Sistema prisional do Rio apura denúncia de ‘atos libidinosos’ entre Monique Medeiros e advogado na cadeia

Monique Medeiros depõe durante a 4ª audiência do caso Henry Borel Medeiros, no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) — Foto: BEATRIZ ORLE/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Mulheres que estiveram presas com Monique Medeiros no Instituto Penal Oscar Stevenson, presídio em Benfica, na Zona Norte do Rio, afirmaram em depoimento que a própria interna relatou ter tido “atos libidinosos” com um advogado dentro da cadeia. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap-RJ) abriu um procedimento para investigar os relatos.

Como mostrou o g1 no fim do mês passado, a mãe do menino Henry dividia a cela com um grupo de seis internas, todas presas por crimes de grande repercussão no Rio de Janeiro. O que ficou evidente, também, é que a relação da mãe de Henry com as outras detentas era longe de ser pacífica.

Ao ser interrogada no Tribunal de Justiça sobre a morte do filho, Monique denunciou ter sido alvo de agressões e ameaças na penitenciária Santo Expedito, para onde foi transferida em janeiro. A juíza do caso, então, determinou que uma interna específica fosse transferida da cela onde Monique estava.

Uma das mulheres que narra o suposto ato entre Monique e um advogado é Elaine Lessa, mulher do policial reformado Ronnie Lessa, presa por tráfico internacional de armas. A outra presa é Fernanda de Almeida, a “Fernanda Bumbum”, acusada de planejar a morte de uma rival de procedimentos estéticos (outras presas teriam confirmado os relatos; veja a lista completa abaixo).

  • Elaine Pereira Figueiredo Lessa – Presa por tráfico internacional de armas, ela é mulher do PM reformado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes;
  • Karina Lepri Franco – Dentista que tramou com o amante miliciano a morte do marido, um diretor da Shell;
  • Priscilla Laranjeira Nunes de Oliveira – Síndica de prédio na Barra da Tijuca que tramou a morte de vizinho junto com o funcionário e amante;
  • Fernanda Silva de Almeida, a “Fernanda Bumbum” – Presa por planejar a morte de rival de procedimento estético e casada com um ex-PM, condenado pela chacina da Baixada Fluminense;
  • Bruna Adrielly Correia Carlos – Presa na Rodovia Presidente Dutra com 750 kg de maconha;
  • Cintia Gomes de Oliveira – Presa por adulteração de sinal de identificador de veículo e corrupção ativa.

“Fernanda Bumbum” disse que Monique teria usado “roupas inadequadas” na visita de um advogado, e acrescentou que as outras presas da cela poderiam confirmar a versão — o relato foi confirmado em documento obtido pelo g1.

No depoimento, Fernanda também disse que, segundo Monique, o advogado era “apaixonado por ela” e faria de tudo para que ela deixasse a cadeia. A versão foi confirmada pelas outras cinco detentas.

Todas as seis afirmaram ter ouvido da própria Monique, ou de pessoas próximas a ela, que durante uma visita à cadeia onde a mulher estava presa um dos advogados que a defende teria se masturbado enquanto ela exibia os seios.

O ato teria acontecido no parlatório da cadeia (foto abaixo), onde há portas e não há câmeras de vigilância. Um vidro separava a detenta do defensor. Nas declarações, o grupo de mulheres não especifica quando o ato teria ocorrido e nem quem era o advogado de defesa de Monique envolvido.

Parlatório do presídio onde Monique estava — Foto: Arquivo Pessoal

Parlatório do presídio onde Monique estava — Foto: Arquivo Pessoal

Priscilla, Karina, Elaine e Cintia contaram que a revelação ocorreu no meio do convívio das presas. E Bruna disse que o fato foi narrado durante uma discussão entre Monique e Fernanda.

A versão das outras presas passou a ser investigada pela Seap e um procedimento disciplinar foi aberto pela pasta. O g1 apurou que Monique terá que depor à Comissão Técnica de Classificação (CTC) da secretaria e, se for punida, a infração será anotada na ficha dela.

O registro na ficha prejudicaria o índice de comportamento de Monique, que é usado como parâmetro para avaliações em progressões de regime. Sobre o advogado, a Seap disse que oficiou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) sobre os termos das detentas.

G1

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