Pescadores que perderam barcos em vendaval pedem apoio em Florianópolis

‘Nossa dignidade está no fundo do mar’, diz pescador no Pântano do Sul.
Cerca de 5 mil unidades seguiam sem luz na tarde desta terça-feira (6)

Em Florianópolis, pescadores que perderam seus barcos durante o vendaval de até 118 km/h buscam apoio de autoridades para retirar as embarcações do mar, já que não têm equipamento necessário para essa operação. Desde domingo (4), seis barcos estão naufragados no Pântano do Sul, a cerca de 200 metros da praia, como mostrou o Jornal do Almoço.

“Nossa dignidade está no fundo do mar”, disse o pescador Renato Azevedo, um dos que perderam a embarcação após o vendaval. “A gente precisa de ajuda de alguém para recomeçar. É muito difícil”, disse o pescador Manoel Amorim.

“Eu via meu barco indo para o fundo e eu perdendo tudo da minha vida. Tudo que eu trabalhei foi tudo fora”, lamentou o pescador. “Queremos uma atenção dos nossos representantes, do sindicato, colônia de pesca, que eles se sensibilizem e deem um apoio para nós, junto aos órgãos públicos”, completou Renato.

O Sul da Ilha foi uma das regiões mais afetadas pelo vendaval de até 118km/h na madrugada de domingo (4). Moradores da região ainda contabilizam prejuízos nesta terça-feira (6) e o fornecimento de água e luz ainda está comprometido.

Triagem de danos
Conforme afirmou ao G1 o secretário de Pesca, Maricultura e Agricultura, William Nunes, a secretaria não tem  estrutura para a retirada de barcos no mar. Entretanto, a secretaria informou que está fazendo uma triagem de danos entre os pescadores e os ranchos de pesca no Sul da Ilha para solicitar ao governo federal auxílio para reconstrução e indenização aos moradores da região.

Manoel é dono de um dos barcos que naufragaram no Pântano do Sul (Foto: Reprodução/RBSTV)Manoel é dono de um dos barcos que naufragaram no Pântano do Sul (Foto: Reprodução/RBSTV)

Já de acordo com o presidente da Federação dos Pescadores de Santa Catarina, Ivo da Silva, a federação não tem estrutura para a retirada dos barcos. “Todas as demandas estamos mandando para a secretaria de Pesca para poder ajudar”, disse

Falta de luz
Conforme a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), a estação que abastece a região, localizada na Lagoa do Peri, está operando normalmente desde segunda (5) pela manhã, mas a retomada ocorre gradualmente.

Já segundo o mapa interativo das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), mais de 5 mil unidades estavam sem luz na região até as 15h30. A luz deve retornar em toda a cidade até quarta (7), disse o órgão.

Barcos naufragaram no Pântano do Sul, no Sul da Ilha  (Foto: Reprodução/RBS TV)Barcos naufragaram no Pântano do Sul, no Sul da Ilha (Foto: Reprodução/RBS TV)

Casas destelhadas e postes caídos
Em uma entidade que atende crianças da comunidade do Pântano do Sul, o telhado foi todo arrancado e os moradores se unem para reconstruir o local.

Já no Morro das Pedras, os postes ainda estão caídos e o fornecimento de energia, comprometido, com muitas casas e comércios sem luz.  No Campeche, a situação também é a mesma, com postes caídos e ruas bloqueadas.

“Não estamos aguentando mais. Não tem água, a comida está estragando na geladeira”, falou um morador da região a reportagem da RBS TV.

Moradores se unem na reconstrução de escolas no Sul da Ilha (Foto: Reprodução/RBS TV)Moradores se unem na reconstrução de escolas no Sul da Ilha (Foto: Reprodução/RBS TV)

Saúde e educação
Conforme a Defesa Civil, 18 escolas de Florianópolis foram afetadas pelos ventos e estão com atendimento comprometido. Já na rede de saúde, 12 unidades foram atingidas, mas atendem normalmente. Destas, 50% estão localizadas no Sul da Ilha.

(Por G1 SC)

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