“Rádio Camboriú AM 1290”- O fim de uma era

31 de Janeiro de 1978, era publicado pelo então presidente Ernesto Geisel, o decreto 81.290 que outorgava concessão à Rádio Camboriú Ltda, para operar o serviço de radiodifusão sonora em ondas médias de âmbito regional, na cidade de Balneário Camboriú.

A rádio entrou no ar em caráter experimental no dia 20 de julho de 1980. Na madrugada, a primeira música executada foi “O Mar Serenou”, com a Clara Nunes. Escolhida a dedo para dizer que “o mar serenou, quando ela pisou na areia”. (Informações do mago Elias Silveira)

Nascia a primeira rádio de Balneário, batizada com o nome da “cidade mãe” Camboriú, a emissora era um marco na comunicação regional. Até então, a população ficava sabendo das novidades  somente através das rádios regionais como a Difusora de Itajaí.

Balneário Camboriú e Camboriú agora tinham uma rádio para chamar de sua. Líder de audiência por muitos anos, a Rádio Camboriú reunia a melhor equipe de jornalismo e esportes da região. Programação musical farta e com comunicadores que, por décadas, embalaram as ondas do rádio regional. A Rádio Camboriú foi exemplo para diversas emissoras que surgiram desde então.

Além de ser a primeira rádio de Balneário Camboriú, a Camboriú AM ainda foi escola e teve a passagem dos maiores nomes do rádio da região. Muitos atuando até hoje.

James Moura, Oliveira Brandão, Aldo Pires de Godoy, Fabinho, Eucil Luis, Jocemar Moraes e Dias Gomes, que já não estão entre nós, fazem parte da extensa lista que inclui também nomes como Elias Silveira (o registro 001 do livro de funcionários da emissora) , Luis Carlos Tigrão, Aderbal Machado, Eraldo Filho, Nenito Costa, Melo Filho, Ilder Júnior…. e a lista vai longe. Teve até prefeito que saiu dos estúdios da Rádio Camboriú, é o caso de Ainor Lotério, que era locutor conhecido e foi prefeito de Camboriú.

Do Estrelato ao Fim

Nos últimos anos a Rádio Camboriú permaneceu firme e forte mesmo com a força do FM e o advento da internet. Seu público fiel continuou acompanhando a programação com o passar dos anos. Trocando os gestores e mudando de “cara”, a Rádio Camboriú manteve-se como uma das mais ouvidas na região, tendo como destaque a cobertura esportiva da “Equipe Se Ligue” no “1290 nos Esportes” e o jornalismo forte e imparcial do “Olho Vivo na Notícia”. Manhãs animadas com os “briques” do programa “Troca Troca” comandado por Eraldo Filho.

Em 2018, a rádio foi colocada a venda por seus proprietários. Sem poder de investimentos e com a necessidade da migração para FM, a rádio passou por um “leilão” disputado por duas grandes igrejas da cidade.

No fim das contas, a rádio foi comprada por um valor absurdamente alto por uma das denominações. Sem prédio próprio, sem equipamentos de ponta e com faturamento baixo, a nova gestão da emissora mudou o estúdio de local e trouxe uma nova “cara” para a rádio. O que não funcionou. Com orçamento apertado e uma dívida gigante para pagar, a programação ao vivo da rádio foi ficando cada vez mais enxuta.

Há alguns meses atrás, o pior aconteceu.
A energia elétrica do parque de transmissão, localizado no Rio do Meio, em Camboriú, foi cortada por falta de pagamento. A dívida com a Celesc, perto dos 30 mil reais, se acumulou aos outros centenas de milhares de reais da dívida da compra da emissora. A rádio passou a transmitir somente via internet até que a situação se resolvesse.

Desabitado e sem vigilância, semanas depois do corte de energia, o parque de transmissão foi alvo de ladrões. Cabeamentos, transmissores, links, equipamentos e outros itens, foram furtados. Mais um prejuízo que ultrapassou os R$ 350.000,00.

Sem nenhum sinal de que a situação seja resolvida e a rádio volte a operar, com investidores sem disposição de colocar mais dinheiro na emissora, tudo que sobrou foi um estúdio desativado.

Este é o fim da Rádio Camboriú.

Os 1290kHz, depois de 39 anos, estão em completo silêncio.

Depois de quase 40 anos, o que sobrou da Rádio Camboriú AM foi a lembrança, uma história e um nome jogado na lama.

Graças a ganância e a necessidade de poder de denominações religiosas, que competem entre si, para ser a mais poderosa.