Polícia encontra paletó com R$ 18 mil na casa de secretário da Fazenda de Itajaí

Volnei Morastoni e Marcelo Sodré – Foto: Divulgação/ND

O documento apresentado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) traz ainda mais detalhes das supostas atividades ilícitas durante a campanha do atual prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, e do vice-prefeito, Marcelo Sodré. As ações são investigadas na operação Cidade Limpa, da Polícia Federal.

O MPSC apresentou o pedido na manhã desta quinta-feira (18), que solicita a cassação do mandato do prefeito, vice e mais 15 pessoas por abuso de poder econômico e político, além de caixa-dois.

Mais 14 pessoas são citadas pelo MPSC, que pede ainda que sejam realizadas novas eleições em Itajaí, além da inelegibilidade das 17 pessoas por 8 anos a partir da eleição de 2020, incluindo o prefeito, o vice, o vereador Márcio José Gonçalves – o Dedé (DEM), empresários, publicitários e José Carlos Vicente, irmão do ex-presidente da Câmara de Itajaí Paulo Manoel Vicente (PDT).

Foi destacado nesta sexta-feira (19) que o documento traz o registro de apreensão de um paletó com R$ 18.171,00 em dinheiro. As buscas foram no dia 17 de dezembro de 2020 na rua deputado Francisco Evaristo Canziani, no bairro Cabeçudas, em Itajaí, num imóvel de responsabilidade do secretário da Fazenda de Itajaí, Érico Laurentino.

Junto com o dinheiro foi encontrado ainda um papel com a seguinte anotação: “600,00 do 13° do salário para os presentes”. A informação consta no documento da Polícia Federal.

Além do prefeito e do vice, o documento pede que o secretário da Fazenda e o diretor executivo da prefeitura, Celso Nunes Goulart, sejam condenados a devolver quase R$ 5 milhões à União.

Relembre o caso

O Ministério Público de Santa Catarina pediu nesta terça-feira, dia 17, a cassação da chapa de Volnei Morstoni e Marcelo Sodré, sob a acusação de abuso de poder econômico e caixa dois na campanha de 2020. Entre os denunciados estão agentes públicos, empresários e representantes de empresas que tem contrato com a prefeitura, e teriam doado irregularmente para a campanha de Volnei.

As doações seriam de empresas com contrato vigente com a prefeitura de Itajaí, entre elas a Ambiental Limpeza Urbana, concessionaria de lixo da cidade. A doação de valores para campanhas eleitorais por empresas é proibida no Brasil. No caso das empresas que prestam serviço para órgãos públicos – concessionárias ou permissionárias – essas doações são vedadas inclusive para pessoas físicas.

No decorrer das investigações o MP, através do GAECO, conseguiu autorização judicial para
interceptação telefônica de empresários investigados e além de agentes públicos. O conteúdo das informações angariadas durante a investigação, mostraram que houveram diversas reuniões entre os agentes públicos e empresários, além de conversas extremamente suspeitas envolvendo atos de corrupção.