Prefeituras da região participam de consórcio pra compra de vacinas

Itajaí e Balneário Camboriú são as duas cidades da região da Amfri que aderiram ao consórcio da frente Nacional de Prefeitos para a compra de vacinas contra a covid-19. A lista inicial foi fechada na sexta-feira com 1703 municípios brasileiros que manifestaram interesse, 26 deles de Santa Catarina. Mesmo que não tenham formalizado adesão, outras cidades ainda poderão entrar no projeto até a assembleia de formalização do consórcio, prevista para 22 de março.

O grupo foi formado para dar suporte aos municípios no caso de o programa Nacional de Imunização não suprir a demanda na distribuição das doses previstas de vacinas. A iniciativa tem respaldo em decisão do supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou estados e municípios a negociarem a compra diretamente com as empresas farmacêuticas diante de falhas do plano do governo federal.

As prefeituras devem agora encaminhar às câmaras de vereadores um projeto de lei que autorize a adesão ao consórcio. O texto-base do projeto é o mesmo pra todas as cidades. Os municípios têm até o dia 19 de março pra aprovar a lei e encaminhar o documento à frente Nacional de Prefeitos.

Só depois da formalização do consórcio é que o grupo poderá iniciar as negociações pra compra de vacinas. Além das doses, a iniciativa também pretende fazer a compra de equipamentos, remédios e insumos usados no combate à pandemia. O consórcio deve usar recursos dos repasses do governo federal nas aquisições, mas também está previsto o uso de verbas de órgãos internacionais, empresas e de cotas do próprio consórcio.

Segundo a frente nacional, o consórcio tem interesse em todas as vacinas com eficiência comprovada, que tenham sido aprovadas pela Anvisa ou por órgãos internacionais. O grupo deve buscar marcas de vacinas que ainda não foram compradas pelo ministério da Saúde, caso da Coronavac e AstraZêneca, já em distribuição nos municípios.

Na mira do consórcio estão as vacinas da Pfizer, Johnson, Moderna e Sputnik. Também serão feitas tratativas com a União Química, laboratório brasileiro que tem acordo pra produzir a vacina russa no Brasil. A frente de prefeitos defende que não está concorrendo, mas colaborando com o governo federal pra reforçar o plano de imunização. A entidade tem meta de vacinar 60% dos adultos até junho.

Prefeituras negociam com empresas

Antes da adesão ao consórcio, os prefeitos de Itajaí e Balneário Camboriú já haviam anunciado a intenção de compra direta de vacinas. Em Balneário, o interesse seria pelas vacinas dos laboratórios da Pfizer, Sputnik e Johnson. Itajaí também já formalizou intenção de compra com a Pfizer, AstraZêneca e o laboratório da Sputnik.

Em Camboriú, a prefeitura confirmou interesse na vacina russa. “Nossa intenção é de adquirir 50 mil doses pelo município e a assim acelerar a vacinação das pessoas acima dos 60 anos de idade e dos servidores da área da educação”, afirmou o prefeito Élcio Kuhnen.

Na sexta-feira passada ele assinou uma carta de intenções junto à federação Catarinense dos Municípios (Fecam), que fez reunião com representantes de empresas internacionais para o fornecimento da Sputnik. A entidade está ajudando as prefeituras para que as negociações de compra ocorram com rapidez, diante da “incapacidade” do ministério da Saúde.

Em Navegantes, a prefeitura também tem interesse na vacina russa. O prefeito Liba Fronza assinou uma carta de intenção pra compra de 80 mil doses, em negociação coordenada pela Amfri.

Conforme balanço do governo estadual até sexta-feira, 17.493 pessoas foram vacinadas na região da foz do Rio Itajaí, 4894 com a segunda dose. Balneário Camboriú lidera a imunização, com 6222 pessoas atendidas, seguida de Itajaí, que vacinou 5916 pessoas.

Universitários protestam por não receberem vacina

Os acadêmicos do curso de medicina da Univali fizeram uma mobilização online contra a falta de vacinação dos alunos que trabalham na linha de frente da covid-19 em Itajaí. Eles relatam que ficaram de fora da primeira etapa de imunização na cidade, embora o plano Nacional de Vacinação contemple os estudantes da área de saúde nos grupos prioritários.

“Não solicitamos a vacinação dos acadêmicos por serem do curso de medicina, mas por atuarem na linha de frente das ações de enfrentamento da pandemia em diversas localidades do município”, disse um dos alunos. Segundo o grupo, alguns estágios da saúde foram suspensos na primeira semana de retorno das atividades porque a prefeitura de Itajaí não liberou a vacina aos alunos.

Conforme um dos representantes do centro Acadêmico de Medicina (Capevi), a prioridade seria vacinar estudantes que atuam no CIS e no hospital Pequeno Anjo, onde tem maior risco de contaminação. Isso somaria cerca de 200 alunos.  O curso de medicina tem hoje 482 acadêmicos.

Outros acadêmicos ainda trabalham em postos de saúde e ambulatórios especializados, como a unidade de especialidades que fica dentro da Univali e que atende pacientes do SUS. A reivindicação já foi feita à vigilância Epidemiológica, reitoria e secretaria de saúde. O município ainda não se manifestou.

A secretaria de Saúde de Itajaí informa que recebeu da Univali a relação dos acadêmicos da área da Saúde, porém foram inclusas pessoas que realizam estágio em outros municípios. Como não há quantitativo de vacinas suficiente para imunizar a todos, a vigilância Epidemiológica vai priorizar os alunos que atuam na linha de frente de combate à pandemia. Os demais acadêmicos serão vacinados de forma gradativa, conforme a disponibilidade de doses.

Plano pra vacinar todos até setembro

O grupo Unidos pela Vacina, liderado pela empresária Luiza Helena Trajano, da rede Magazine Luiza, reúne mais de 400 empresas que propõem ajudar o país a imunizar todo a população até setembro. A iniciativa também tem parceria com o grupo Mulheres do Brasil, com participação de 75 mil mulheres.

A partir de contato com o ministério da Casa Civil e ajuda de empresários e entidades, o movimento já conta com aviões para o transporte de vacinas, frigoríficos para armazenamento e caminhões refrigerados pra levar as doses aos municípios. Também há laboratórios brasileiros interessados em produzir as vacinas e outras empresas disponibilizaram seus profissionais de saúde e instalações pra vacinar a população.

O projeto está mapeando a estrutura das 5568 cidades do país pra saber as necessidades de pessoal e de materiais como insumos, seringas e geladeiras. A ideia não é comprar vacinas, mas garantir a agilidade na aplicação. “A nossa proposta é ajudar a resolver os gargalos de logística para que a produção, distribuição e aplicação de vacinas aconteça”, defende Luiza Trajano.

Diarinho