O vandalismo com direito autoral chamado de “campanha”

Recebi de diversas pessoas uma foto de um poste com cartazes em protestos contra o presidente Jair Bolsonaro e atrelando a ele preços altos de vários itens.

Fui atrás de mais informações sobre onde estes cartazes foram colocados e em que quantidade eles estão espalhados pela cidade. Recebi no WhatsApp diversas fotos dos diversos locais onde estão afixados estes cartazes.

O ato, chamado de campanha, é movido pela Juventude Socialista do PDT de Balneário Camboriú. Grupo este que inclusive assina uma nota distribuída nas redes sociais e grupos de whats.

É crime

A democracia é linda pois nos dá o direito de nos manifestar livremente por todos os meios possíveis e imagináveis. Vivemos em um estado democrático de direito, onde a constituição nos assegura essa liberdade.

O problema é que não se faz protesto descumprindo leis. Seja qual for o seu posicionamento político, desrespeitar leis para exigir direitos, tira a legitimidade dos teus atos e descredibiliza o seu protesto.

Desde 74, a lei de número 300, proíbe a fixação de cartazes em postes, muros, tapumes e afins, sem a autorização da prefeitura. A lei, conhecida como “Código de Posturas do Município” é muito clara em sua sessão VI, nos artigos 253 e 254.

Além de infringir a lei, a atitude do pessoal do JSPDT emporcalha a cidade. Já pensou se todo mundo que quisesse reclamar de algo fizesse o mesmo? Já não chega a falta de fiscalização da prefeitura sobre a referida lei e termos que conviver com anúncio de tudo quanto é tipo?

E se a prefeitura multar o PDT de Balneário Camboriú, vão chamar de que? Perseguição? Ditadura?

Devaneio

Me falaram que os “adultos” do PDT tem apoiado esses atos de vandalismo que chamam de campanha. Os adultos, que deveriam dar o exemplo para essa juventude que se encaminha na política e deve ser orientada a não ser o mais do mesmo da esquerda brasileira. Depredar, colar cartazes, emporcalhar muros e poluir visualmente uma cidade para querer enfiar goela abaixo um pensamento, uma queixa ou uma ideologia, não é o significado do “D” da sigla. Brizola deve dar piruetas dentro do caixão vendo no que o PDT se tornou.

Não interessa se é bolsonarista, lulista, Ciro, Amoedo ou Tiririca, toda e qualquer protesto que dependa de infringir leis para acontecer, para mim não serve. Nem mesmo o caso do CTB, onde o presidente pilotou a moto sem capacete.

Na questão do conteúdo do cartaz, acredito que tenha sido a juventude que elaborou. Acredito que pelo fato de serem sustentados pelos pais, não fazem ideia quanto custa as coisas no mercado. Aquela vontade de mudar o mundo sem conseguir esticar o lençol ou arrumar o próprio quarto, se confundem com ideias distorcidas de como funciona o mercado.

Bem, eu sai de casa com 17 anos e me sustento desde lá. Trabalho desde os meus 11 anos e sempre ajudei nas despesas de casa. Até hoje, no meu segundo relacionamento a dois, quem faz as compras sou eu.

Acredito que essa juventude, que compra tinta dos seus cartazes com a mesada que ganha dos pais, realmente não saiba o preço de um pacote de arroz. A não ser claro que esteja falando do arroz daquele sushi maneiro, pago com a mesada, digna de uma selfie no Instagram com a galerinha.

Quando quero comer uma carne de primeira, vou na Distriboi. Lá tem picanha na peça por R$59,90. No Komprão eu peguei 5kg de Arroz Fumacense por 16 reais. Então fica a dica para a galerinha cotar preços antes de elaborar seus cartazes de protesto. A não ser que a juventude prefira um entrecorte, mignon ou filé de costela argentino. Ai sim, a carne pode ficar na casa dos 70 reais o quilo.

E embora a juventude não tenha carteira de habilitação, não abasteça e geralmente use o Uber no cartão de crédito do papai para ir no shopping, quero informar que praticamente metade do preço da gasolina é composta de impostos, desde sempre. Eu até iria falar que embora o Brasil seja autossuficiente em petróleo, não tem capacidade de processamento e acaba tendo que importar gasolina. Mas isso é uma conversa adulta demais para vocês.

Quanto aos adultos que estão militando essa galerinha para essas baboseiras, sejam mais responsáveis e ensinem como se faz democracia no campo das ideias, assim como o saudoso Brizola fazia.


O vandalismo com direito autoral chamado de “campanha”
Poucas e Boas – Por Gian Del Sent