Vice-governadora pede cancelamento de contrato para construção de hospital de campanha

A vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, solicitou o cancelamento do contrato de construção do hospital de campanha que será instalado em Itajaí.

A informação foi divulgada na rede social da deputada-federal Carla Zambelli (PSL) e compartilhada pela vice-governadora na terça-feira (14). A postagem compartilhada, no entanto, foi deletada na manhã desta quarta-feira (15).

Leia também: O Hospital de Campanha milionário e a ligação com a alta cúpula do governo Moisés

O post informa que Daniela Reinehr teria pedido a adesão ao modelo do governo federal, que custeará a construção de um hospital de campanha no município de Águas Lindas, em Goiás. A unidade hospitalar custará R$ 10 milhões.

Já o hospital de campanha catarinense, que atenderá pacientes de Covid-19 e deve contar com 100 leitos de UTI, terá um custo de R$ 76 milhões.

A reportagem do nd+ tentou contato com a assessoria da vice-governadora, que, por sua vez, informou que retornaria ainda nesta quarta-feira.

O dinheiro, que vem de uma verba complementar, irá custear estrutura, equipamentos e os salários dos profissionais de saúde. O valor é proveniente do Fundo Estadual da Saúde.

Post publicado pela deputada-federal Carla Zambelli (PSL) e compartilhado pela vice-governadora – Foto: Reprodução/Instagram/ND

Valor superior ao hospital modelo

Sem dinheiro do governo federal, a obra tem valor alto se comparada ao hospital de campanha-modelo, que está construído em Águas Lindas, cujo valor é destinado apenas para a construção da estrutura, cabendo ao governo de Goiás, os custos com equipamentos, materiais e folha salarial.

O chefe da Defesa Civil de Santa Catarina, João Batista Cordeiro Júnior, justificou o valor, dizendo que a estrutura provisória montada, na região do Vale do Itajaí, inclui todos os custos para sua manutenção.

Como o hospital será erguido dentro do Centro de Eventos de Itajaí, o pavilhão da Marejada, o custo com edificação é de aproximadamente R$ 600 mil, segundo o Estado. Além disso, são R$ 18 milhões em 43 tipos de equipamentos e R$ 33,6 milhões em insumos.

Outros R$ 22,2 milhões vão para o pagamento de salários dos 450 profissionais que vão atender no hospital de campanha e mais R$ 3 milhões com custos indiretos, como alimentação dos pacientes, por exemplo.

O valor irá manter a estrutura em funcionamento durante seis meses, com atendimento 24 horas para pacientes com Covid-19.

Denúncia de irregularidade

A licitação para a construção do hospital de campanha em Itajaí pelo governo do Estado foi um dos principais questionamentos feitos durante a sessão da Comissão de Saúde, na tarde de terça-feira em videoconferência, ao secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino.

O custo da construção e a lisura do processo chamaram a atenção dos deputados. Os parlamentares catarinenses questionaram a forma como se deu a licitação, o contrato entre o Hospital Espírita Mahatma Gandi e a Secretaria de Estado da Saúde e o fato da Defesa Civil estar à frente do processo licitatório.

Os questionamentos acabaram levando o Ministério Público a instaurar uma notícia de fato para analisar o contrato do hospital de campanha.

Por ND Online

Comente Abaixo