Trato Feito completa 5 anos sem respostas e todos livres

Neste domingo, dia 15, completou 5 anos da operação do GAECO que parou a cidade de Balneário Camboriú em 2014.

Era uma segunda-feira de manha, quando agentes do GAECO deflagraram a operação “Trato Feito”, cumprindo 14 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão nas cidades de Balneário Camboriú, Camboriú, Joinville, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Araquari, Florianópolis, Porto Belo e Tijucas. Em Balneário Camboriú, os agentes estiveram na sede da Prefeitura, casa de agentes públicos, empresas e empresários.

As investigações abrangeram crimes de corrupção passiva e ativa, advocacia administrativa, peculato, tráfico de influência, fraudes em licitações, associação criminosa, dentre outros delitos. Durante todo o procedimento foram investigadas mais de 35 funcionários públicos e empresários, além de oito empresas, todos envolvidos, em tese, nos crimes investigados.

Em setembro de 2015, um ano depois de deflagrada a operação, 46 pessoas foram denunciadas pela promotoria a justiça e viraram réus no processo. (Confira lista abaixo)

No início de 2016, o então vereador e ex-secretário de obras Elton Garcia, sofreu um processo de cassação do mandato pela Câmara de Vereadores da cidade e foi afastado. Ele foi um dos presos na operação. Ele chegou a recorrer e voltou a assumir sua cadeira no legislativo. Mas em setembro de 2016, ele renunciou ao seu mandato, tentou se candidatar novamente e teve sua candidatura cassada pela justiça.

Última grande movimentação

Em setembro de 2018, quatro anos depois, mais uma movimentação no processo mexeu com o cenário político da região. O Juiz Gilmar Antônio Conte da 2º Vara Criminal de Balneário Camboriú aceitou no dia 13 daquele ano, a denúncia do Ministério Público contra o ex-prefeito Edson Piriquito e outros cinco acusados, por crimes contra a administração pública, da Operação Trato Feito.

Edson Piriquito nunca se pronunciou oficialmente sobre a operação Trato Feito e, quando questionado, sempre se limitou a dizer que “a justiça está cuidando disso”.

Na época em que virou réu no processo, o ex-prefeito alegou que a acusação não passava de perseguição política e com intenções eleitoreiras, pois ele concorria como deputado estadual nas eleições gerais do ano passado. E disse que o MP e a justiça estariam “requentando notícia” com o intuito de lhe prejudicar no período eleitoral.

Em 2018, o processo deixou de ser segredo de justiça e a íntegra dos autos é de acesso público, inclusive as provas contidas no mesmo.

Embora a investigação e o processo tenham avançado, a sensação de impunidade ainda paira no ar. Nenhum dos denunciados estão presos, até agora não se tem respostas concretas e nem mesmo ideia de quando estas respostas virão.

A Operação Trato Feito completa 5 anos, mas sem muito o que comemorar.

 

Os nomes são os seguintes:

(os que têm * foram presos no dia da Operação Trato Feito – Lista divulgada pelo Jornal Página 3)

Genésio Henrique de Campos Jr, médico, presidente da cooperativa (Coopemesc) que presta serviços ao Hospital Ruth Cardoso. Foi flagrado fraudando uma dispensa de licitação.

João Batista Leal*, ex-secretário municipal da administração, fraudou a licitação para a Coopemesc.

Auri Pavoni, ex-secretário municipal do Planejamento.

Marco Otílio Duarte Rodrigues, ex-secretário municipal da saúde.

Dorival Rescaroli, diretor da F.Karine, fornecedor que venceu repetidas licitações na prefeitura.

Arilson José Alves, diretor da Distribuidora Nova Esperança, grande fornecedor da prefeitura.

Lauro Stefani*, diretor da PLM, fornecedora de pavimentação. As suspeitas sobre esta empresa foi um dos motivos do Ministério Público investigar corrupção na prefeitura.

Elton Garcia*, ex-secretário de obras. Há provas contra ele de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Atualmente é vereador em exercício do mandato.

Fábio Gago Ramos*, ex-diretor geral da secretaria de obras.

José Magalhães Filho*, ex-coordenador da secretaria de obras.

Tiago Ramos, ex-diretor da secretaria de obras.

Assis Cecílio Pereira, motorista da secretaria de obras.

Almir da Silva, diretor da secretaria de obras.

Idalécio Cardozo, secretaria de obras.

Lia Mara Silva de Souza, setor de compras, presidiu a comissão de licitações.

Aline Alba Felette Goto, setor de compras.

Barbara Schiavini Siega, executiva da Sifra Construtora e Incorporadora Ltda.

Hilário Phillipps*, diretor da Sifra Construtora e Incorporadora Ltda.

Antônio Cesário Pereira Junior, advogado da prefeitura.

Rui Jan Dobner*, comprador da prefeitura.

Alessandra da Silva Ribeiro Alvares*, setor de compras, ré confessa de fraudes com licitações.

Jeferson Radtke, diretor da construtora Natinho, fornecedor da prefeitura.

Osvaldo Garcia Neto, ex-diretor do paisagismo da prefeitura.

Fernanda de Oliveira Mendes, funcionária da Câmara de Vereadores, admitiu que dividia o salário com o vereador Elton Garcia.

Edson de Oliveira Prestes, o Buiu, assessor parlamentar do vereador Elton Garcia. Gravações mostram que rachava o salário com o vereador.

Almir José Machado, diretor técnico da Sotepa, empresa que fazia projetos para a prefeitura de Balneário Camboriú.

Marcelo Monte Carlo Silva Fonseca*, engenheiro da Sotepa, admitiu fraudes e declarou envolvimento do prefeito Edson Piriquito.

Fabiane Pereira Sabchuk, funcionária do setor de compras da prefeitura.

Maise Rosa da Costa, funcionária do setor de compras da prefeitura.

Rafael Martins Carrara, funcionário da secretaria da saúde.

Niênio Gontijo*, ex-diretor da Compur, homem de confiança do prefeito Edson Piriquito e operador das fraudes em grandes obras, dentre elas a Passarela da Barra.

Renan Diegoli Gontijo*, filho de Niênio, cúmplice nas fraudes da Passarela.

Rodrigo Hartmann Dobner*, diretor de Helpcon, empresa que está construindo a Passarela da Barra.

Rafael de Campos Dobner, diretor de Helpcon.

Guilherme Guimarães, diretor da Igesa Engenharia que forneceu várias obras à prefeitura.

Rogério Vargas Elisbão*, engenheiro da empresa que fez o projeto da Passarela da Barra. Pedia propina a fornecedores da obra.

Giovane da Silva Constante*, engenheiro, diretor da Compur.

Carlos Luiz Guedes Carneiro, engenheiro de Minas Gerais, contratada para fiscalizar a obra da Passarela.

Ieda Terezinha Ferreira de Souza, fornecedora da secretaria de obras.

Maikol Holz, da Camboriú Artefatos de Cimento, fornecedora da secretaria de obras.

*Outros cinco nomes foram denunciados, mas a reportagem não conseguiu identificá-los no contexto.

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