Quase 80 funcionários da Inclusão Social fizeram hora extra em abril

secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social de Balneário Camboriú informou que 78 dos 208 funcionários da pasta fizeram horas extras no mês de abril. A polêmica surgiu na semana passada quando o DIARINHO noticiou que duas servidoras do Resgate Social ganharam salário maior que o do prefeito Fabrício Oliveira (Podemos).

A justificativa da secretária Christina Barichelo é que houve jornada de trabalho estendida, falta de profissionais, muitos afastados por fazerem parte do grupo do risco, e a criação de novos programas para auxiliar a população na pandemia de Covid-19.

As servidoras Ivanir Maciel e Marta Soster Candido receberam, respectivamente, R$ 21.127,57 e R$ 20.227,89 de salário em abril. O valor foi o dobro do salário do prefeito Fabrício, que recebeu R$ 10.798,03. As duas servidoras trabalham no gabinete da secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social,

Pelo levantamento da secretaria houve horas extras de funcionários nos programas: Resgate (18 funcionários), Casa do Migrante (nove funcionários), Lar do Adolescente (14), Conselho Tutelar (três), Abraço à Vida (seis), Abraço à Mulher (seis), Apoio Emocional (oito), Casa da Mulher e Central de doações (quatro), abrigo sazonal e Plantão Saúde (10).

A secretária Christina Barichello afirma que as horas extras são controladas através do relógio ponto e os funcionários trabalham por escala de plantão. “Quando um funcionário, por algum motivo falta, o outro que estava fazendo o trabalho não deixa o posto e segue trabalhando na jornada seguinte”, explica.

No caso do abrigo na igreja Luz da Vida, as horas eram controladas por ponto em folha, com controle de entrada e saída de funcionários. “Tivemos dias com entregas de máscaras, atendimento de CadÚnico, cadastramento, avaliação social, distribuição de 400 cestas básicas, 1200 telefonemas e distribuição de 50 mil máscaras”, afirma.

Christina explica que somente os funcionários efetivos podem fazer horas extras, porque cargos comissionados e estagiários não podem estender a jornada em troca de mais salário.

Supersalários

A secretária Christina defende que as horas se justificam pelo tanto que os servidores trabalharam em abril. Uma das servidoras que teve supersalário trabalhou em uma escala de 18 horas por alguns dias, segundo Christina.

“Os programas precisam atender, os abrigos precisam ter gente, os telefones são 24h. Se eu paro um programa, eu posso estar perdendo uma vida,” argumenta.

A secretária alega que quando a cidade estava com quatro abrigos abertos para moradores de rua, faltavam funcionários e por isso outros tinham a jornada prolongada. “Principalmente no abrigo da Luz da Vida, que tinha 100 moradores, e o controle era feito pela coordenação, com controle de entrada e saída do funcionário”, explica.

O telefone de Apoio Emocional, continua a secretária, ficaria disponível 24 horas para atender à população, além do Abraço à Mulher, que atende mulheres em situação de violência; o Abraço à vida, que atende pessoas com risco de suicídio, da casa do adolescente, e do abrigo para moradores de rua.

  “No abrigo foi uma loucura. Eram 100 moradores de rua, muitos com dependência química. Eu preciso manter assistente social, segurança e motorista disponíveis. O que vai fazer se acaba o plantão e não tem quem colocar? Não dá pra ir embora. Tem que pensar que essas pessoas fazem um trabalho que pouca gente quer fazer”, argumenta.

Por Diarinho

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