem todo um respaldo visual, nós correndo atrás do veículo, carros atrás do motorista, foi muito branda a classificação como direção perigosa”. Confira as imagens

Relembre o caso

Câmeras de segurança flagraram o momento em que um motorista de aplicativo chega para uma corrida, no Centro de Balneário Camboriú, mas se recusa a levar a família pela quantidade de pessoas que entrariam no veículo e a ausência de cadeirinhas para as crianças.

Chamaram o motorista seis pessoas adultas e duas crianças: uma idosa de 66 anos, uma mulher de 46, outra de 26 anos, um adolescente de 19, um homem de 48 anos e outro de 36 anos, além de duas crianças, uma de 3 anos e um bebê de 6 meses.

Momentos depois, o motorista arranca com o carro, mas dentro do veículo estava a criança de 3 anos. Imagens mostram familiares batendo no carro e correndo atrás, tentando avisar que uma criança ficou no veículo.

As imagens circularam nas redes sociais como uma tentativa de sequestro. Tanto o motorista, de 45 anos, quanto a família fizeram boletim de ocorrência. O motorista entrou em contato com a Polícia Militar e contou sua versão dos fatos.

Versão do motorista

De acordo com o relato apresentado pela PM, o motorista recebeu uma chamada pelo aplicativo de transporte. Ao chegar ao local de embarque, ele e os passageiros acabaram se desentendendo, já que havia muitas pessoas para entrar no veículo, que não tinha cadeirinha para transporte de crianças. Uma passageira tinha uma criança de colo.

O motorista correu alguns metros à frente, quando percebeu que havia uma criança dentro do veículo. Foi quando ele parou e aguardou a família buscar o menino.

Ainda de acordo com a PM, quando os familiares chegaram, houve outro desentendimento entre eles. Com medo das pessoas danificarem o carro, o motorista saiu do local e acionou a PM.

Versão da família

A família, no entanto, apresenta outra versão dos fatos. De acordo com Dilson Resplandes Santos, avô da criança, “o motorista do aplicativo foi ‘um mau caráter’. Ele arrancou com o carro e não parou”, diz.

“Gritamos, corremos, pedimos socorro. Houve perseguição. Com toda essa comoção, com várias vias para retorno, ele só parou porque o trânsito estava carregado. Somos vítimas de um ‘desqualificado’”, lamenta Dilson.

A PM afirma que entrou em contato com a família, fato que também é desmentido pelo avô. “A PM não nos procurou. Em nenhum momento a PM foi solidária com a nossa família. Somos turistas de Goiás, investimos nossos recursos para férias”, lamenta.

 

ND Online